domingo, 26 de junho de 2022

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - CAPÍTULO 17

Uma das características da atual sociedade é uma desenfreada e quase exclusiva busca por seus próprios interesses, um investimento sem fim na vida terrena, com quase nenhum investimento na vida celestial. O capítulo 17 do Evangelho Segundo Lucas anuncia que este tipo de comportamento também caracterizava a sociedade dos dias de Noé. É isto o que vemos no texto bíblico de Lucas 17:26-27, que nos diz o seguinte: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do Homem: comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca, veio o dilúvio e destruiu todos” A sociedade atual, tanto quanto aquela dos dias de Noé, está muito distante do ideal que marcou a geração dos dias no nascimento de Enos, um dos descendentes de Adão. A respeito daquela geração, a Bíblia Sagrada afirma: “Foi nesse tempo que se começou a invocar o nome do Senhor.” [Gênesis 4.26].

Os dias de Noé foram impactados por um evento singular, uma verdadeira catástrofe, que implacavelmente atingiu toda aquela geração: O dilúvio que veio ao mundo nos dias de Noé! Jesus Cristo anunciou que um evento, infinitamente superior ao dilúvio, também atingiria a geração dos tempos do fim: A manifestação do Filho do Homem, ou seja, o glorioso retorno de Jesus Cristo, ocasião em que, diante Dele e para Ele, todos os homens, vivos e mortos, hão de prestar contas!

Como vimos, este capítulo do Evangelho Segundo Lucas anuncia: “Assim como foi nos dias de Noé [...] Assim será no dia em que o Filho do Homem se manifestar.” [Lucas 17.26 e 30]. Nesses tempos, em que a humanidade parece estar absoluta e exclusivamente concentrada na busca por seus próprios interesses, abandonando, por conseguinte, o desejo de se concentrar em Deus e no Seu reino, torna-se absolutamente necessário que uma nova geração espiritual, cheia de fé e graça, assuma o importante papel de cooperar para que a marca que caracterizava os dias de Enos, surja novamente em nossos dias, a saber, a voluntária e profunda disposição para invocar o nome do Senhor!

O mundo não deseja voltar-se para Deus! Eis a razão porque muitos vivem suas vidas como melhor lhe apraz! Uma geração que dedica os seus dias para Deus e que genuinamente vive de acordo com Sua soberana vontade, será capaz de mostrar para o mundo o caminho que deve ser seguido, porque “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” [Romanos 10.13].

A. M. Cunha

domingo, 19 de junho de 2022

Evangelho Segundo Lucas - Capítulo 16

De acordo com 1 Timóteo 6.9-10, a busca desenfreada por riqueza é um caminho cheio de tentações e ciladas que são alimentadas pelos nocivos desejos que dominam a alma humana, que, por fim, acabam por conduzi-la à ruína e à perdição. O apóstolo Paulo é incisivo ao afirmar que “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males” [1 Timóteo 6.10]. Um sutil desastre que emerge do amor ao dinheiro é a realidade de que, aquele que por ele é conduzido não se torna um possuidor de riquezas, mas um escravo delas.

O capítulo 16 do Evangelho de Lucas, ao anunciar a tensão que existe entre servir a Deus e servir às riquezas, apresenta o veredicto de que “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de aborrecer-se de um e amar ao outro ou se devotará a um e desprezará ao outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas” [Lucas 16.13]. Não podem coexistir na alma humana os atributos de “ser servo de Deus” e “ser servo das riquezas”. Esta é uma luta para além das possibilidades da alma humana.

O dinheiro deve ser visto como uma utilidade e não como uma identidade! A quantidade de dinheiro que possuímos não pode ser aquilo que nos identifica, mas a nossa identidade será revelada pela utilidade que damos ao dinheiro que possuímos! O dinheiro deve, portanto, ser utilizado para a glória de Deus e para o bem-estar do próximo! O que se requer daquele que possui riquezas é uma disposição interior para praticar a generosidade, pois aquele que pratica a generosidade revela que o dinheiro que possui não o domina, não o escraviza e não enrijece o seu coração para com a dor do próximo!

