segunda-feira, 7 de junho de 2021

Evangelho de João - Capítulo 7

Três festas possuíam um singular valor para o povo de Israel: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. O capítulo 7 do Evangelho Segundo João apresenta uma dessas festas, a Festa dos Tabernáculos! O evangelista João diz o seguinte: “Ora, a festa dos judeus, chamada de Festa dos Tabernáculos, estava próxima.” [João 7:2]. Mais adiante, o evangelista diz: “Depois que seus irmãos tinham ido à festa, Jesus também foi, não publicamente, mas em segredo.” [João 7:10]. Agora aquela festa estava completa, pois Jesus estava presente!

A ordem acerca da celebração da Festa dos Tabernáculos está contida em Deuteronômio 16:13-15. Essa festa durava sete dias. E entre os sete dias de celebração dessa festa havia um ápice, o apogeu da sua celebração, o grande dia, que era o último dia da festa! O evangelista refere-se a este dia fazendo uso das seguintes palavras: “No último dia, o grande dia da festa [...] [João 7:37]. O grande e último dia, era, a um só tempo, majestoso, por ser grande, e saudoso, por ser o último! Sendo o último, portanto, aquele dia era, na verdade, a declaração acerca do fim daquela majestosa festa, pois a Festa dos Tabernáculos estava chegando ao fim! Isso implicava dizer que somente no próximo ano os judeus a celebrariam novamente!

 

Jesus, no entanto, fez uma sublime afirmação, cujo sentido apontava para uma festa que jamais se acabaria: A Festa do Espírito Santo! Jesus declarou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado.” [João 7:37-39]. A eternidade dessa fonte está claramente descrita neste Evangelho nas seguintes palavras: [...] aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” [João 4:14]. Que maravilhosa festa, inesgotável, interminável e inextinguível festa! De fato, uma festa infinita!

No último dia dessa festa singular, Jesus faz um inesquecível convite: [...] Se alguém tem sede, venha a mim e beba.” [João 7:37]. Sem dúvida, trata-se de um convite feito para aqueles que têm sede! O sedento que vem a Cristo saciará a sua sede, e não apenas isso, mas do seu interior fluirão rios de água viva!

Somente em Cristo nossa festa não terá fim! Não precisaremos esperar o próximo ano para celebrá-la novamente, pois todo dia é dia de Festa! Esta é uma autêntica festa do amor. O amor de Deus pelo homem e do homem para com Deus encontram-se nessa majestosa festa! Jesus disse algo maravilhoso acerca do amor do homem para com Deus: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada.” [João 14:21]. O Cristo da Festa dos Tabernáculos faz morada em todo aquele que O ama. É por isso que existe “uma fonte a jorrar para a vida eterna”. Eis a razão porque do seu interior fluirão rios de água viva.”. A eternidade é o fim último de todo aquele que ama a Cristo e Cristo é a fonte dos rios que emanam do seu interior!

A. M. Cunha


EVANGELHO DE JOÃO CAPÍTULO 8

Aquele que possui um olhar que é capaz de ver o que ninguém consegue ver: Esta é uma extraordinária forma de expressar a capacidade de percepção de Jesus Cristo! Por exemplo, quem seria capaz de vislumbrar que um pecador contumaz poderia, enfim, ser alcançado com o perdão divino? Jesus Cristo, sem dúvida, possui tão singular e aguçada percepção!

Aos olhos humanos, aquela mulher descrita nos versículos de 1 a 11 do capítulo 8 do Evangelho Segundo João, e que fora trazida aos pés de Jesus para julgamento, jamais seria merecedora de perdão. A Escritura, no entanto, nos diz: “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” [Provérbios 28.13]. Não se sabe o que aconteceu com aquela mulher no trajeto entre o seu flagrante e sua apresentação a Jesus. Mas o singular e amoroso olhar de Jesus contemplou o que ninguém conseguiu ver! Teria aquela mulher se arrependido durante aquele trajeto? Sem dúvida, não temos um registro expresso acerca disso neste texto do Evangelho Segundo João, mas, o certo é que no desfecho dessa narrativa, Jesus perguntou: “Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?” [João 8.10]. O evangelista prossegue apresentando-nos a seguinte resposta proferida por aquela anônima mulher: “Ninguém, Senhor!” [João 8.11]. Jesus, então, escreveu um magnífico epílogo para aquela narrativa ao fazer a seguinte afirmação: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais” [João 8.11].

