sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

UM VISLUMBRE DA TEOLOGIA BÍBLICA DA ANGÚSTIA HUMANA

A angústia, por vezes, enclausura a alma numa lamentável condição onde a única voz que se ouve é: “a minha alma recusa consolar-se” (Salmo 77:2). No entanto, ainda que milagrosamente, a angústia não detém o poder de impedir que façamos a coisa necessária para o momento, qual seja: procurar o Senhor (Salmo 77:2) e erguer incansavelmente as mãos em fervente clamor Àquele que é o Senhor do livramento (Salmo 77:2). A angústia não retira do angustiado a possibilidade de clamar a Deus, bem como não é capaz de deter o poderoso braço do Senhor que, com Seu inesgotável poder, livra das tribulações o angustiado que clama (Salmo 107:6, 13, 19 e 28).

O servo de Deus, porém, não pode esquecer-se de que, mesmo na angústia, é possível desfrutar consolo mediante a vivificação da Palavra de Deus (Salmo 119:50). Mesmo na angústia, o servo de Deus pode clamar, certo de que o Senhor o ouve (Salmo 120:1), pois o seu clamor é capaz de penetrar os ouvidos de Deus (Salmo 18:6). A voz do que clama detém o poder de percorrer as mais profundas distâncias até emanar o seu eco no templo de Deus (Salmo 18:6).

A angústia não é ocasião apenas para sofrimento, dissabores e traumas. Muitos podem até fazer da angústia uma porta para a mágoa, o ódio e o rancor. Notem, contudo, como Deus é maravilhoso, pois a angústia pode ser considerada como uma maternidade, uma ocasião onde o milagre do nascimento pode acontecer! A angústia é um estado de gravidez, a partir do qual é possível constatar o nascimento de alguém que será tido como um verdadeiro “irmão” (Provérbios 17:17)! Isso é maravilhoso, pois o tempo de angústia não é apenas um tempo de angústia, mas uma ocasião para a expansão de nossa família, pois, por intermédio dela, é possível ganhar mais “um irmão”!

Textos que fundamentaram esta exposição:

“No dia da minha angústia, procuro o Senhor; erguem-se as minhas mãos durante a noite e não se cansam; a minha alma recusa consolar-se.” (Salmo 77:2)

“O que me consola na minha angústia é isto: que a tua palavra me vivifica.” (Salmo 119:50)

“Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve.” (Salmo 120:1)

“Na minha angústia, invoquei o Senhor, gritei por socorro ao meu Deus. Ele do seu templo ouviu a minha voz, e o meu clamor lhe penetrou os ouvidos.” (Salmo 18:6)

“Em todo tempo ama o amigo, e na angústia se faz o irmão.” (Provérbios 17:17)

“Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.” (Salmo 107:6)

“Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.” (Salmo 107:13)

“Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.” (Salmo 107:19)

“Então, na sua angústia, clamaram ao Senhor, e ele os livrou das suas tribulações.” (Salmo 107:28)
A. M. Cunha

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

UM VISLUMBRE DA TEOLOGIA BÍBLICA DO TRABALHO


Esboço da mensagem pregada pelo autor na Igreja Presbiteriana da Alvorada (SHC/N SQ 410 Área Especial s/nº - Brasília/DF), por ocasião da “Semana com Propósitos”, realizada no período de 8 a 14 de dezembro de 2013. A proposta desta semana é promover a análise de como nossos propósitos devem ser firmados para a glória de Deus em quaisquer aspectos da vida, tais como: vida pessoal, vida familiar, vida espiritual, vida profissional, vida ministerial, vida financeira e os relacionamentos.

“Consagre ao Senhor tudo o que você faz, e os seus planos serão bem-sucedidos.”
Provérbios 16:3

Não nos é suficiente identificar propósitos. Devemos consagrá-los ao Senhor! Devo, inicialmente, destacar a existência de uma perigosa dicotomia: O sagrado e o Secular. Qual a consequência, ainda que sutil, que este tipo de pensamento pode ocasionar?