O apóstolo Paulo é enfático ao afirmar em 1 Timóteo 6.10, que o amor ao dinheiro é, na verdade, um desvio da fé, uma perigosa jornada que acrescenta muitas dores e atormenta aqueles que cobiçam a riqueza. Felizes, pois, são os servos de Deus que não cedem às paixões do amor do dinheiro, pois o que eles desejam é se devotarem inteiramente a Deus!

A. M. Cunha

domingo, 12 de junho de 2022

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - CAPÍTULO 15

Quem já perdeu uma prova, o horário de um voo, um compromisso muito importante ou uma festa sabe, muito bem, quão desagradável é ter esta sensação. Algumas pessoas são tão competitivas que não admitem perder nem mesmo quando estão apenas brincando com os amigos. Há, porém, uma perda muito grave, que vai muito além da mera competitividade que alguns alimentam: Refiro-me à perda da própria alma. A Bíblia diz: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” [Marcos 8:36].

O capítulo 15 do Evangelho Segundo Lucas contém a narrativa de três parábolas que abordam o tema da perda. Neste capítulo, um cenário de perdas é cuidadosamente descrito por Jesus, de onde podemos extrair as seguinte narrativas: [a] Em primeiro lugar, vemos a narrativa acerca de um homem que possuía cem ovelhas e perdeu uma delas [Lucas 15:1-7]; [b] Em segundo lugar, encontramos a parábola acerca de uma mulher que possuía dez dracmas e perdeu uma delas [Lucas 15:8-10]; e [c] e em terceiro lugar, encontramos a narrativa acerca de um homem que possuía dois filhos e um deles abandonou sua casa até achar-se totalmente perdido em sua vida, enquanto o outro achou-se perdido dentro da própria casa [Lucas 15:11-32].

Sem dúvida, o cenário das perdas contido nestas parábolas é muito triste, principalmente se o nosso foco estiver centrado na dor da perda que dilacera a alma e é capaz de lhe afugentar quaisquer esperanças de reencontro. Porém, o cenário dessas parábolas foi cuidadosamente preenchido com o maravilhoso recheio da alegria do reencontro! O texto possui três versículos que comprovam o que acabamos de afirmar: [a] em primeiro lugar encontramos a seguinte afirmativa: “Alegrai-vos comigo, porque já achei a minha ovelha perdida.” [Lucas 15:6]; [b] em segundo lugar, podemos ler o seguinte: “Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido.” [Lucas 15:9]; e [c] e, por fim, o texto apresenta a seguinte declaração: “era preciso que nos regozijássemos e nos alegrássemos, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado.” [Lucas 15:32]. Todas estas parábolas são, a um só tempo, uma representação da dor sentida quando se perde uma alma e da alegria desfrutada quando a alma perdida é reencontrada!

O encontro da alma que se perdeu com o Cristo que a encontrou é uma maravilhosa interrupção na escalada da alma que perigosamente galopava para uma eternidade sem Deus e sem esperança. Esse maravilhoso encontro é uma demonstração da missão de Jesus Cristo, por isso o texto bíblico afirma: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” [Lucas 19:10]. Uma vez que esta é a missão de Cristo, isso significa que toda vez que um perdido é encontrado por Cristo, sua alma foi salva e ele começará a trilhar o mais fascinante projeto de vida: Viver a partir de Cristo, com Cristo e para Cristo, todos os dias da sua vida!

A. M. Cunha


domingo, 5 de junho de 2022

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - CAPÍTULO 14

A influência, de acordo com o Cambridge Dictionary, é “o poder de afetar como alguém pensa ou se comporta, ou como algo se desenvolve”. O sal é dessas substâncias que exercem influência no ambiente onde é colocado. Pensando nisso e, muito provavelmente em outros aspectos que nossa mente limitada não alcança, Jesus anunciou que Seus discípulos eram “o sal da terra” [Mateus 5:13]! Eles, portanto, estavam vocacionados para exercer influência nesse mundo!

Mas, e se por algum motivo essa influência fosse interrompida? O capítulo 14 do Evangelho Segundo Lucas apresenta uma séria descrição desse fato. O Senhor afirma que o “sal é certamente bom” [Lucas 14:34]! O mesmo, porém, não se pode afirmar em relação ao sal que se tornou insípido. Em decorrência dessa insipidez, o sal não “presta para a terra, nem mesmo para o monturo.” [Lucas 14:35]!