Esta afirmação de Cristo foi uma aguda e contundente declaração de que o perdão para aquela mulher, não era apenas uma possibilidade, mas uma gloriosa, profunda e transformadora realidade! O perdão concedido, porém, não significava que Jesus havia aprovado o ato pecaminoso cometido por aquela mulher! Mas, sem dúvida, o perdão concedido apontava para o fato de que aquela mulher estava diante de uma extraordinária oportunidade para construir uma nova biografia em sua história pessoal!

No desfecho daquela narrativa, Jesus proferiu uma advertência final, ao dizer: “vai e não peques mais” [João 8.11]. O perdão concedido não é um salvo-conduto para que se continue na prática do pecado, mas é, por um lado, o atestado de que o arrependimento, que é a força atrativa do perdão, foi real, efetivo e verdadeiro, e, por outro lado, é a plataforma a partir da qual aquele que foi perdoado é amorosamente convidado a não mais pecar!

Mão isso não é tudo o que vislumbramos nesta narrativa. É bom que se diga também, que nem de longe conseguiremos explorar toda a riqueza que este texto bíblico nos oferece. Mas há algo mais que precisamos abordar aqui. O texto diz: “Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo” [João 8:6]. Existem, pelo menos, três ocasiões em que as Escrituras registram Deus escrevendo algo:

[1] De acordo com Êxodo 31:18, Deus escreveu as tábuas dos Dez Mandamentos. Este texto, portanto, é o registro de que Deus escreveu para conceder a Lei;

[2] O livro do profeta Daniel descreve a queda do rei Belsazar, que ocorreu quando uma majestosa mão começou a escrever na parede onde estava ocorrendo um grande baquete oferecido pelo Rei. Aquela escrita era o juízo de Deus sobre aquele reino. Este texto, portanto, de que Deus escreveu para aplicar a justiça da Lei;

[3] A terceira ocasião em que Deus novamente escreve está registrada no capítulo 8 do Evangelho Segundo João, ocasião em que levaram até Jesus uma mulher surpreendida em adultério. Enquanto os acusadores daquela mulher desejam condená-la à morte, Jesus, com o Seu dedo, pacientemente escrevia algo na terra. Não sabemos ao certo o que Ele escreveu, mas sabemos que o resultado final foi a demonstração do Seu amor para com aquela mulher. De acordo com Romanos 13:10, o apóstolo Paulo afirmou o seguinte: “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor”. Assim, num certo sentido, podemos afirmar que a terceira vez em que Deus escreveu algo, Ele o fez para cumprir a Lei, pois o cumprimento da Lei é o amor!

Portanto vemos três ocasiões em que Deus escreveu: A primeira, Ele escreveu para conceder a Lei; na segunda, Ele escreveu para aplicar a justiça da Lei; e na terceira, Ele escreveu para cumprir a Lei, ou seja, demonstrar o Seu infinito, inefável e majestoso amor!

A. M. Cunha


Evangelho de João - Capítulo 9

Como é angustiante, aflitivo e tormentoso sofrer a dor de cruéis, bárbaras e hediondas fatalidades, quer sejam aquelas provocadas pela maldade e pela incompreensão das pessoas, quer sejam aquelas que, independentemente da ação humana, ocorram conosco ao longo de nossa trajetória! O capítulo 9 do Evangelho Segundo João é dedicado a narrar a história de um homem, cuja vida foi alcançada por estes dois tipos de fatalidades.

