segunda-feira, 21 de setembro de 2009

A EVOLUÇÃO DE UMA VIDA


Esta mensagem foi liberada pelo autor deste blog no dia 20 de setembro de 2009, na SGAS Quadra 915.


TEXTO: Gênesis 45.4-10 e 25-46.1-5.

TEMA: A EVOLUÇÃO DE UMA VIDA


“Disse José a seus irmãos: Agora, chegai-vos a mim. E chegaram-se. Então, disse: Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito. Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós. Porque já houve dois anos de fome na terra, e ainda restam cinco anos em que não haverá lavoura nem colheita. Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito. Apressai-vos, subi a meu pai e dizei-lhe: Assim manda dizer teu filho José: Deus me pôs por senhor em toda terra do Egito; desce a mim, não te demores. Habitarás na terra de Gósen e estarás perto de mim, tu, teus filhos, os filhos de teus filhos, os teus rebanhos, o teu gado e tudo quanto tens.” [Gênesis 45:4-10]


“Então, subiram do Egito, e vieram à terra de Canaã, a Jacó, seu pai, e lhe disseram: José ainda vive e é governador de toda a terra do Egito. Com isto, o coração lhe ficou como sem palpitar, porque não lhes deu crédito. Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras que José lhes falara, e vendo Jacó, seu pai, os carros que José enviara para levá-lo, reviveu-se-lhe o espírito. E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; irei e o verei antes que eu morra.” [Gênesis 45:25-28]


“Partiu, pois, Israel com tudo o que possuía, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai. Falou Deus a Israel em visões, de noite, e disse: Jacó! Jacó! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o Egito, porque lá eu farei de ti uma grande nação. Eu descerei contigo para o Egito e te farei tornar a subir, certamente. A mão de José fechará os teus olhos. Então, se levantou Jacó de Berseba; e os filhos de Israel levaram Jacó, seu pai, e seus filhinhos, e as suas mulheres nos carros que Faraó enviara para o levar.” [Gênesis 46:1-5]


INTRODUÇÃO: Domingo passado falamos sobre a renovação de uma vida. Nosso fundamento foi a vida de Moisés. Hoje falaremos sobre a evolução de uma vida. Nosso fundamento será a vida de Jacó.


A história de Jacó está associada ao uso de, pelo menos, três nomes:


1. O PRIMEIRO NOME está registrado em Gênesis 25.26 – Este foi o nome dado a Jacó quando do seu nascimento.


2. O SEGUNDO NOME está registrado em Gênesis 27.18-19 – Este foi o nome utilizado por Jacó quando ele enganou o seu pai por ocasião da bênção que Isaque daria a Esaú. Jacó, aproveitando-se da deficiência visual de seu pai, disse que era Esaú. Dessa forma, ele obteve a bênção proferida por Isaque.


3. O TERCEIRO NOME está registrado em Gênesis 32.24-28 – Após o encontro seu com Deus, no vau de Jaboque, Jacó recebeu um novo nome: Israel.


Outra importante curiosidade com relação à vida de Jacó está registrada em Gênesis 27.19-36 e em Gênesis 37.31-33. De acordo com estes textos, Jacó enganou seu pai usando as vestes do seu irmão e uma cabra morta. Posteriormente, o próprio Jacó seria enganado por seus filhos que lhe apresentam as vestes de José e o sangue de um cabrito morto.


Ditas estas coisas iniciais, entremos na vida de Jacó – um dos personagens bíblicos que experimentou uma grande evolução em sua vida. Inicialmente enfocaremos a divisão na vida de Jacó.


A DIVISÃO DA VIDA DE JACÓ


A vida de Jacó pode ser dividida em três períodos distintos.


