Salmo 119:15 – “Meditarei nos teus preceitos e às tuas
veredas terei respeito.”. O salmista vê sua alma envolvida em
dois preciosos desejos: [1] meditar nos preceitos divinos, e [2] respeitar as
veredas do Senhor. Em outras palavras, ele desejava meditar e obedecer! O filho
de Deus que se aproxima da Palavra de Deus deve fazê-lo em condição de
vulnerabilidade. Esta condição de vulnerabilidade nada mais é do que adotar uma
postura reflexiva diante das Sagradas Escrituras, ou seja, o discípulo de
Cristo deve lê-la e deixar-se ser lido por Ela; deve investigá-la e deixar-se
ser investigado por ela; deve nela meditar e deve observar os caminhos por ela
apontados. Meditar e obedecer, eis os desejos que devem envolver nossa alma!
A. M. Cunha
Salmo 119:14 – “Mais me regozijo com o caminho dos teus
testemunhos do que com todas as riquezas.”. Observe a expressão “o
caminho dos teus testemunhos”. É assim que o salmista descreve a Palavra de
Deus! A palavra “caminho, do hebraico derek [דרךְ], além de referir-se a
estrada, distância, jornada e direção, refere-se também a maneira, hábito.
Nesta últimas acepções, este vocábulo pode ser empregado, como é o caso aqui,
referindo-se “ao curso da vida” e ao “caráter moral”. Em outras palavras, o
salmista percebia nas Escrituras a bússola capaz ditar-lhe o curso da vida e o
caráter moral de sua conduta. E é exatamente nesta direção segura que o
salmista ancorava sua alegria, por isso ele diz “mais me regozijo”! Enquanto muitos procuram estabilidade nas
riquezas, o salmista encontra mansidão nos caminhos do Senhor, e isto lhe causa
indescritível regozijo! O profeta Isaías comprova esta verdade ao dizer: “Os mansos terão regozijo sobre regozijo no
Senhor” Isaías 29:19. Onde está posto o coração do salmista? A resposta
ecoa retumbante: No caminho dos testemunhos divinos e não em todas as riquezas!
O mestre da vida, Jesus Cristo, afirma: “Não
acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem
corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros
no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam;
porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” Mateus
6:19-21.
A.
M. Cunha
Salmo 119:13 – “Com os lábios tenho narrado todos os juízos
da tua boca.”.
Sem dúvida, expressar com nossos lábios os Decretos Divinos é um extraordinário
bem que fazemos, não apenas para nós, mas para o próximo! Nosso Senhor Jesus
Cristo já havia falado: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem”! E é
exatamente por nosso falar que o bem é extraído do coração, pois “a boca fala
do que está cheio o coração” [Lucas 6:45]. Por duas vezes nesta segunda seção
do Salmo 119, o salmista mencionou o coração. Na primeira vez, para anunciar
que buscava o Senhor de todo o coração [Salmo 119:10]. Na segunda, para
destacar que guardava no coração a Divina Palavra [Salmo 119:11]. Portanto, com
o coração ele busca o Senhor e no coração ele guarda a Palavra do Senhor! Tendo
o coração assim comprometido com o Senhor e com Sua Palavra, não é de estranhar
que os lábios do salmista proclamassem os juízos divinos! Observe, porém, que
não há, nos lábios do salmista, uma preferência a certas passagens dos Decretos
Divinos, como uma espécie de “caixa de promessas”, ao contrário, seus lábios
proclamavam “todos” os juízos” divinos!
A. M. Cunha
Salmo 119:12 – “Bendito és tu, Senhor; ensina-me os teus
preceitos.”.
O salmista, não apenas bendiz ao Senhor, mas ergue uma súplica por aprendizado.
É importante perceber, porém, que não se trata de um aprendizado qualquer: Ele
deseja aprender os preceitos divinos! Além disso, esta súplica não pode
referir-se apenas à obtenção de informações sobre os preceitos de Deus. O
anseio do salmista é por um aprendizado que o conduza à obediência! Ele anseia
aprender a obedecer! Esta é a vocação dos mandamentos divinos, despertar nossa
obediência. Foi exatamente assim que o Senhor compartilhou conosco a Grande
Comissão! Ele não disse: “ensinando-os todas as coisas que vos tenho ordenado”.
Suas palavras foram além de uma mera transferência de informações. Ele
planejava despertar a obediência dos Seus discípulos, por isso falou:
“ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Essa
palavra, guardar, qual flecha do arqueiro, tem por alvo nossa
obediência! O mesmo se dá aqui, neste salmo. É como se o salmista dissesse:
Senhor, não desejo apenas obter informações sobre os Teus preceitos, pois minha
alma encontra-se sedenta por saber como poderei obedecê-los!
A. M. Cunha
Salmo 119:11 – “Guardo no coração as tuas palavras, para
não pecar contra ti.”. O
profeta Isaías aponta os nefastos danos do pecado, ao anunciar que as nossas
iniquidades são a raiz da mais perversa das separações, pois o pecado faz com
que o pecador encontre-se privado da comunhão com o criador do universo. E não
apenas isso, em sua fala, o profeta revela que nossas iniquidades atuam como
névoa que nos encobre o rosto divino, de modo que o pecador não consiga
contemplá-lo em comunhão. Eis as palavras do profeta: “Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar;
nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Mas as vossas iniquidades fazem
separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de
vós, para que vos não ouça.” [Isaías 59:1-2]. O salmista, em harmonia que
esta revelação profética e concluindo que o pecado é uma perigosa influência na
vida dos filhos de Deus, demonstra que tal influência será desfeita quando a
Palavra tornar-se um valioso tesouro guardado no coração! A influência do
pecado não resiste àquele que guarda no coração a Divina Palavra.
A. M. Cunha
Salmo 119:10 – “De todo o coração te busquei; não me deixes
fugir aos teus mandamentos.”. Mesmo aquele que busca o Senhor de
todo coração deve manter-se vigilante. Existe uma natural inclinação, fruto da
rebeldia inerente ao coração humano, que intenta fazer com que a alma
constantemente fuja dos mandamentos divinos. O fiel deve abrigar-se na oração,
obtendo dela a força necessária para resistir aos impulsos do coração rebelde,
e deve fazê-lo buscando o Senhor de todo o coração! Esta intensa busca despertará
na sedenta alma o veemente clamor: “não
me deixes fugir aos teus mandamentos”. A humanidade, em sua natural
inclinação, intentará fugir dos decretos divinos, mas aquele que de todo
coração busca o Senhor há de empreender, por impulso do Espírito de Deus, uma
avassaladora corrida ao encontro das Sagradas Escrituras! A alma de quem assim
busca o Senhor Deus não encontrará descanso espiritual, a menos que mergulhe
nas cristalinas águas da obediência aos decretos divinos!
A. M. Cunha
Salmo
119:9 – “De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o
segundo a tua palavra.”. A juventude poderá manter-se
purificada, mesmo diante das paixões que fazem guerra contra a sua pureza! O
apóstolo Paulo, em sua segunda Carta a Timóteo já advertira: “Foge, outrossim,
das paixões da mocidade.”. O caminho de pureza para o jovem
é uma possibilidade real, desde que a Palavra de Deus torne-se para ele o único
suporte sobre o qual ele construa a sua jornada espiritual neste mundo! A Escritura
Sagrada assegura-nos que, pela confissão, obteremos perdão e purificação para
construirmos uma jornada espiritual madura. Assim nos afirma a Palavra de Deus:
“Se confessarmos os nossos pecados, ele é
fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”
[1 João 1:9].
A. M. Cunha