[1] A primeira dessas fatalidades aconteceu à revelia da ação humana, ou seja, nenhum homem a provocou. Aquele homem, sem nome, desconhecido, e quem sabe até ignorado, nasceu cego, totalmente privado da capacidade para contemplar a face dos seus pais, a beleza do sol e as multiformes tonalidades do verde das árvores. Incapaz de ver o que estava à sua volta, só lhe era permitido perceber o cheiro, o som, a textura ou o gosto. A seu respeito o texto bíblico simplesmente diz: [...] um homem cego de nascença” [João 9.1]. Esta era a sua breve biografia;

[2] A segunda dessas fatalidades foi provocada pela maldade e pela incompreensão inerente às ações humanas, com a agravante de ter acontecido exatamente no ambiente onde não se esperava que acontecesse – o ambiente da prática da religiosidade [João 9.13-34]. O lugar onde as pessoas deveriam ser acolhidas, amparadas, compreendidas e abraçadas, tornou-se o lugar das críticas, da desconfiança, das injúrias, dos insultos e da rejeição. Os fariseus foram incapazes de celebrar com ele a vitória sobre a cegueira. Não se alegraram porque aquele homem agora podia ver o que estava a sua volta! Não comemoraram o fato de que aquele homem, além de perceber o cheiro, o som, a textura ou o gosto das coisas ao seu redor, agora podia ver a multiforme beleza que a natureza proporciona aos seres humanos. O farisaísmo, por ser invejoso, legalista e tirano, transgride a lei da alegria compartilhada, pois nele não há espaço para alegrar-se com os que se alegram [Romanos 12.15].

A breve narrativa daquele homem que, após seu encontro com Jesus, venceu a cegueira que o assolava desde o nascimento, é uma forte voz que nos transmite a mensagem de que as fatalidades, onde quer que elas ocorram e independentemente de quem as pratique contra nós, jamais terão a palavra final em nossas vidas, desde que tenhamos um transformador encontro com Jesus Cristo! Não, definitivamente as fatalidades não terão este sabor!

De acordo com o texto bíblico, aquele homem teve dois encontros com Jesus. No que se refere ao primeiro encontro, o texto bíblico afirma: “Caminhando Jesus, viu um homem cego de nascença” [João 9.1]! Ele foi visto, não apenas pelos olhos físicos de Jesus, mas foi também visualmente capturado pela compaixão do Mestre Divino que o percebeu com os olhos da Sua benignidade! O resultado desse encontro foi o seguinte: E “Ele [o homem cego] [...] lavou-se e voltou vendo.” [João 9.7]!

Por outro lado, quanto ao segundo encontro de Jesus com aquele homem, logo após a segunda fatalidade, quando os fariseus o haviam expulsado do ambiente da religiosidade, as Escrituras afirmam: “Ouvindo Jesus que o tinham expulsado, encontrando-o, lhe perguntou: Crês tu no Filho do Homem? Ele respondeu e disse: Quem é, Senhor, para que eu nele creia? E Jesus lhe disse: Já o tens visto, e é o que fala contigo. Então, afirmou ele: Creio, Senhor; e o adorou.” [João 9.35-38]. Após o primeiro encontro, aquele homem passou a ver fisicamente. Após o segundo, o seu sentido espiritual foi ativado, e ele viu, creu e adorou o Senhor do Universo!

Aquele homem, após ter sido completamente curado por Jesus, prostrou-se diante de Dele e O adorou! Como é maravilhoso encontrar-se com Jesus, ainda que esse encontro tenha ocorrido após a dor das fatalidades inerentes à vida! A maravilha desta narrativa bíblica está no fato de que aquele homem, duplamente alvo de fatalidades, foi duplamente encontrado por Jesus! O primeiro encontro concedeu-lhe a dádiva da visão natural. O segundo encontro, por outro lado, concedeu-lhe a benção da visão espiritual, a saber, a dádiva de crer no Senhor e O adorar!

A. M. Cunha


Evangelho de João - Capítulo 10

Certa ocasião Jesus fez a seguinte pergunta aos Seus discípulos: “Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?” [Mateus 16.15]. Com esta pergunta, os discípulos de Jesus foram provocados a revelarem qual era o seu testemunho a respeito dele. A resposta do apóstolo Pedro foi a seguinte: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” [Mateus 16.16].

Todo testemunho envolve, pelo menos, três importantes perspectivas: [a] Quem promove o testemunho; [b] o conteúdo do testemunho; e [c] a consequência do testemunho. Na breve narrativa bíblica que apresentamos aqui, podemos identificar duas destas três perspectivas: Quem promove o testemunho, no caso, o apóstolo Pedro e o conteúdo do seu testemunho, ou seja, quem Jesus é.

