domingo, 13 de novembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 13

O primeiro versículo do capítulo 13 do Evangelho Segundo Marcos contém uma expressão muito interessante: “Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos”. Uma espiritualidade superficial poderá ser capaz de nos preparar para sabermos o que devemos fazer quando entramos no templo. Contudo, uma importante, crucial e instigante pergunta deve ser cuidadosamente enfrentada pelos discípulos de Cristo: Realmente sabemos o que devemos fazer quando saímos do templo?

Os versículos de 3 a 36 do capítulo 13 do Evangelho Segundo Marcos contém um conjunto de revelações proféticas que foram proferidas quando Jesus saiu do templo. O que se espera, como uma condição de normalidade da vida espiritual, é a existência de revelações que são proferidas quando entramos no templo! O texto de hoje, contudo, mostra que um importante conjunto de revelações proféticas foi proferido por Jesus assim que Ele saiu do templo. A narrativa do capítulo 13 do Evangelho Segundo Marcos possui um conteúdo profético muito interessante, cujo propósito era preparar os discípulos para o que eles haveriam de enfrentar no futuro. Naquela ocasião, Jesus anunciou aos Seus seguidores que os últimos dias seriam o palco para os seguintes acontecimentos:

 

[Em primeiro lugar] O surgimento de falsos mestres, cujo propósito será enganar sorrateiramente os seguidores de Cristo, fazendo com que eles se desviem do caminho reto e sejam dominados pelo erro e pelo pecado [versículos 6, 21 e 22];

[Em segundo lugar] O surgimento de guerras e rumores de guerras, terremotos e fome [versículos 7 e 8];

[Em terceiro lugar] O surgimento de uma implacável perseguição contra os seguidores de Cristo, inclusive no ambiente familiar [versículos 9, 11 a 13];

[Em quarto lugar] O surgimento de sinais extraordinários nos céus [versículos 24 e 25]; e, por fim;

[Em quinto lugar] O retorno de Cristo! Isto mesmo, Cristo voltará novamente [versículos 26 e 27]!

 

Todas estas coisas foram profeticamente anunciadas por Jesus. O evangelista Marcos registra as seguintes palavras de Jesus: “Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito” [Marcos 13:23].

Voltemo-nos, agora, à pergunta anteriormente formulada: Realmente sabemos o que devemos fazer quando saímos do templo? O texto bíblico responde de forma contundente: “vigiai e orai” [Marcos 13:33]. Oração e vigilância espiritual não são tarefas que devem ser praticadas unicamente quando estamos no templo. Também devemos praticá-las quando estamos fora do templo, e isso, com mais intensidade e com um acurado sentimento de perseverança!

Há, porém, algo revelado nas entrelinhas deste precioso capítulo que revela algo mais que devemos fazer: Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.” [Marcos 13:10]. Assim, temos uma magnífica revelação acerca do que devemos fazer quando saímos do templo: pregar, orar e vigiar! Esta prática promoverá um extraordinário impacto em nossa geração!

Contudo, devemos ter especial atenção, pois pregar envolve muito mais do que falar; envolve viver o que é pregado, tão intensamente quanto possível e nas mais variadas circunstâncias da vida! As verdades do evangelho de Jesus Cristo devem ser o objeto de nossa pregação e o modelo a partir do qual nós devemos expressar a vida cristã!

Assim, sob a luz das Escrituras, nós devemos viver conforme as diretrizes do Evangelho de Jesus Cristo, de modo que possamos afirmar: Nós vivemos como vivemos porque o Evangelho aponta o caminho, ele inspira o nosso estilo de vida! Quem vive conforme o fluxo do Evangelho, nada pode pregar senão o próprio Evangelho, pois o Evangelho de Jesus Cristo é, a um só tempo, o marco teórico da nossa pregação e a diretriz final para o nosso estilo de vida!

