domingo, 30 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 11

Molha-se quem constrói pontes no mar. Com esta pequena frase tenho a intenção de apontar para o fato de que, a construção de uma ponte no mar requer que os construtores se molhem. O Evangelho Segundo Marcos, no seu capítulo 11, revela-nos um intrigante princípio espiritual acerca do perdão: Quem deseja obter perdão, deve tornar-se um perdoador! Assim como se molha quem constrói uma ponte no mar, assim também, quem deseja receber perdão, deve tornar-se um perdoador! Observemos as palavras do Senhor Jesus sobre este tema: “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.” [Marcos 11:25].

Alguém já disse, talvez se inspirando em William Shakespeare, que “não perdoar é como tomar veneno e esperar que o outro morra”. Jesus foi enfático ao afirmar: “se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [...], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” [Mateus 6:14-15]. Aquele que deseja ser perdoado deve molhar-se no mar dos perdoares, pois perdoar constrói pontes no mar da vida para aquele que necessita ser perdoado!

A. M. Cunha

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 10

Falar, ouvir e ver são três importantes faculdades que Deus nos concedeu e que nos conectam com o mundo à nossa volta. O capítulo 10 do Evangelho Segundo Marcos conta-nos a história de um homem. Pouco se diz a seu respeito, apenas que era mendigo, cujo nome era Bartimeu, filho de Timeu e cego, portanto, desprovido de uma das três faculdades acima mencionadas. O texto sugere que aquele cego estava assentado à beira do caminho, empreendendo sua luta diária pela sobrevivência!

Quando Jesus saía de Jericó, aquele cego fez uso das outras duas faculdades que possuía, falar e ouvir, de modo que a falta da visão não o impediria de ter um poderoso encontro com Jesus Cristo! Primeiramente, ele “ouviu” que era Jesus que estava passando por aquele caminho e depois, usando a fala, “pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” [Marcos 10:47]. Concluímos, portanto, que Bartimeu agarrou-se às faculdades que possuía [ouvir e falar], com o objetivo de, uma vez tendo se encontrado com Jesus, recuperar a faculdade que não possuía [a visão]!

Obstáculos, no entanto, sempre surgem quando usamos o que temos para conquistar o que não temos! Não foi diferente com Bartimeu, que teve que enfrentar a repreensão de muitos que pediram que ele se calasse [Marcos 10:48]. Ele, no entanto, “cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” [Marcos 10:48].

Qual não deve ter sido sua alegria quando ouviu: “Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.” [Marcos 10:49]? Encontros eternos e maravilhosamente transformadores aguardam aqueles a quem Jesus chama! A narrativa histórica de Bartimeu foi assim concluída: “E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.” [Marcos 10:52]!

A. M. Cunha

domingo, 16 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 9

No exato momento em que escrevia esta breve meditação nas Escrituras, o sol entrava sorrateiramente na minha sala. Há pouco menos de duas horas, no entanto, antes da minha meditação matinal, nesta mesma sala, o sol não irradiava a sua luz. O ambiente estava tomado pela escuridão. A escuridão de outrora fora, então, substituída pela luz matinal.

A vida é repleta destes momentos em que os opostos se encontram: alegria e tristeza, saúde e doença, riqueza e pobreza, entre tantos outros. Até mesmo no ambiente da espiritualidade estes opostos podem ocorrer. O capítulo 9 do Evangelho Segundo Marcos apresenta um destes encontros, quando um pai, aflito com seu filho possesso por um espírito mudo, procura Jesus. Tomado por cruéis angústias, aquele pai disse a Jesus: “Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam.” [Marcos 9:18].

Após fazer um breve relato sobre o tempo e as condições suportadas pelo jovem desde a sua possessão, o aflito pai dirigiu a Jesus as seguintes palavras: “se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.” [Marcos 9:22]. Em resposta, Jesus lhe disse: “Se podes! Tudo é possível ao que crê.” [Marcos 9:23]. Foi exatamente nesse ponto que o Pai exclamou, em lágrimas: “Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” [Marcos 9:24]. É como se ele tivesse dito: “Eu creio, mas não o bastante”!