1.  Isso pode nos conduzir a compreender a vida espiritual como sendo unicamente possível de ser vivida no ambiente de uma comunidade espiritual;
2.  Isso pode nos conduzir a compreender que os demais aspectos de nossa vida (familiar, profissional, emocional, etc.) podem ser vividos sem qualquer submissão às verdades da Escritura.

Entretanto, o fim desta dicotomia está explícito nas Escrituras; senão, vejamos:

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.”
I Coríntios 10:31

“E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”
Colossenses 3:17

A vida espiritual deve permear todos os aspectos de nossa vida, devendo ser compreendida como sendo “nossa vida”, e não como sendo “um dos aspectos” de nossa vida. Muitos cristãos tendem a fazer uma separação entre vida secular e vida espiritual. Como vimos, a Escritura declara o fim desta dicotomia. Quais as implicações se eliminarmos esta dicotomia?

1.   Tudo o que exercemos na vida terá um valor sublime, pois passará a estar integrado com a vida espiritual, tendo, por conseguinte, o propósito de glorificar a Deus;
2.  Tudo o que era visto na perspectiva do comum passará a ser visto na perspectiva do sagrado;
3.  Todo trabalhador passará a ser visto como um mordomo que serve a Deus.
Já abordamos que a nossa vida espiritual não deve ser vista como um apêndice de nossa vida. A partir do momento que nos rendemos ao senhorio de Cristo, temos uma “nova vida”, cujo desenvolvimento está sujeito às leis que regem o Reino de Deus.

Minha tarefa nesta ocasião é apresentar-vos, ainda que de forma inicial, um pequeno vislumbre da vida profissional sob o enfoque bíblico, de modo que possamos glorificar a Deus. O cristão precisa ter a consciência de que o seu trabalho não pode estar dominado pelos seguintes males: vício de trabalhar, trabalho escravizador, primazia da competitividade, culto do sucesso, materialismo, e culto da pessoa autorrealizada.

Assim sendo, quero abordar apenas dois aspectos do que poderíamos chamar de “A Teologia Bíblica do Trabalho”, de modo que lhes apresentarei apenas um vislumbre deste tema tão amplo e maravilhoso:

I – O trabalho não é uma consequência da queda do homem.
II – O trabalho é uma oportunidade para o despertamento da generosidade.

I – O TRABALHO NÃO É UMA CONSEQUÊNCIA DA QUEDA DO HOMEM.

Inicialmente, a narrativa da criação é uma narrativa do trabalho divino. Alguns verbos descrevem este trabalho: criou (Gn 1:1), pairava (Gn 1:2), disse (Gn 1:3), viu (Gn 1:4), chamou (Gn 1:5), colocou (Gn 1:17), façamos (Gn 1:26) e abençoou (Gn 1:28). Um pouco mais adiante, a narrativa da criação converte-se numa narrativa do trabalho humano; senão, vejamos:

“Tomou, pois, o Senhor Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar.”
Gênesis 2:15

O verbo “cultivar” relaciona-se com a cooperação humana na produção da vida, ao passo que o verbo “guardar”, relaciona-se com a cooperação humana na preservação da vida. Esta era a perspectiva inicial de Deus com relação ao trabalho, ou seja, uma atividade voltada para o cultivo e a preservação da vida.

II – O TRABALHO É UMA OPORTUNIDADE PARA O DESPERTAMENTO DA GENEROSIDADE.

O trabalho deve ser compreendido como uma atividade que se destina a criar oportunidade para a generosidade. Caso venhamos a trabalhar pautados na inclinação de nossa natureza caída, o egoísmo característico desta natureza caída, nos conduzirá a trabalharmos com os olhos fixos no “eu”, de modo a fazer com que valorizemos o que temos e o que conquistamos pelo trabalho.
A Escritura, por outro lado, desconectando-nos do egoísmo, evidencia que um dos objetivos que Deus intenta alcançar em nossa vida por intermédio do trabalho é que sejamos generosos.