A. M. Cunha

domingo, 6 de novembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 12

“Débito ou crédito?”, “Vai comer aqui ou vai levar?”, estes são alguns exemplos de perguntas que estão sendo costumeiramente realizadas, nesta era de rasos relacionamentos. Esta é a forma como o amado irmão e pastor Davi Lago tem alertado sobre a superficialidade das perguntas atuais. Perguntas superficiais podem, invariavelmente, apontar para diálogos superficiais.

O capítulo 12 do Evangelho Segundo Marcos, no entanto, contém a narrativa de um diálogo muito profundo. Um escriba faz a seguinte pergunta para Jesus: “Qual é o principal de todos os mandamentos?” [Marcos 12:28]. Se a pergunta é profunda, muito provavelmente o diálogo que dela emergirá será igualmente profundo. Este é o caso do diálogo entre Jesus e aquele escriba, conforme podemos observar na narrativa apresentada pelo evangelista Marcos.

Em Sua resposta, Jesus aprofunda o discurso para apontar, não apenas um mandamento, mais dois mandamentos: O principal: Amar o Senhor Deus, de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e de toda a força [Marcos 12:29-30]; e O segundo: Amar o próximo como a si mesmo [Marcos 12:31].

Jesus afirma que não “há outro mandamento maior do que estes” [Marcos 12:31]. O escriba, por sua vez, seguindo o aprofundamento proposto por Jesus, afirma que estes dois mandamentos excedem “a todos os holocaustos e sacrifícios” [Marcos 12:33]. De fato, o amor para com Deus e o próximo está infinitamente além do que quaisquer dos rituais articulados pela religiosidade! Este diálogo foi finalizado com a afirmação de que as palavras do escriba revelaram sabedoria! Eis o modo como o evangelista Marcos destaca esta passagem: “Vendo Jesus que ele havia respondido sabiamente, declarou-lhe: Não estás longe do reino de Deus.” [Marcos 12:34]!

Que maravilha, pois quem faz uma pergunta profunda desfrutará de um diálogo profundo! Lembre-se: Perguntas profundas anunciam um diálogo profundo! E quando tais perguntas são dirigidas ao Soberano Senhor do Universo, Jesus Cristo, as respostas não serão apenas profundas, mas transformadoras!

A. M. Cunha

domingo, 30 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 11

Molha-se quem constrói pontes no mar. Com esta pequena frase tenho a intenção de apontar para o fato de que, a construção de uma ponte no mar requer que os construtores se molhem. O Evangelho Segundo Marcos, no seu capítulo 11, revela-nos um intrigante princípio espiritual acerca do perdão: Quem deseja obter perdão, deve tornar-se um perdoador! Assim como se molha quem constrói uma ponte no mar, assim também, quem deseja receber perdão, deve tornar-se um perdoador! Observemos as palavras do Senhor Jesus sobre este tema: “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.” [Marcos 11:25].

Alguém já disse, talvez se inspirando em William Shakespeare, que “não perdoar é como tomar veneno e esperar que o outro morra”. Jesus foi enfático ao afirmar: “se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [...], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” [Mateus 6:14-15]. Aquele que deseja ser perdoado deve molhar-se no mar dos perdoares, pois perdoar constrói pontes no mar da vida para aquele que necessita ser perdoado!

A. M. Cunha

segunda-feira, 24 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 10

Falar, ouvir e ver são três importantes faculdades que Deus nos concedeu e que nos conectam com o mundo à nossa volta. O capítulo 10 do Evangelho Segundo Marcos conta-nos a história de um homem. Pouco se diz a seu respeito, apenas que era mendigo, cujo nome era Bartimeu, filho de Timeu e cego, portanto, desprovido de uma das três faculdades acima mencionadas. O texto sugere que aquele cego estava assentado à beira do caminho, empreendendo sua luta diária pela sobrevivência!

Quando Jesus saía de Jericó, aquele cego fez uso das outras duas faculdades que possuía, falar e ouvir, de modo que a falta da visão não o impediria de ter um poderoso encontro com Jesus Cristo! Primeiramente, ele “ouviu” que era Jesus que estava passando por aquele caminho e depois, usando a fala, “pôs-se a clamar: Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” [Marcos 10:47]. Concluímos, portanto, que Bartimeu agarrou-se às faculdades que possuía [ouvir e falar], com o objetivo de, uma vez tendo se encontrado com Jesus, recuperar a faculdade que não possuía [a visão]!