É importante que destaquemos o fato de que o conteúdo do testemunho respeito de Jesus, num certo sentido, envolve “quem Ele é” e “o que Ele faz”.

O Evangelho de João, no que se refere ao testemunho de João Batista a respeito de Jesus, é bem didático e, numa certa medida, bem completo, pois podemos identificar as três perspectivas que abordamos até aqui. É possível identificar [a] Quem promove o testemunho, no caso João Batista; [b] o conteúdo do testemunho; e, por fim, [c] a consequência do testemunho.

E é exatamente no final do capítulo 10 do Evangelho Segundo João que podemos ver a gloriosa consequência do testemunho de João Batista a respeito de Jesus Cristo!

O Evangelho Segundo João, descreve pormenorizadamente o cuidadoso testemunho de João Batista a respeito de Jesus. No que se refere ao conteúdo desse testemunho, mencionaremos alguns textos do Evangelho Segundo João, a partir dos quais conseguimos identificar certos aspectos do conteúdo do testemunho de João Batista que, por sua vez, enfatiza “quem Jesus é” e “o que Ele faz”.

[1] O primeiro aspecto encontra-se no seguinte trecho do Evangelho: “João dá testemunho a respeito dele e exclama: — Este é aquele de quem eu dizia: ‘Ele vem depois de mim, mas é mais importante do que eu, pois já existia antes de mim.’” [João 1.15]. Embora João Batista tenha iniciado o seu ministério antes de Jesus iniciar o Seu, o mestre divino já existia antes de João Batista, sendo, portanto, mais importante do que João. O testemunho de João Batista, de acordo com este texto, enfatiza “Quem Jesus é”, ou seja, Ele é aquele que sempre será mais importante que o Seu mensageiro!

[2] O segundo aspecto encontra-se no texto de João 1.26-27, que nos diz o seguinte: “João respondeu: — Eu batizo com água, mas no meio de vocês está alguém que vocês não conhecem. Ele vem depois de mim, mas não sou digno de desamarrar as correias das suas sandálias.” Desatar as sandálias de alguém era, nos dias do Novo Testamento, uma das mais vis atividades humanas. João, ao contemplar os atributos inerentes à pessoa de Jesus, achava-se indigno até mesmo de lhe desatar as sandálias dos pés. O testemunho de João Batista, de acordo com este texto bíblico, enfatiza “Quem Jesus é”, ou seja, Ele é aquele que é absolutamente digno de receber glória, honra e poder!

[3] O terceiro aspecto está contido na seguinte porção do testemunho de João Batista: “No dia seguinte, vendo que Jesus vinha em sua direção, João disse: — Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” [João 1.29]. Esta porção bíblica enfatiza tanto “Quem Jesus é”, quanto “O que Jesus faz”. De acordo com este texto, Jesus é o Cordeiro a quem se referiu Abraão no texto de Gênesis 22.8. Ele é também o Cordeiro anunciado por Isaías, o profeta messiânico, de acordo com Isaías 53.7. Esse texto também enfatiza “O que Jesus faz”, ou seja, Jesus é aquele que tira o pecado do mundo. Portanto, à luz do texto de João 1.29 há uma ênfase tanto no que Jesus é, quanto no que Ele faz, pois Jesus é o Cordeiro de Deus que possui o absoluto poder para retirar o pecado do mundo!

[4] O quarto aspecto está presente no seguinte texto do Evangelho Segundo João: “E João testemunhou, dizendo: — Vi o Espírito descer do céu como pomba e pousar sobre ele. Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem você vir descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo.’ Pois eu mesmo vi e dou testemunho de que ele é o Filho de Deus.” [João 1.32-34]. Esse texto, à semelhança do anterior, enfatiza tanto “Quem Jesus é”, quanto “O que Jesus faz”. Desta forma, o texto de João 1.32-34 enfatiza que Jesus é o Filho de Deus, o detentor do magnífico poder de batizar com o Espírito Santo!