Um período em que ele praticara trapaças

Um período em que suportara trapaças

Um período de grande despojamento


Ao final de cada período Jacó evolui em sua vida aprendendo novos valores espirituais


PRIMEIRO PERÍODO: TRAPAÇAS E ENGANOS PRODUZIDOS POR ELE.


a) Lutava com o irmão desde o ventre da mãe (Gn. 25:22);

b) Provocava desavenças entre os seus pais (Gn. 25:27-28);

c) Aproveitava a fragilidade de seu irmão para levar vantagem (Gn. 25:30-31);

d) Enganou o pai para obter uma bênção (Gn. 27:23);

e) Tornou-se um fugitivo pois seu irmão Esaú passou ter o desejo mortal de matá-lo (Gn. 27:41).


Como podemos ver, neste primeiro período de vida, Jacó era um homem extremamente aprisionado às coisas materiais. Sua vida era a terra. Jacó era um homem rasteiro. Ao final deste período, Jacó tornou-se um fugitivo. Nesta época Jacó morava em Berseba. É sempre assim amados irmãos. Quando nos apegamos às coisas terrenas, tornamo-nos fugitivos. No entanto, durante esta fuga, Jacó, deixando para trás a cidade de Berseba, experimentou um poderoso encontro com Deus em Betel. Como consequência deste encontro, Jacó aprendeu uma importante lição:


A PRIMEIRA LIÇÃO APRENDIDA: JACÓ APRENDE A SONHAR COM O CÉU – Gênesis 28.12-17


“E sonhou: Eis posta na terra uma escada cujo topo atingia o céu; e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. Perto dele estava o Senhor e lhe disse: Eu sou o Senhor, Deus de Abraão, teu pai, e Deus de Isaque. A terra em que agora estás deitado, eu ta darei, a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; estender-te-ás para o Ocidente e para o Oriente, para o Norte e para o Sul. Em ti e na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra. Eis que eu estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei voltar a esta terra, porque te não desampararei, até cumprir eu aquilo que te hei referido. Despertado Jacó do seu sono, disse: Na verdade, o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia. E, temendo, disse: Quão temível é este lugar! É a Casa de Deus, a porta dos céus. “ [Gênesis 28:12-17]


SEGUNDO PERÍODO DE SUA VIDA: TRAPAÇAS E ENGANOS PRODUZIDOS POR SEU SOGRO.


a) trabalhou 7 anos por Raquel, mas casou-se com Lia (Gn. 29:18-20);

b) trabalhou mais 7 anos por Raquel (Gn. 29:27);

c) trabalhou para Labão por 6 anos numa sociedade profundamente desigual (Gn. 31:41);


Durante o período em que trabalhou para e com Labão, Jacó foi vítima das trapaças e enganos do seu sogro. Como podemos ver, nesse segundo período, Jacó já estava experimentando uma evolução em sua vida. Ele passou a trabalhar para conquistar o que era seu. Jacó não mais se utilizava de trapaças e enganos. No entanto, ele sofria com as trapaças de Labão, seu sogro. Ao final destes dias Jacó começou a retornar para a sua terra natal. Mas ele não fez isso como um fugitivo. Ele o fez obedecendo à ordem divina, pois Deus, em sonho falou com Jacó: “Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te agora, sai desta terra e volta para a terra de tua parentela.” [Gênesis 31.13]No entanto, Neste retorno, Jacó precisaria resolver um problema sério com seu irmão Esaú. E isto lhe causava temor. Conforme Gênesis 32.9-11, Jacó ora a Deus pedindo um livramento das mãos de Esaú: “E o Anjo de Deus me disse em sonho: Jacó! Eu respondi: Eis-me aqui! Ele continuou: Levanta agora os olhos e vê que todos os machos que cobrem o rebanho são listados, salpicados e malhados, porque vejo tudo o que Labão te está fazendo. Eu sou o Deus de Betel, onde ungiste uma coluna, onde me fizeste um voto; levanta-te agora, sai desta terra e volta para a terra de tua parentela.” [Gênesis 31:11-13].