Obstáculos, no entanto, sempre surgem quando usamos o que temos para conquistar o que não temos! Não foi diferente com Bartimeu, que teve que enfrentar a repreensão de muitos que pediram que ele se calasse [Marcos 10:48]. Ele, no entanto, “cada vez gritava mais: Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” [Marcos 10:48].

Qual não deve ter sido sua alegria quando ouviu: “Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.” [Marcos 10:49]? Encontros eternos e maravilhosamente transformadores aguardam aqueles a quem Jesus chama! A narrativa histórica de Bartimeu foi assim concluída: “E imediatamente tornou a ver e seguia a Jesus estrada fora.” [Marcos 10:52]!

A. M. Cunha

domingo, 16 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 9

No exato momento em que escrevia esta breve meditação nas Escrituras, o sol entrava sorrateiramente na minha sala. Há pouco menos de duas horas, no entanto, antes da minha meditação matinal, nesta mesma sala, o sol não irradiava a sua luz. O ambiente estava tomado pela escuridão. A escuridão de outrora fora, então, substituída pela luz matinal.

A vida é repleta destes momentos em que os opostos se encontram: alegria e tristeza, saúde e doença, riqueza e pobreza, entre tantos outros. Até mesmo no ambiente da espiritualidade estes opostos podem ocorrer. O capítulo 9 do Evangelho Segundo Marcos apresenta um destes encontros, quando um pai, aflito com seu filho possesso por um espírito mudo, procura Jesus. Tomado por cruéis angústias, aquele pai disse a Jesus: “Roguei a teus discípulos que o expelissem, e eles não puderam.” [Marcos 9:18].

Após fazer um breve relato sobre o tempo e as condições suportadas pelo jovem desde a sua possessão, o aflito pai dirigiu a Jesus as seguintes palavras: “se tu podes alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos.” [Marcos 9:22]. Em resposta, Jesus lhe disse: “Se podes! Tudo é possível ao que crê.” [Marcos 9:23]. Foi exatamente nesse ponto que o Pai exclamou, em lágrimas: “Eu creio! Ajuda-me na minha falta de fé!” [Marcos 9:24]. É como se ele tivesse dito: “Eu creio, mas não o bastante”!

Nós somos, muitas vezes, iguais àquele pai, pois a nossa existência também sofre o impacto da descoberta de que “cremos, mas não o bastante”! Eis o paradoxo: Promover uma declaração de fé, desprovida de fé! Calma, é confuso mesmo! É paradoxo, é luz e trevas, é dia e noite! Somos assim mesmo!

Esta porção da Escritura revela que os nossos lábios lamentavelmente podem declarar uma fé que não possuímos! Contudo, o Nosso Amado Salvador, amavelmente revelará a nossa incredulidade, não com o propósito de nos envergonhar, mas com a amável intenção de revelar que, por sermos tão frágeis, somente triunfaremos se reconhecermos que somos dependente Dele, até mesmo para termos fé! Esse importante reconhecimento de nossa parte, abrirá os nossos olhos para percebermos que podemos nos achegar a Cristo e clamar: Ajuda-nos em nossa falta de fé! O glorioso Cristo, pleno em compreensão, ternura e amor há de nos socorrer. Somente assim, com um coração cheio de fé poderemos triunfar diante das adversidades da vida!

A. M. Cunha

domingo, 9 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 8

Uma das características dos milagres realizados por Jesus era o fato de serem instantâneos! Os enfermos que Dele se aproximavam ou que a Ele haviam sido trazidos, experimentavam uma cura instantânea que invariavelmente ocorria, ou por uma Palavra dita por Cristo, ou por um toque realizado por Ele, ou, por vezes, a cura ocorria quando os enfermos Nele tocavam! Quanto a estas curas instantâneas, o Evangelho Segundo Marcos oferece alguns exemplos, tais como: “No mesmo instante, lhe desapareceu a lepra, e ficou limpo” [Marcos 1:42], ou outro exemplo e “Então, ele se levantou e, no mesmo instante, tomando o leito, retirou-se à vista de todos” [Marcos 2:12].