Nós somos, muitas vezes, iguais àquele pai, pois a nossa existência também sofre o impacto da descoberta de que “cremos, mas não o bastante”! Eis o paradoxo: Promover uma declaração de fé, desprovida de fé! Calma, é confuso mesmo! É paradoxo, é luz e trevas, é dia e noite! Somos assim mesmo!

Esta porção da Escritura revela que os nossos lábios lamentavelmente podem declarar uma fé que não possuímos! Contudo, o Nosso Amado Salvador, amavelmente revelará a nossa incredulidade, não com o propósito de nos envergonhar, mas com a amável intenção de revelar que, por sermos tão frágeis, somente triunfaremos se reconhecermos que somos dependente Dele, até mesmo para termos fé! Esse importante reconhecimento de nossa parte, abrirá os nossos olhos para percebermos que podemos nos achegar a Cristo e clamar: Ajuda-nos em nossa falta de fé! O glorioso Cristo, pleno em compreensão, ternura e amor há de nos socorrer. Somente assim, com um coração cheio de fé poderemos triunfar diante das adversidades da vida!

A. M. Cunha

domingo, 9 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 8

Uma das características dos milagres realizados por Jesus era o fato de serem instantâneos! Os enfermos que Dele se aproximavam ou que a Ele haviam sido trazidos, experimentavam uma cura instantânea que invariavelmente ocorria, ou por uma Palavra dita por Cristo, ou por um toque realizado por Ele, ou, por vezes, a cura ocorria quando os enfermos Nele tocavam! Quanto a estas curas instantâneas, o Evangelho Segundo Marcos oferece alguns exemplos, tais como: “No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo” [Marcos 1:42], ou outro exemplo e “Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos” [Marcos 2:12].

O capítulo 8 desse maravilhoso Evangelho, no entanto, apresenta a narrativa de um milagre singular! Um cego foi apresentado a Jesus em Betsaida. O texto bíblico apresenta a seguinte narrativa: “Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?” [Marcos 8:22-23].

A resposta oferecida por aquele cego à pergunta que Jesus lhe fizera foi, aos nossos olhos, espontânea, inesperada e incomum! Ele disse: “Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando” [Marcos 8:24]! Sem dúvida aquele homem estava vendo! No entanto, sua visão não estava perfeita, pois os homens não são como árvores e as árvores não andam! Diante desses fatos, o texto bíblico nos diz que Jesus adotou a seguinte atitude: “Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos” [Marcos 8:25]. Somente após esse “segundo toque” é que o texto bíblico afirmou: “e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido” [Marcos 8:25]!

Por mais que possa inicialmente parecer estranho aos nossos olhos, esse milagre oferece uma singular lição para cada um de nós! Cristo sempre oferecerá para nós a oportunidade de recebermos um segundo toque de Suas maravilhosas mãos! Se, porventura, não formos completamente abençoados em decorrência do primeiro toque de Cristo em nossas vidas, será crucial que não usemos essa situação para começarmos a murmurar contra Ele! Diante de uma situação tão inusitada como essa, nossa melhor atitude será abrirmos os nossos olhos para percebermos que tal situação é, antes de tudo, um convite para que clamemos por um segundo toque do Senhor em nossa vida! Portanto, é muito importante que saibamos que Jesus sempre estará disposto a realizar um segundo toque em nossas vidas!

A. M. Cunha

domingo, 2 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 7

O que pode contaminar o homem? O capítulo 7 do Evangelho Segundo Marcos oferece-nos uma resposta muito interessante, pois Jesus afirma em Marcos 7:15, que nada “há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar”! Obviamente Jesus não estava falando em termos fisiológicos, pois sabemos, evidentemente, que o homem pode ser contaminado quando microrganismos [bactérias, fungos, leveduras, vírus, entre outros], entram em contato com seu organismo.

A contaminação anunciada por Jesus, contudo, não é aquela decorrente do que entra no homem, mas a que é decorrente daquilo que sai do homem, pois, de acordo com Jesus, o “que sai do homem, isso é o que o contamina” [Marcos 7:20]. Para que não restem dúvidas sobre o que contamina o homem, Jesus oferece o seguinte diagnóstico: “O que sai do homem é que o torna impuro. Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.[Marcos 7:20-23]!