Quando Jacó obedece à ordem de Deus e começa a retornar para a sua terra natal, ele tem um novo encontro com Deus, desta vez, no vau de Jaboque. Como conseqüência deste encontro com Deus, Jacó aprende mais uma importante lição:


A SEGUNDA LIÇÃO APRENDIDA: JACÓ APRENDE A SUPLICAR A BÊNÇÃO DE DEUS – Gênesis 32:26-31


“Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares. Perguntou-lhe, pois: Como te chamas? Ele respondeu: Jacó. Então, disse: Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. Tornou Jacó: Dize, rogo-te, como te chamas? Respondeu ele: Por que perguntas pelo meu nome? E o abençoou ali. Àquele lugar chamou Jacó Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva. Nasceu-lhe o sol, quando ele atravessava Peniel; e manquejava de uma coxa." [Gênesis 32:26-31]


TERCEIRO PERÍODO DE SUA VIDA: O GRANDE DESPOJAMENTO


a) perdeu sua mulher, Raquel (Gn. 35:16-20);

b) perdeu seu filho José (Gn. 37:31-35);

c) ameaça de perder seu filho Benjamim (Gn. 42:4 e 34);


Como podemos ver, neste terceiro período de vida, Jacó aprende a suportar o despojamento. Tudo o que lhe era mais caro começa a ser arrancado de suas mãos. Jacó fica só, tendo apenas Deus como único apego.


No entanto, ao final deste período, Jacó recebe a notícia de que seu filho José estava vivo. Ele parece esquecer-se de tudo o que aprendeu durante o período de despojamento. Então, Ele toma a seguinte decisão: “Basta; ainda vive meu filho José; irei e o verei antes que eu morra.” Seu filho é muito importante. Ele tem pressa! O tempo urge! Então ele decide correr para se encontrar com seu filho antes que morra. No entanto, Deus não é consultado. Seria da vontade de Deus retornar para o Egito? José seria tão importante para Jacó a ponto de fazê-lo correr para o Egito? Mas no caminho, o novo Jacó se revela. Ele então decide parar em Berseba. Berseba foi o lugar onde Jacó começou sua jornada como fugitivo. Berseba produz em Jacó as mais profundas lembranças com respeito à sua vida. Quando ele se recorda de tudo, ele decide oferecer um sacrifício ao Senhor. Amados, existem momentos em nossa vida em que devemos parar um pouco e oferecer sacrifícios ao Deus da nossa vida. Pois Ele nos dará o esclarecimento necessário para tomarmos decisões seguras. Jacó então aprendeu uma última lição nesta fase de evolução da sua vida.


A TERCEIRA LIÇÃO APRENDIDA: JACÓ APRENDE A SER GUIADO POR DEUS – Gênesis 45.25-46.4


“Então, subiram do Egito, e vieram à terra de Canaã, a Jacó, seu pai, e lhe disseram: José ainda vive e é governador de toda a terra do Egito. Com isto, o coração lhe ficou como sem palpitar, porque não lhes deu crédito. Porém, havendo-lhe eles contado todas as palavras que José lhes falara, e vendo Jacó, seu pai, os carros que José enviara para levá-lo, reviveu-se-lhe o espírito. E disse Israel: Basta; ainda vive meu filho José; irei e o verei antes que eu morra. Partiu, pois, Israel com tudo o que possuía, e veio a Berseba, e ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaque, seu pai. Falou Deus a Israel em visões, de noite, e disse: Jacó! Jacó! Ele respondeu: Eis-me aqui! Então, disse: Eu sou Deus, o Deus de teu pai; não temas descer para o Egito, porque lá eu farei de ti uma grande nação. Eu descerei contigo para o Egito e te farei tornar a subir, certamente. A mão de José fechará os teus olhos." [Gênesis 45:25-46:4]


Um fato muito importante na vida de Jacó merece destaque aqui. Quando ele encontrou-se com Esaú, Jacó foi alcançado pela bênção de Deus. Os irmãos se perdoaram e Jacó permaneceu vivo. Isto foi tão marcante em sua vida que Jacó, ao ver o semblante do seu irmão, expressou uma das mais importantes porções da Palavra de Deus: “Vi a sua face como se tivesse visto a face de Deus”!