“Aquele que furtava não furte mais; antes, trabalhe, fazendo com as próprias mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.”
Efésios 4:28

“Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus.”
II Coríntios 9:10-11

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é mister socorrer os necessitados e recordar as palavras do próprio Senhor Jesus Mais bem-aventurado é dar que receber.”
Atos 20:35

A generosidade tratará com a nossa inclinação egoísta, de modo que aquilo que conquistamos e adquirimos pelo trabalho seja visto como um recurso disponível para a prática da generosidade, desconectando-nos do “eu” e promovendo nossa conexão com o outro.


Que o Espírito de Deus nos auxilie na compreensão destas duas importantes vertentes da Teologia Bíblica do Trabalho. O trabalho não é uma consequência da queda do homem, mas antes, uma atividade voltada para o cultivo e a preservação da vida, um ato de cooperação com Deus na condução dos rumos desta vida. Além disso, o trabalho é uma atividade voltada para o despertamento da generosidade em nosso viver, de modo que possamos militar contra a velha natureza que nos impõe uma vida egoísta.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

A GRANDE COMISSÃO

Ao ler Mateus 28.18-20; Marcos 16.15; Lucas 24.44-48; João 20.21 e Atos 1.8 (textos que falam sobre a Grande Comissão) percebi que a Grande Comissão pode ser assim conceituada:

A grande comissão é um mandamento-promessa que Jesus deu aos Seus discípulos. Como mandamento, a grande comissão consiste na ordem para que Seus discípulos percorram todo o mundo pregando o evangelho, com a firme atitude de fazer discípulos, batizá-los e ensiná-los a obedecer todas as coisas por Ele ordenadas. Como promessa, a grande comissão consiste na garantia de que Jesus estará com o Seus discípulos no cumprimento desta missão, de tal sorte que o envio deles será tal qual o Seu envio pelo Pai e de que eles serão capacitados pelo poder do Espírito Santo para realizá-la.

Textos bíblicos utilizados:

“Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século.” (Mateus 28:18-20)

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16:15

“A seguir, Jesus lhes disse: São estas as palavras que eu vos falei, estando ainda convosco: importava se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos. Então, lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras; e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém. Vós sois testemunhas destas coisas. Eis que envio sobre vós a promessa de meu Pai; permanecei, pois, na cidade, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:44-49)

“Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.” (João 20:21)


“mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (Atos 1:8)

domingo, 27 de outubro de 2013

AS MARCAS DE UMA IGREJA QUE SE ENCONTRA COM CRISTO


24 Grande multidão o seguia, comprimindo-o. 25 Aconteceu que certa mulher, que, havia doze anos, vinha sofrendo de uma hemorragia 26 e muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior, 27 tendo ouvido a fama de Jesus, vindo por trás dele, por entre a multidão, tocou-lhe a veste. 28 Porque, dizia: Se eu apenas lhe tocar as vestes, ficarei curada. 29 E logo se lhe estancou a hemorragia, e sentiu no corpo estar curada do seu flagelo. 30 Jesus, reconhecendo imediatamente que dele saíra poder, virando-se no meio da multidão, perguntou: Quem me tocou nas vestes? 31 Responderam-lhe seus discípulos: Vês que a multidão te aperta e dizes: Quem me tocou? 32 Ele, porém, olhava ao redor para ver quem fizera isto. 33 Então, a mulher, atemorizada e tremendo, cônscia do que nela se operara, veio, prostrou-se diante dele e declarou-lhe toda a verdade. 34 E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai-te em paz e fica livre do teu mal.”
Marcos 5:25-34