Tal diagnóstico parece ser implacavelmente a sentença final de todo homem. Porém, as Sagradas Escrituras fazem ecoar a Sua potente voz para anunciar uma gloriosa promessa: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra” [Ezequiel 36:26]! Nada pode conceder uma transformação tão radical; senão, um profundo encontro com Deus, conforme nos diz a Escritura: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” [Jeremias 29:13]! Busquemos, pois, a Deus, pois somente Nele será possível receber um novo coração!

A. M. Cunha

domingo, 25 de setembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 6

Instigante, provocante e desafiador, essa é a forma como poderíamos nos referir ao capítulo 6 do Evangelho de Marcos. Nesse precioso capítulo, somos apresentados a um glorioso princípio das Escrituras: O exercício da compaixão desafia o nosso direito de descansar! De acordo com Marcos 6:31, Jesus disse aos Seus discípulos: “Vinde repousar um pouco, à parte, num lugar deserto”. O divino mestre realizou este convite, pois os Seus discípulos “não tinham tempo nem para comer, visto serem numerosos os que iam e vinham”. A palavra repousar significa, literalmente, “provocar ou permitir que alguém pare com algum movimento ou trabalho a fim de recuperar e recompor suas energias”.

Jesus, então, acompanhado dos Seus discípulos, foi para um lugar solitário, com o firme propósito de descansar! O texto bíblico afirma: “Então, foram sós no barco para um lugar solitário.” [Marcos 6:32]. Este seria um momento separado para o descanso. O lugar era solitário, pois esta seria a melhor maneira de encontrar uma oportunidade de descanso!

O versículo 33 do capítulo 6 do Evangelho Segundo Marcos registra um curioso movimento de algumas pessoas. Diz-nos o texto bíblico: “Muitos, porém, os viram partir e, reconhecendo-os, correram para lá, a pé, de todas as cidades, e chegaram antes deles”. Logo a seguir, o texto bíblico afirma que quando “Jesus saiu do barco, viu a grande multidão e teve compaixão dela, pois eram como ovelhas sem pastor.” [Marcos 6:34]. Foi exatamente nesse momento que a compaixão desafiou o pretendido descanso de Jesus! A narrativa bíblica contida no versículo 34 continua: Então começou a lhes ensinar muitas coisas! Jesus, mesmo cansado, não descuidou de Sua responsabilidade para com aquele povo, seguiu o fluxo de Sua vocação espiritual e passou a servi-los, pois a compaixão que O movia, desafiava o Seu direito de descansar!

A. M. Cunha


segunda-feira, 19 de setembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 5

Quando eu era criança, sentia-me extremamente seguro ao lado do meu pai. Para mim, ele era um homem indestrutível, intocável e inatingível. Esta sensação de segurança, no entanto, não se compara com a segurança de estar ao lado de Jesus! Este é o prêmio que aguarda os que se prostram aos pés de Cristo!

O capítulo 5 do Evangelho Segundo Marcos conta-nos a história de um dos líderes da sinagoga, chamado Jairo. Ele prostrou-se aos pés de Jesus, porém, não sem antes tê-Lo visto! Observe o que o texto diz: “e, vendo-o, prostrou-se a seus pés” [Marcos 5:22]! O coração de Jairo pulsava de angústia pelo estado de saúde de sua filha. O texto bíblico afirma que ele insistentemente fez a seguinte súplica para Jesus: “Minha filhinha está à morte; vem, impõe as mãos sobre ela, para que seja salva, e viverá.” [Marcos 5:23]. Nenhum aflito ficará sem um compassivo feedback do divino mestre! A resposta inicial de Jesus foi além de palavras! Diz-nos o texto bíblico: “Jesus foi com ele” [Marcos 5:24]. Que agradável companhia! Nos momentos em que a aflição sufoca a alma, o desespero arrefece a alegria e a atrocidade da angústia faz asfixiar qualquer vislumbre de esperança, Jesus coloca-se ao lado daquele que, gemendo suas dores, suplica o socorro divino!

A. M. Cunha