VER A FACE DE DEUS NA VIDA DE NOSSOS IRMÃOS


Gênesis 33.10
A. M. Cunha

sábado, 29 de agosto de 2009

UMA VERSÃO DO SALMO 23

Esta versão do Salmo 23 foi extraída de uma série de 12 mensagens liberadas pelo autor em 2004, com o tema: "Vivendo a vida cristã". Nesta série de mensagens, o autor abordou assuntos muito importantes para a vida da igreja, tais como: mutualidade e apascentar, dando um enfoque especial acerca das marcas do genuímo apascentar.


UMA VERSÃO DO SALMO 23


“O Senhor apascenta a minha vida de várias maneiras; nada me falta. Ele me dá descanso quando me apego à Sua Palavra e vivo em comunhão com o Seu Espírito. Ele me justifica e me ensina a caminhar em retidão para glorificar o Seu nome. Ele está sempre presente comigo protegendo-me do mal, corrigindo-me quando erro e fazendo com que eu viva junto dos meus irmãos. Por isso não tenho medo quando enfrento momentos difíceis. Ele prepara um banquete onde eu sou convidado de honra e desfaz a vergonha que o inimigo preparou para mim. Ele me capacita para cumprir a minha missão no seu Reino, como profeta e sacerdote. Ele me faz marcar as pessoas que vivem ao meu redor com a vida que Ele colocou dentro de mim. É maravilhosa a forma com que o Senhor me apascenta! Tenho certeza de que a Sua bondade e a Sua misericórdia estarão sempre comigo! Por tudo isso, eu desejo ficar com Ele para sempre e jamais abandonar a Sua casa.”

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A ORAÇÃO DOS FILHOS


“Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém”.
Mateus 6.9-13

O texto de Mateus 6.9-13 tem sido conhecido com “A oração do Pai Nosso”. De acordo com Mateus 5.1, o Senhor Jesus subiu ao monte e, assentando-se, começou a ensinar os seus discípulos. A oração, conhecida como “O Pai Nosso”, encontra-se inserida neste contexto. Assim, melhor seria chamá-la de “A oração dos discípulos” ou, considerando que os discípulos são filhos de Deus, chamá-la de “A oração dos Filhos”. O Senhor Jesus ensina seus discípulos a orarem ao único Deus e Pai de todos (Efésios 4.6).

“A oração dos Filhos” encontra-se estruturada em duas partes principais: uma vinculada a Deus e a outra vinculada aos homens. Assim é a nossa vida: de um lado, somos peregrinos nesta terra - vinculados a Deus (Salmo 119.19) e de outro, somos luz do mundo e sal da terra - vinculados aos homens (Mateus 5.13-14).

Como peregrinos, sabendo que nossa pátria não é aqui e confessando que somos estrangeiros na terra, manifestamos nossa procura por uma pátria celestial (Hebreus 11.13-16). Como luz do mundo e sal da terra, vivemos neste mundo manifestando uma singular marca espiritual, qual seja, o bom perfume de Cristo (II Coríntios 2.14-16). Como peregrinos estamos vinculados a Deus e como luz do mundo e sal da terra, estamos vinculados aos homens.

Esta oração é a oração da nossa vida. Na parte em que estamos vinculados a Deus, “A Oração dos Filhos” apresenta três súplicas importantes: 1) Santificado seja o nome do Pai; 2) Venha o Reino do Pai; e 3) Prevaleça a vontade do Pai.

Na parte em que estamos vinculados aos homens, “A Oração dos Filhos” apresenta, igualmente, três súplicas: 1) Dá-nos o pão de cada dia; 2) Perdoa as nossas ofensas; e 3) não nos deixes cair em tentação. Nesta parte, a oração afasta a individualismo próprio da humanidade. Observe que não se ensina a pedir o pão para um, o perdão para um e a libertação da tentação para um. O pedido é plural, inclui outras pessoas. Na parte em que nos vincula aos homens, a oração nos libera do egoísmo, do individualismo e nos estimula a chorar com os que choram, a ter o mesmo sentimento uns para com os outros (Romanos 12.15-16).