INTRODUÇÃO: Os evangelhos são um vigoroso relato da vida e obra de Jesus. Se desejarmos conhecer sobre Cristo é muito importante que leiamos várias vezes os evangelhos. O evangelho de Marcos é, dos quatro evangelhos, o relato mais antigo que possuímos sobre a vida e a obra de Jesus. O começo deste evangelho é simplesmente maravilhoso! Ele diz:

“Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.”
Marcos 1:1

Este evangelho não se ocupa com notas biográficas acerca de Jesus, tanto é assim que não vemos neste evangelho nenhuma narrativa acerca do nascimento e da infância de Jesus. No entanto, vemos uma abundância de narrativas voltadas a descrever os atos de Jesus. O evangelho de Marcos dedica-se, muito mais, aos atos de Jesus do que aos discursos que Ele proferiu. Neste sentido, este evangelho parece transmitir-nos a seguinte mensagem: Queres conhecer Jesus? Observe atentamente o que Ele realizou!


NOTA: Quando Marcos nos apresenta a pessoa de Jesus, à medida que descreve Seus atos terrenos, ele nos faz perceber que todos os atos de Jesus foram praticados a partir de Sua interação com muitas pessoas. O texto que lemos nos apresenta um importante exemplo dos vários tipos de pessoas com os quais Cristo se relacionava.

Quatro tipos de personagens interagem com Cristo no texto que lemos:

a)     O primeiro tipo está representado pela multidão;
b)    O segundo tipo está representado pela mulher;
c)     O terceiro tipo está representado pelos discípulos;
d)    O quarto tipo está representando ..... bem, deste tipo falaremos depois.

Nossa atenção se voltará, nesta noite, sobre que tipo de personagem está representado pela mulher relatada no texto.

As Escrituras nos apresentam a seguinte realidade: A mulher é amplamente apresentada como uma figura da igreja. Assim, a partir do texto que lemos, podemos identificar quais tipos de pessoas integram a igreja de Cristo.

I – A IGREJA É FORMADA POR PESSOAS QUE SURGEM DA MULTIDÃO (v. 24). No meio da multidão podemos ver todo tipo de pessoas: boas – más, violentas – pacíficas, saudáveis – doentes, com a alma em descanso – com a alma em angústia. Isto significa que Jesus está à procura de todos. Não existe uma única pessoa que não seja alvo do amor de Deus;

II – A IGREJA É FORMADA POR PESSOAS QUE ENCONTRAM NAS DIFICULDADES UMA OPORTUNIDADE PARA SE ENCONTRAREM COM CRISTO (v. 25). No entanto, em que pese Jesus voltar-se para todo tipo de pessoas, vemos naquela mulher um importante exemplo para nós: Ele utilizou suas angústias e suas dificuldades como ponte para encontrar-se com Cristo;

III – A IGREJA É FORMADA POR PESSOAS QUE NÃO DESISTEM APESAR DE TEREM TOMADO DECISÕES QUE NÃO FORAM BEM SUCEDIDAS (v. 26). O texto deixa evidente que aquela mulher “muito padecera à mão de vários médicos, tendo despendido tudo quanto possuía, sem, contudo, nada aproveitar, antes, pelo contrário, indo a pior”; Padecera – (do grego Pascho: “ser afetado, ter sido afetado, sentir, ter uma experiência sensível, passar por”). Despendido – (Significa, não apenas dissipar, gastar, consumir, tem também o sentido de fazer despesas). Esta mulher poderia achar que suas expectativas se foram, que não havia mais esperança. No entanto, é para tais pessoas que Cristo se move em santa expectativa!