[5] O quinto e último elemento, desta série de aspectos acerca do conteúdo do testemunho de João Batista, está contido na seguinte expressão: “Eu não sou o Cristo, mas fui enviado como o seu precursor [...] Convém que ele cresça e que eu diminua.” [João 3.28 e 30]. Quando João Batista afirma que Jesus deve crescer à medida que ele deve diminuir, ele está enfatizando “Quem Jesus é”. Com a chegada de Jesus, ele estava convicto de que já havia cumprido sua missão como precursor do Messias. João, o mensageiro, não deveria mais continuar sendo seguido, pois chegou o Rei, o Messias divino, aquele para o qual o testemunho de João apontava: É a Ele que todos devem seguir! Portanto, o texto de João 3.28 e 30 enfatiza “Quem Jesus é”, ou seja, Ele é aquele que deve ser seguido!

Como já havíamos anunciado, o verdadeiro testemunho possui três importantes perspectivas: [a] Quem promove o testemunho; [b] o conteúdo do testemunho; e [c] a consequência do testemunho. Até aqui, no que se refere ao testemunho de João Batista, abordamos as duas primeiras perspectivas. Há ainda uma última perspectiva que deve ser abordada, e ela está contida nos dois últimos versículos do capítulo 10 do Evangelho Segundo João, que nos dizem o seguinte: “E muitos iam até ele e diziam: — João não fez nenhum sinal, mas tudo o que ele disse a respeito deste homem era verdade. E naquele lugar muitos creram nele.” [João 10.41-42].

O capítulo 10 do Evangelho Segundo João reconhece a força do testemunho de João Batista ao afirmar que tudo quanto João Batista disse a respeito de Jesus era verdade [João 10.41]! Que testemunho maravilhoso, provado e atestado pelo tempo como verdadeiro! Este testemunho não somente era verdadeiro, mas era suficientemente poderoso para provocar o despertar da fé: Esta é a gloriosa consequência do testemunho de João Batista! Eis a razão porque a Escritura afirma que muitos confirmaram que tudo o que João Batista disse sobre Jesus era verdade, e como consequência creram em Jesus [João 10.42]. Esta é a maravilhosa consequência do verdadeiro testemunho: proporcionar uma eficiente maneira para que as pessoas creiam em Jesus!

A. M. Cunha


EVANGELHO DE JOÃO - CAPÍTULO 11

Algumas pessoas experimentam momentos nos quais se deparam com o que se pode chamar de “quase morte”. Escapar com vida num cenário como esse pode ser descrito como uma situação em decorrência do qual a morte só não se tornou real por um minúsculo detalhe dos acontecimentos ou, como se diz, “escapou da morte por um triz”.

O capítulo 11 do Evangelho Segundo João apresenta um magnífico fragmento da história de Lázaro; porém, com uma significativa diferença em relação àquilo que acabamos de abordar, pois Lázaro não estava apenas diante de uma situação de “quase morte” – Ele de fato morreu! O evangelista resume esse episódio com as seguintes palavras: “Então, Jesus lhes disse claramente: Lázaro morreu” [João 11:14].

Imagino que você saiba que o capítulo final da história de qualquer pessoa que se relaciona com Jesus sempre será surpreendente! Esse princípio também se aplicou na história de Lázaro, pois a seu respeito, o texto bíblico afirmou o seguinte: “Saiu aquele que estivera morto” [João 11:44]. Se em relação àquele que escapa ileso de uma situação de “quase morte”, é comum dizer que essa pessoa “nasceu de novo”, com muito mais razão se poderia dizer que Lázaro também “nasceu de novo”, pois ele, literalmente, saiu da morte para a vida!

Quando aborda o tema da salvação pela graça, o apóstolo Paulo revela sua relevante e acurada percepção teológica ao afirmar o seguinte: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” [Efésios 2:4-5]. Sem dúvida, nesse texto o apóstolo Paulo está abordando o fenômeno espiritual do “novo nascimento”. E é possível perceber que ele fez uso de dois singulares vocábulos ao abordar este fenômeno: a “morte” e a “vida”.

Esses dois vocábulos também permeiam a história da ressurreição de Lázaro, pois ele estava morto e, portanto, literalmente saiu da “morte” para a “vida”. E é exatamente isso que analogamente ocorre com o “novo nascimento”: os pecadores, ou seja, aqueles que estavam mortos em seus delitos e pecados, saem da morte para a vida!