O capítulo 8 desse maravilhoso Evangelho, no entanto, apresenta a narrativa de um milagre singular! Um cego foi apresentado a Jesus em Betsaida. O texto bíblico apresenta a seguinte narrativa: “Então, chegaram a Betsaida; e lhe trouxeram um cego, rogando-lhe que o tocasse. Jesus, tomando o cego pela mão, levou-o para fora da aldeia e, aplicando-lhe saliva aos olhos e impondo-lhe as mãos, perguntou-lhe: Vês alguma coisa?” [Marcos 8:22-23].

A resposta oferecida por aquele cego à pergunta que Jesus lhe fizera foi, aos nossos olhos, espontânea, inesperada e incomum! Ele disse: “Vejo os homens, porque como árvores os vejo, andando” [Marcos 8:24]! Sem dúvida aquele homem estava vendo! No entanto, sua visão não estava perfeita, pois os homens não são como árvores e as árvores não andam! Diante desses fatos, o texto bíblico nos diz que Jesus adotou a seguinte atitude: “Então, novamente lhe pôs as mãos nos olhos” [Marcos 8:25]. Somente após esse “segundo toque” é que o texto bíblico afirmou: “e ele, passando a ver claramente, ficou restabelecido” [Marcos 8:25]!

Por mais que possa inicialmente parecer estranho aos nossos olhos, esse milagre oferece uma singular lição para cada um de nós! Cristo sempre oferecerá para nós a oportunidade de recebermos um segundo toque de Suas maravilhosas mãos! Se, porventura, não formos completamente abençoados em decorrência do primeiro toque de Cristo em nossas vidas, será crucial que não usemos essa situação para começarmos a murmurar contra Ele! Diante de uma situação tão inusitada como essa, nossa melhor atitude será abrirmos os nossos olhos para percebermos que tal situação é, antes de tudo, um convite para que clamemos por um segundo toque do Senhor em nossa vida! Portanto, é muito importante que saibamos que Jesus sempre estará disposto a realizar um segundo toque em nossas vidas!

A. M. Cunha

domingo, 2 de outubro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 7

O que pode contaminar o homem? O capítulo 7 do Evangelho Segundo Marcos oferece-nos uma resposta muito interessante, pois Jesus afirma em Marcos 7:15, que nada “há fora do homem que, entrando nele, o possa contaminar”! Obviamente Jesus não estava falando em termos fisiológicos, pois sabemos, evidentemente, que o homem pode ser contaminado quando microrganismos [bactérias, fungos, leveduras, vírus, entre outros], entram em contato com seu organismo.

A contaminação anunciada por Jesus, contudo, não é aquela decorrente do que entra no homem, mas a que é decorrente daquilo que sai do homem, pois, de acordo com Jesus, o “que sai do homem, isso é o que o contamina” [Marcos 7:20]. Para que não restem dúvidas sobre o que contamina o homem, Jesus oferece o seguinte diagnóstico: “O que sai do homem é que o torna impuro. Pois do interior do coração dos homens vêm os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios, os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a devassidão, a inveja, a calúnia, a arrogância e a insensatez. Todos esses males vêm de dentro e tornam o homem impuro.[Marcos 7:20-23]!

Tal diagnóstico parece ser implacavelmente a sentença final de todo homem. Porém, as Sagradas Escrituras fazem ecoar a Sua potente voz para anunciar uma gloriosa promessa: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra” [Ezequiel 36:26]! Nada pode conceder uma transformação tão radical; senão, um profundo encontro com Deus, conforme nos diz a Escritura: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” [Jeremias 29:13]! Busquemos, pois, a Deus, pois somente Nele será possível receber um novo coração!

A. M. Cunha