IV – A IGREJA É FORMADA POR PESSOAS QUE APROVEITAM AQUILO QUE OUVEM ACERCA DE CRISTO (v. 27). Aquela mulher ouvir falar de Jesus! Todas as coisas que ela ouviu a respeito de Cristo foram como o gatilho para a sua fé. Ela se aproveitou de cada detalhe! Tudo o que nos diz respeito a Cristo é importante para nossa vida. Tudo nEle e dEle é boa notícia: Por isso que Marcos nos diz no início deste livro: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus.” (Marcos 1:1). Isto nos transmite a seguinte mensagem: Em Cristo, estamos apenas no princípio das boas novas. Isto é apenas o começo! Em Cristo nós vivemos um eterno: Tem mais!
13 Eu creio que verei a bondade do Senhor na terra dos viventes. 14 Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor.”
Salmos 27:13-14


Mas existe um quarto tipo de pessoa que interage com Cristo nesta passagem. Não estou falando da multidão, da mulher ou dos discípulos. Refiro-me a Jairo. Ele tem uma virtude: continuou perto de Cristo, mesmo quando parecia que Cristo o havia esquecido. Qual a vantagem de Jairo: Ele presenciou tudo o que Jesus fez com a mulher e tudo o que Jesus falou com ela. Todas aquelas palavras foram encorajadoras para ele.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

UM VISLUMBRE DAS IMPLICAÇÕES MISSIOLÓGICAS DA ELEIÇÃO DE ISRAEL COMO POVO DE DEUS


Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra.”


  
O chamamento missiológico de Abrão e, por via de consequência, de Israel como povo de Deus, pode ser claramente visto no texto de Gênesis 12:1-3.


Nesta porção das Escrituras, vemos, de um modo muito claro, a eleição de Abrão, e nele, a eleição de Israel, como povo da promessa. As implicações missiológicas deste chamado podem ser discernidas em três aspectos, todos detectados em cada um dos versículos acima mencionados:


Versículo 1: A locução verbal “sai [...] e vai” expressa a participação humana como elemento deste chamado missiológico. Este “sai [...] e vai” é uma conduta humana pautada na fé, de modo que a fé é a mola indutora da capacidade de Abrão para, não somente ouvir, mas entender as implicações do chamado que o impelia a “ir” sem saber para onde estava indo. Fé para ouvir e fé para discernir o conteúdo do falar divino;


Versículo 2: A expressão “de ti farei [...] te abençoarei, e te engrandecerei [...] Abençoarei os que [...] e amaldiçoarei os que [...]” evidencia a participação divina neste chamado missiológico. Isto significa que Deus é o único suficientemente poderoso para viabilizar todas as condições necessárias ao cumprimento do chamado que Ele ofereceu a Abrão. Combinando os dois versículos teremos o binômio: O homem responde e Deus capacita;


Versículo 3: A expressão “serão benditas todas as famílias da terra” aponta para o culminar do projeto divino inicialmente revelado no chamamento de Abrão. Ele chama para que todas as famílias da terra sejam benditas. É significativamente notável a expressão: “em ti”. Isso significa que é nele, Abrão, que as famílias da terra alcançarão a graça de serem benditas. O instrumento de Deus [“em ti”, ou seja, Abrão e os que dele descendem pela fé, conforme Gálatas 3:7] é vigorosamente alcançado pelo “Deus capacitador”, que o transforma no canal pelo qual o favor divino alcançará todas famílias da terra. O foco divino nunca foi o indivíduo – Abrão, mas a pluralidade de indivíduos – todas as famílias da terra!

Assim, podemos resumir este chamamento como sendo portador de uma dupla essência:

Em primeiro lugar, temos a essência subjetiva que nos mostra as pessoas envolvidas neste chamamento: a) Deus, o que chama e capacita – o Deus capacitador; b) Abrão, aquele que, pela fé, é chamado e capacitado por ouvir e discernir as implicações do chamado; c) Todas as famílias da terra, que é a pluralidade de indivíduos aos quais Deus destina os efeitos do Seu chamamento.


Em segundo lugar, temos a essência objetiva que nos mostra o propósito ou objeto deste chamamento: Preparar o mundo para a vinda de Seu Filho como único e legítimo consumador dos eternos efeitos do Seu chamamento: A salvação dos pecadores!
A. M. Cunha