O “novo nascimento” tem sido biblicamente compreendido como a ação divina que faz com que aquele que crê em Jesus Cristo saia da morte para a vida! É por isso que, com essa perspectiva em mente, torna-se plenamente possível ter uma melhor compreensão quanto à seguinte afirmação do apóstolo Paulo: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados” [Efésios 2.1].

Num certo sentido, portanto, pode-se afirmar que Lázaro, um dos membros de uma família muito amada por Jesus, quando foi ressuscitado tornou-se um recém-nascido! Seguindo essa linha de pensamento, podemos então analisar a ressurreição de Lázaro, não apenas como um fato histórico, como de fato o é, mas também como uma notável figura do novo nascimento.

Feitas essas considerações, olhemos um pouco mais detidamente para as seguintes palavras do evangelista João: “Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.” [João 11:44]

Sem dúvida, a ressurreição de Lázaro foi um grandioso milagre! Porém, é importante que saibamos que após aquele milagre, Jesus transmitiu uma instigante ordem para os que ali estavam: “Desatai-o e deixai-o ir”. Essa ordem de Jesus possui uma clara justificativa: Lázaro foi ressuscitado, porém, ele ainda tinha os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Isso, com certeza, causava-lhe sérios embaraços para andar, para movimentar suas mãos e para ver com perfeição.

Uma vez que estamos comparando a ressurreição de Lázaro com o “novo nascimento”, somos levados a concluir que o “novo nascimento”, que também é um grandioso milagre, sempre apontará para algo mais, pois, quem quer que tenha experimentado ou venha a experimentar o “novo nascimento”, sempre será apresentado a uma crucial e intransferível ordem de Jesus para o Seu povo, a saber: É necessário “desatar e deixar ir” aquele que nasceu de novo! Isso aponta para o fato de que aquele que nasceu de novo deve ser alvo de um especial cuidado por parte dos seguidores de Jesus, para que esta nova pessoa adquira a maturidade necessária e suficiente para experimentar em sua vida um “novo caráter”, “novas atitudes” e uma “nova visão”.

Muito provavelmente um recém-nascido – uma criança de colo –, é o melhor exemplo de alguém que necessita de cuidados especiais para sobreviver, pois não se têm notícias de nenhum recém-nascido que, para chegar à fase adulta, não tenha tido a necessidade de receber cuidados de um adulto.

Espiritualmente falando, a vida espiritual tem o seu início com o “novo nascimento”. Assim, todo aquele que espiritualmente é um recém-nascido, também necessita do cuidado dos outros irmãos para sobreviver, de modo que possa experimentar em sua vida esse “novo caráter”, essas “novas atitudes” e essa “nova visão”.

Olhemos novamente para a história de Lázaro: Ele saiu tendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço”, o que demonstra que ele, tão logo ressuscitou, já necessitava de cuidados especiais. Sem dúvida, com os pés atados, Lázaro não poderia praticar, com total liberdade de movimentos, o seu “novo andar”. Igualmente, com as mãos atadas, ele não poderia praticar, com excelência de desempenho, suas “novas ações”. E por fim, com o rosto envolto num lenço, ele não poderia exercitar, com uma percepção ampla e profunda, a sua “nova visão”. Foi exatamente por isso que Jesus ordenou: “Desatai-o e deixai-o ir” [João 11.44].

Esta ordem de Jesus é, portanto, decisivamente uma importante figura do discipulado cristão! Como consequência de um discipulado intencional, bíblico, amoroso e comprometido, aquele que nasceu de novo receberá os cuidados necessários para que tenha as indispensáveis condições para experimentar o seu “novo andar”, dedicar-se à prática de “novas ações” e desfrutar dos gloriosos benefícios que uma “nova visão” pode proporcionar!

A. M. Cunha


quarta-feira, 5 de maio de 2021

A RENOVAÇÃO DE UMA VIDA

TEXTO: Salmo 90.9-15 e Atos 7.17-36

TEMA: A RENOVAÇÃO DE UMA VIDA

Um dos personagens mais marcantes da Bíblia Sagrada é, sem dúvida, Moisés. Analisaremos um importante momento na vida deste homem. Que o Senhor nos ajude a extrairmos uma especial lição desta narrativa.