A estrutura da “Oração dos Filhos” pode ser resumida na síntese que Jesus fez dos mandamentos: 1) “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.”, e 2) “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Marcos 12.28-34). “A Oração dos Filhos” é a oração do amor a Deus e ao próximo.

Que Deus nos ajude a incluir em nossas orações as petições voltadas para o Seu Reino e para os homens. Que sejamos livres que nos aprisionarmos nas orações egoístas e individualistas e que possamos contemplar o Reino de Deus e os destinatários deste Reino.

A. M. Cunha

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A RESSURREIÇÃO E AS SUAS EMOÇÕES

Este poema está baseado no texto do Evangelho de João 20:19-22, e retrata o momento em que Jesus, após a Sua ressurreição, aparece a alguns dos Seus apóstolos. Como autor do poema, coloquei-me como quem estivesse naquele recinto.


A RESSURREIÇÃO E AS SUAS EMOÇÕES  


Aquele dia era noite, havia um pranto incomum:

O meu Mestre enclausurado no sepulcro de um jardim.

E eu cá bem escondido, bem trancado e muito aflito,

prisioneiro do meu medo, algemado e em pavor.

No secreto desta casa, no cantinho aqui do nada,

ouço a voz que afugenta o coração da minha fé.

 

Este dia já se finda e a esperança já se vai,

foge sem nenhum remorso e abandona a minha fé.

Embora morno em minha crença, eis que surge em raio a luz.

Ela chega bem teimosa no aposento da aflição,

e em seu brilho a luz me encanta, com seu cheiro faz surgir

o perfume bem suave que reforça a minha fé.

 

Curioso e pela fresta, vejo a fonte dessa luz.

E com surpresa vejo a cena: o sol se cai sem medo algum!

Ele voa bem faceiro, em seu voo beija o pó.

Mas ainda encontra tempo pra dar cor ao horizonte,

num cenário colorido, antes de sumir no chão.

 

O sol, mas que estranho! Corre para a escuridão.

O ocaso, a penumbra, torna-se do sol a tumba.

Sem receio e sem temor, o sol se lança noite a dentro,

pois está certo e acredita que amanhã ressurgirá,

aguerrido e muito alegre com o seu brilho matinal.

 

Mas de repente um brilho surge, é luz maior, mais eternal.

Ela brota sorrateira no aposento bem fechado:

Sem a cruz e sem a tumba, é meu Cristo que aparece!

Fulgurante e majestoso é sol que beija o amanhecer.

Quem está fora só vê trevas, quem está dentro só vê luz!

 

O que está fora não me atrai, já não seduz meu coração.

Já não olho lá pra fora, pois aqui dentro é meu chão!

É paz que fica, é paz que chega de mãos dadas com a alegria,

enquanto a noite engole o sol, o meu Cristo aqui aflora.

Já não sou mais um prisioneiro do meu medo e do pavor.

E nesta casa bem fechada, sopra um vento sobre mim,

que consome os meus temores: É o sopro do Senhor!

 Arisvaldo M. Cunha

A. M. Cunha

 

 TEXTO BASE PARA O POEMA

 “Ao cair da tarde daquele dia o primeiro da semana trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco! E, dizendo isto, lhes mostrou as mãos e o lado. Alegraram-se, portanto, os discípulos ao verem o Senhor. Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.”

João 20:19-22

quinta-feira, 14 de maio de 2009

A PARABOLA DO BOM SAMARITANO


O ENCONTRO MAIS PODEROSO DA VIDA
Lucas 10.30-35

Mensagem liberada aos irmãos em 06/07/2003

Lendo e desfrutando do texto:
a) Lucas 10.30 – A decisão de ir para Jericó é uma descida
b) Lucas 10.30 – Um homem destruído porque desceu para Jericó
c) Lucas 10.33 – O mais poderoso encontro da vida
d) Lucas 10.34 – Um encontro para a cura das feridas
e) Lucas 10.34 – Um encontro que conduz à hospedaria: Uma figura da igreja
f) Lucas 10.35 – O tratamento do dia seguinte