Quando Jesus compara os Seus discípulos ao sal, Ele o faz anunciando que eles são o “sal da terra” ou, num certo sentido, o “sal para a terra”. Porém, caso se tornassem insípidos, eles já não mais poderiam ser considerados discípulos de Jesus e não mais poderiam ser úteis para a terra! Aquilo que perde sua utilidade passa a ser, na verdade, dispensável e desnecessário!

O sal insípido possui apenas a aparência de sal, e nessa hipótese, as aparências, não apenas enganam, elas são ardilosamente danosas, pois o sal de mera aparência, ou seja, desprovido do seu verdadeiro atributo, quando é misturado a outra substância não será capaz de lhe agregar nenhum valor! Um discípulo com mera aparência, ou seja, desprovido dos atributos que qualificam a verdadeira vida espiritual, estará absolutamente destituído do poder necessário para afetar os pensamentos ou o comportamento daqueles que estão a sua volta, sendo, portanto, incapaz de agregar qualquer valor a esse mundo!

De acordo com Jesus, para que um discípulo de Cristo exerça positiva influência nesse mundo, torna-se absolutamente necessário que esse discípulo adote um estilo de vida de desapego aos valores desse mundo e de profundo apego aos valores do Reino de Deus! Eis o motivo por que o Senhor afirma que todo aquele que dentre vós não renuncia a tudo quanto tem não pode ser meu discípulo” [Lucas 14:33]. A renúncia aqui mencionada, não é um mero abandono de algo, mas um abandono qualificado pelo desejo e pela efetiva busca de algo incomparavelmente melhor: Seguir a Jesus e viver conforme os valores que foram por Ele anunciados!

A. M. Cunha


EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - CAPÍTULO 13

“Saraiva” era o nome de um dos mais famosos personagens de Francisco Milani. Esse personagem foi responsável pela divulgação de um conhecido bordão cuja propósito era transmitir a ideia de “tolerância zero” com relação às perguntas que eram feitas sem a devida cautela.

O capítulo 13 do Evangelho Segundo Lucas conta-nos a parábola de certo homem que possuía uma figueira plantada em sua vinha. Esse homem, é bom que se diga, não poderia ser comparado ao Sr. “Saraiva” de Francisco Milani, uma vez que “tolerância zero” parecia não ser o seu lema de vida. Por outro lado, bem que ele poderia ser chamado de “tolerância três”, pois três foi o número de anos em que ele, sem sucesso, havia procurado fruto numa das figueiras que existia em sua vinha, para só então decidir cortá-la.

O texto de Lucas 13:6-7 possui a seguinte narrativa: “Então, Jesus proferiu a seguinte parábola: Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha e, vindo procurar fruto nela, não achou. Pelo que disse ao viticultor: Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não acho; podes cortá-la; para que está ela ainda ocupando inutilmente a terra?”.

A parábola apresenta ainda outro personagem, o viticultor, um funcionário do dono da vinha, que, movido por compaixão, suplicou ao dono da vinha que lhe concedesse mais um ano de tratamento para aquela figueira. As palavras que ele proferiu foram as seguintes: “Senhor, deixa-a ainda este ano, até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume. Se vier a dar fruto, bem está; se não, mandarás cortá-la” [Lucas 13:8-9]. A compaixão sempre se predispõe a conceder uma nova oportunidade para o nosso próximo! Porém, a compaixão não se caracteriza apenas por uma mera concessão de uma nova oportunidade para alguém, mas, por vezes, ela impõe àquele que a exerce, um pouco mais de comprometimento e trabalho para que os meios necessários para a frutificação aconteçam na vida do próximo. Note que o texto diz [...] até que eu escave ao redor dela e lhe ponha estrume”. Tudo isso requer trabalho, comprometimento, cuidado e especial zelo.

Quando o que está em jogo é a frutificação espiritual na vida de alguém, a filosofia da chamada “Tolerância zero” não pode dominar o nosso coração. Ao contrário, deixemos que a compaixão venha reger a sinfonia de amor que deve transbordar em nossas atitudes, de modo que, ainda que tenhamos que trabalhar um pouco mais, concedamos ao próximo uma nova oportunidade para gerar frutos!