A DIVISÃO DA VIDA DE MOISÉS

A vida de Moisés é dividida em três períodos de 40 anos:

a.   Primeiro Período: No EGITO, sendo treinado em toda a ciência dos egípcios. (Atos 7.22-23);

“E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras. Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel.”

b.  Segundo Período: No DESERTO, como fugitivo na terra de Midiã (Atos 7.29-30);

“A estas palavras Moisés fugiu e tornou-se peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos. Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe, no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia.”

c.   Terceiro Período: NO EGITO E NO DESERTO, porém como o grande libertador de Israel. (Atos 7.35-36).

“A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça. Este os tirou, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.”

O salmo 90 é de autoria de Moisés. Desta narrativa percebemos como estava o coração de Moisés. Ele avalia a sua vida e conclui:

1.   Os nossos dias são vividos sob a ira de Deus (v. 9);

"Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento.”

2.   O limite do tempo é oitenta anos, e isso com canseira e enfado (v. 10)

“Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos."

Quando escreveu este Salmo, Moisés estava com aproximadamente 80 anos de idade. Neste Salmo, percebemos como estava o coração de Moisés: Um homem frustrado com a sua vida.

COMO MOISÉS FICOU FRUSTRADO COM A SUA VIDA?

Amados, encontramos no livro de Atos dos Apóstolos um texto muito importante para a nossa compreensão quanto a este momento tão singular na vida de Moisés. Leiamos Atos 7.23-25

“Quando completou quarenta anos, veio-lhe a ideia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel. Vendo um homem tratado injustamente, tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio. Ora, Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não compreenderam.”

Moisés recebeu uma clara compreensão de que seria o libertador de Israel. Apesar de ter sido criado segundo os costumes do Egito, Moisés, por um certo período de tempo, foi educado por sua mãe. Neste tempo, ele foi instruído sobre o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Provavelmente ele foi instruído acerca das promessas de Deus ao seu povo. Ele recebeu o ensinamento de que o seu povo possuía a promessa de uma terra que mana leite e mel. Recebeu o ensino de que o tempo de escravidão no Egito teria um fim, pois Deus enviaria um libertador. A mensagem que recebeu em sua casa materna fixou-se no seu coração tão profundamente, que ele projetou em sua vida um ideal: Ser o canal de Deus para a libertação do seu povo. Por isso a Bíblia diz: “Moisés cuidava que seus irmãos entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele”. Porém, qual foi o resultado? A Bíblia diz que Moisés foi rejeitado. Como consequência, ele tornou-se um fugitivo e peregrino. Esta frustração foi tão intensa na vida de Moisés, a ponto de ele considerar que o tempo que viveu no Egito foi um tempo perdido, que o tempo que viveu no deserto não teve nenhum proveito. Agora ele estava com 80 anos. Ou seja, estava no fim da sua vida, sem qualquer chance de cumprir o grande ideal por ele traçado. Em decorrência de toda esta frustração, Moisés afirmou:

"Pois todos os nossos dias se passam na tua ira; acabam-se os nossos anos como um breve pensamento. Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; neste caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos." (Salmo 90.9-10)

O SALMO 90 FOI ESCRITO NESTA ÉPOCA DA VIDA DE MOISÉS

Porém amados, este Salmo não contém apenas lamento; ele possui uma oração. Muitos constroem um “Salmo 90” em sua vida, porém, com apenas uma perna. Um salmo só com lamentos, choro e murmuração. Moisés apresentou neste Salmo a condição do seu coração, mas também, apresentou a condição da sua fé. Neste Salmo aprendemos que a dor não é capaz de matar a fé. Moisés exercitou sua fé e, fortalecido por ela, fez uma oração. Vejamos a oração efetuada por Moisés neste Salmo:

"Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. Volta-te, Senhor! Até quando? Tem compaixão dos teus servos. Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido, por tantos anos quantos suportamos a adversidade." (Salmos 90:12-15)

Moisés suplica o ensino do Senhor. Moisés pede a compaixão do Senhor. Moisés pede para ser saciado pelo Senhor, pois ele deseja cantar, ele deseja alegrar-se, ele quer uma compensação: Alegria por tantos anos quantos tem suportado a aflição. Mas ele não pede só para si, ele pede para o povo.

