sábado, 6 de junho de 2026

PHILOS OU HETAIROS, QUAL É A NOSSA AMIZADE COM JESUS?

 

“Jesus, porém, lhe disse: Amigo, para que vieste? Nisto, aproximando-se eles, deitaram as mãos em Jesus e o prenderam.”

Mateus 26:50


O Vocábulo grego ἑταῖρος [hetairos], é um dos vocábulos que tem sido traduzido como amigo. Ele possui os seguintes significados: camarada, companheiro, colega. Este vocábulo aparece 4 vezes no Evangelho de Mateus [11:16, 20:13, 22:13 e 26:50]. Uma dessas ocorrências dá-se na parábola dos trabalhadores na vinha. Um dos trabalhadores contratados para trabalhar na vinha, reclama com o proprietário da vinha quanto ao salário que recebeu. O proprietário, censurando sua reclamação, dirige-se a ele chamando-o de amigo [ἑταῖρος hetairos]. Outra ocorrência deste vocábulo dá-se na parábola das bodas. Nessa ocorrência, o rei da parábola encontra um frequentador da sua festa que não está fazendo uso das vestes nupciais. Este homem é duramente censurado pelo rei que a ele se dirige chamando-o de amigo [ἑταῖρος hetairos]. Nessas duas ocorrências, é fácil a percepção de que o vocábulo [ἑταῖρος hetairos], não se refere a uma amizade que pode ser considera próxima, verdadeira e íntima. Aqui, esse vocábulo faz referência mais a um companheirismo ocasional, sem quaisquer evidência de um relacionamento íntimo, próximo e verdadeiro.

Outro Vocábulo grego que é traduzido como amigo em nossas Bíblias é o vocábulo φίλος [philos]. Este vocábulo é empregado com os seguintes significados: amigo, ser amigável a alguém, desejar a ele tudo de bom, um dos amigos do noivo que em seu favor pediu a mão da noiva e prestou a ele vários serviços na realização do casamento e celebração das núpcias. Esse vocábulo ocorre 29 vezes no Novo Testamento.

Uma dessas ocorrências dá-se em João 11:11, ocasião em que Jesus refere-se a Lázaro chamando-o de amigo [φίλοςphilos]. Sem dúvida, o relacionamento de Jesus com Lázaro revelava uma amizade próxima, verdadeira e íntima. Noutra ocasião, em João 15:15, Jesus diz aos Seus discípulos o seguinte: “Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”. O vocábulo que Jesus faz uso aqui é [φίλοςphilos], o que, sem dúvida, denota uma amizade próxima, verdadeira e íntima. Jesus dirigiu-se aos Seus discípulos em algumas ocasiões chamando-os de amigos [φίλοςphilos]. Isso significa que os Seus discípulos, inclusive Judas, já tinham ouvido Jesus chamá-los de amigos, ou seja, philos.

Olhemos agora para o texto de Mateus 26:50. O contexto é o da traição de Jesus por um dos Seus discípulos, Judas. Após o ato traidor, Jesus dirige-se a Judas e o chama de amigo. Porém, Jesus faz uso do vocábulo hetairos. É como se Jesus dissesse para Judas: Você é meu amigo, mas não é meu amigo próximo, verdadeiro e íntimo.

Judas já havido sido chamado algumas vezes de philos, mas agora, por ocasião da traição, ele é chamado por Jesus de hetairos. Em João 15:14, Jesus diz o seguinte aos Seus discípulos: “Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando”. Por outro lado, em João 15:15, Jesus, novamente se referindo aos Seus discípulos, afirma [...] tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer”. Nossos atos de obediência para com Cristo e a abertura que oferecemos para que Cristo compartilhe conosco os Seus segredos revela que somos Seus amigos [φίλοςphilos].

Há, portanto, um poderoso e inquietante questionamento que reverbera nas recâmaras do nosso ser: Que tipo de amizade nutrimos com Jesus: philos ou hetairos?

A. M. Cunha

EU ERA UM DAQUELES TOMATES


Dia de feira é um dia cheio de desafios para mim! Quando saio para comprar legumes, verduras ou frutas, tenho que aguçar o meu senso de observação e passar a olhar cuidadosamente os pequenos detalhes. Sempre que executo estas atividades, torna-se evidente para mim quão seletivo eu sou nas minhas escolhas. Normalmente não consigo identificar quais são as melhores laranjas, se as opacas ou as lisas brilhantes! É comum não me sentir atraído pelas beterrabas amolecidas e não desejar as cenouras de aparência ruim e desagradável. Quando me aproximo da gôndola dos tomates, aí é que percebo quão seletivo eu sou. E se por acaso eu os vejo como que cheios de “tumores” ou “feridas”, como se estivessem dominados por uma aparência desagradável, quase fúnebre, concluo que aos meus olhos nenhum deles escapava, pois o meu juízo crítico é implacável!

A respeito de todos os homens, a Escritura diz, o seguinte: “Não há justo, nem um sequer” [Romanos 3:10], pois “todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.[Romanos 3:12]. Concluo, portanto, que a Escritura considera todos homens, absolutamente todos, sem nenhuma exceção, como “homens tomates”!

Diante de um texto como este, eu me percebo como que estando numa gôndola de tomates. Sim, eu sou um “homem tomate”: inútil, sem justiça, absolutamente incapaz de construir minha própria salvação! Mas, pela graça, mediante a fé, fui escolhido pelo “comprador celestial”, Cristo Jesus que me amou, mesmo tendo eu sido encontrado na gôndola da maldade!

A despeito de minha natureza decadente, a escolha divina não foi despropositada. Minha escolha teve um foco celestial, tinha um propósito divino, glorioso e imaculado! O divino mestre assim o descreve: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça;” [João 15:16]. Minha escolha, portanto, tinha e tem um desígnio, um propósito, um foco imutável: Que eu vá e dê fruto que permaneça!

O “comprador celestial”, quando morreu por mim e me escolheu, amou-me com amor eterno e atraiu-me com benignidade [Jeremias 31:3]! Fico maravilhado quando me recordo que Ele fez esta escolha mesmo estando eu entre aqueles “tomates”!

Arisvaldo Marinho Cunha
A. M. Cunha