A. M. Cunha


domingo, 22 de maio de 2022

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - CAPÍTULO 12

O maior evento de moda do Brasil e o mais importante da América Latina é a São Paulo Fashion Week – SPFW. No entanto, a mais bela de todas as vestimentas jamais fora utilizada por qualquer modelo que tenha percorrido as passarelas da SPFW. O capítulo 12 do Evangelho Segundo Lucas afirma que “nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer” um dos lírios do campo [Lucas 12:27]. A mais bela das vestimentas que tenha tido espaço na SPFW não pode ser comparada com a mais simples das vestimentas utilizadas pelos lírios do campo. Quem disse isso não foi um dos maiores estilistas da modernidade, mas Jesus Cristo, Aquele que fia e tece os lírios nas suas mais extraordinárias vestimentas!

Não queremos com isso desmerecer a beleza das vestimentas que tenham percorrido as passarelas da SPFW, mas o que desejamos é enaltecer Aquele que, em matéria de vestimentas, foi quem primeiro confeccionou a vestimenta capaz de cobrir, a um só tempo, tanto a nudez do corpo, como a nudez da alma! É a respeito da humanidade, envergonhada de sua nudez e fugitiva por causa do pecado, que a Escritura diz: “Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu” [Gênesis 3:21].

Se é bela a vestimenta utilizada pelos lírios do campo, quão incomparavelmente mais bela é a vestimenta que cobre a nudez da alma humana! Salomão em toda a sua glória utilizava extraordinárias vestimentas que embelezavam sua realeza. Cristo, por outro lado, suportando a vergonha da cruz e movido por um imensurável amor pela humanidade, despiu-se de Si mesmo, de toda Sua glória e majestade, para então, e somente então, cobrir, com as vestimentas do Seu infinito amor, a nudez que a alma humana suportava desde que voluntariamente mergulhou nas nefastas águas do pecado!

A. M. Cunha


domingo, 15 de maio de 2022

EVANGELHO SEGUNDO LUCAS - CAPÍTULO 11

Todo discípulo de Jesus é uma pessoa vocacionada ao aprendizado da oração. Feliz é aquele que suplanta os obstáculos que surgem no caminho de todo discípulo que deseja aprender a orar! Felizes os discípulos que, uma vez conscientes de que sua biografia existencial precisa trilhar os caminhos da oração, procuram diligentemente por alguém que os ensine a praticá-la!

O capítulo 11 do Evangelho Segundo Lucas mostra-nos uma pessoa que, tendo sido anonimamente descrita como um dos seguidores de Jesus, abriu os seus lábios para clamar, não apenas para si, mas em favor de todos os seguidores de Cristo que o acompanhavam, dizendo: “Senhor, ensina-nos a orar” [Lucas 11:1].

O aprendiz da oração necessita de uma inspiração, de um mentor que lhe desperte qual o melhor caminho a ser percorrido na maravilhosa jornada desse importantíssimo aprendizado. Com aquele discípulo de Cristo não foi diferente, pois o seu desejo de aprender a orar foi despertado, muito provavelmente, após ter presenciado Jesus praticando a oração. Isto pode ser confirmado com o que está escrito no texto de Lucas 11:1, que nos diz o seguinte: “estava Jesus orando em certo lugar”. Muito possivelmente, essa não foi a única vez que aquele discípulo viu Jesus orando!

Qual teria sido a oração que Jesus praticou naquele momento que, por seu singular conteúdo, despertou naquele discípulo o desejo de fazer aquele oportuno pedido: Senhor, ensina-nos a orar? Que palavras Jesus usou naquela oração? Que súplicas Ele apresentou ao Pai? Não sabemos ao certo! Contudo, existe algo que podemos concluir: O convívio de Jesus com os Seus discípulos foi o elemento catalizador que despertou neles o desejo de aprender a praticar a oração!

Oremos persistentemente para que sejamos exímios praticantes da oração e para que sigamos os passos do divino mestre e nos tornemos em catalizadores, que despertam nos outros o desejo de aprender a orar de forma mais verdadeira, significativa e relevante!

A. M. Cunha