Quando olhamos a vida de Moisés que, após esta oração tornou-se o grande libertador do povo de Israel, percebemos:

A DIFERENÇA QUE UMA ORAÇÃO FAZ NA VIDA DE UM HOMEM

Como Moisés terminou o primeiro período de 40 anos de sua vida? Ele terminou poderoso em palavras e obras.

“E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.” (Atos 7.22)

Como Moisés terminou o segundo período de 40 anos de sua vida? Ele terminou pesado de boca e de língua e dominado pela canseira e pelo enfado.

“sou pesado de boca e pesado de língua” (Êxodo 4.10b)

“canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente, e nós voamos." (Salmo 90.10)

No entanto, após a oração descrita no Salmo 90, podemos ver um novo Moisés. Como ele terminou o terceiro período de 40 anos de sua vida? Para isso, leiamos o que nos diz a Palavra de Deus em Deuteronômio 34.7:

“Tinha Moisés a idade de cento e vinte anos quando morreu; não se lhe escureceram os olhos, nem se lhe abateu o vigor.” (Deuteronômio 34:7)

Moisés tornou-se um homem cheio de vigor. Maravilhoso o poder da oração!

O irmão Christian Chen afirma que, quando terminou o primeiro período de quarenta anos Moisés talvez tenha concluído: Eu sou capaz! Ao final do segundo período, Moisés concluiu: Eu não sou capaz! Mas ao final do terceiro período Moisés compreendeu com clareza: Só Deus é capaz!

Podemos concluir que nos dois primeiros períodos de 40 anos de sua vida, viveu confiando em si mesmo! De quem foi a iniciativa para libertar o povo? Do próprio Moisés. No início do terceiro período de 40 anos quem tem o controle e a iniciativa de tudo é o próprio Deus! Foi Deus que apareceu na sarça ardente, chamando a atenção de Moisés! Esta é a diferença! Na oração do Salmo 90, Moisés coloca-se diante de Deus!

Amado, a oração modificou a vida de Moisés. Quando esteve no Egito sem a direção de Deus, Moisés tornou-se um egípcio. Quando esteve no deserto sem a direção de Deus, Moisés tornou-se um incapaz. Após a oração, Moisés retorna para o Egito, não mais para ser um egípcio, mas para ser um libertador. Depois, Moisés retorna para o deserto, não mais para ser um fugitivo, mas para ser o guia de Israel.

“A este Moisés, a quem negaram reconhecer, dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça. Este os tirou, fazendo prodígios e sinais na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta anos.”

(Atos 7.35-36)

 

Arisvaldo M. Cunha

      A. M. Cunha

 

Esta mensagem foi pregada pelo autor deste blog no dia 13 de setembro de 2009, na SGAS Quadra 915.


sexta-feira, 2 de abril de 2021

A UNIVERSALIDADE DA PÁSCOA

Os dizeres no cimo da cruz são extremamente importantes. Não devemos ser descuidados quanto à razão pela qual o título estava escrito em hebraico, latim e grego. Aquele título, “Jesus Nazareno, o Rei dos Judeus”, na verdade, era para os romanos a natureza do crime que resultou na punição de Jesus!

O hebraico era a língua dos Seus acusadores, o latim, era a língua oficial daqueles que aplicaram Sua condenação e o grego era a língua franca do Império, de modo que aquela condenação assumiria uma conotação universal. A universalidade daquele título pode ser compreendida, também, como a universalidade da Páscoa. O hebraico era, num certo sentido, a língua da religião, o latim, por sua vez, era a língua do poder político então reinante, e, por fim, o grego era, naquela época, a língua oficial do mundo. Assim, o mundo todo deveria e deve ter conhecimento da gloriosa mensagem da Páscoa, que não pode e não deve ser dissociada dos acontecimentos ocorridos naquele dia e naquela cruz!

Que o mundo todo saiba que, naquele dia e naquela cruz, “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras” [1 Coríntios 15:3]!

A. M. Cunha