O texto que lemos fala de (02) duas cidades. Estas duas cidades sempre estarão diante de nós. Jerusalém era o centro da religiosidade da época, por isso, representa uma vida de comunhão com Deus (adoração, serviço, entrega, comunhão, etc.). Jericó, conforme Js 6:26, estava debaixo de maldição, por isso, representa uma vida afastada do Senhor (frieza, rebeldia, desobediência, divisão, contendas, etc.). Este texto possui (03) três seções, cada uma revelando uma poderosa lição para a nossa vida espiritual. Quais são as lições que podemos extrair destas (03) três seções?

I) O PERIGO DE ABANDONAR O LUGAR ADEQUADO (Lc 10:30-32) – “Certo homem descia de Jerusalém para Jericó”.

Aquele homem deixou Jerusalém e foi para Jericó. Esta trajetória é chamada pela Bíblia de “descida”. Ir para Jericó nunca é uma subida. Este caminho de descida levou aquele homem a se encontrar com SALTEADORES. Quais foram as conseqüências deste encontro com os salteadores (Lc 10:30)? a) A riqueza daquele homem foi roubada; b) O vigor daquele homem foi roubado; c) Aquele homem foi abandonado (é o sentimento de solidão que invade a vida daqueles que descem para Jericó). Aquele homem, antes, andava, agora, não anda mais. QUE DESTRUIÇÃO! Aquele homem foi abandonado pela religião. QUE SOFRIMENTO! Tudo isso em conseqüência de uma decisão errada. Não devemos abandonar o lugar adequado.

PARA PENSAR: Não abandonemos o lugar adequado. Jerusalém é um lugar para permanecermos.

II) O MAIS PODEROSO ENCONTRO DA VIDA (Lc 10:33-34) – “Certo samaritano, vendo-o, compadeceu-se dele” .

Qual era o quadro da vida daquele homem? Abandonado, ferido, sem riqueza, solitário. Isto tudo aponta para MORTE. Este homem tinha apenas um destino em sua vida: A MORTE.
O versículo 33 é maravilhoso! Este versículo revela o seguinte: UMA PODEROSA MUDANÇA NA VIDA DAQUELE HOMEM! É possível mudar? Sim! Jesus é o mais poderoso encontro da vida! Aleluia! Este encontro mudou a vida daquele homem! Quais foram as conseqüências deste poderoso encontro?

a) O tratamento dos ferimentos;

b) O subjugar da vontade (Aquele homem chegou até ali com a sua própria força. Mas agora, como ele estava saindo dali? Ele foi conduzido pela vontade do samaritano – O que isto revela? Revela que ele teve a sua vontade subjugada – Deixa o Senhor subjugar a sua vontade).

c) O preparo de um local (Aquele homem foi conduzido para uma hospedaria, um lugar especial de cura: a Igreja.

PARA PRATICAR: O Senhor Jesus é o mais poderoso encontro da vida! Encontre-se com Ele todos os dias.

III) O TRATAMENTO DO DIA SEGUINTE (Lc 10:35) – “entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem”.

O bom samaritano não abandonou aquele homem. Jesus não abandona você! Ele cuida de você! Trata as feridas! Governa a sua vontade! Prepara um local para você! Ouça: Ele não apenas prepara um lugar - Ele prepara pessoas para cuidarem de você. O que envolve este tratamento do dia seguinte:

a) Uma pessoa para cuidar daquele homem – é seu direito ser cuidado! Você foi roubado? Abandonado? Ferido? Então, eu tenho uma boa notícia para você: é seu direito ser cuidado! Você pode se aproximar de seu irmão e dizer: “Meu irmão, você é pago para cuidar de mim. Então, eu me aproximo de ti para ser cuidado, amparado, protegido. Na hospedaria não pode haver a DOR PERSISTENTE. Quando estiver doendo, grite, suplique, peça. O Senhor tem hospedeiros para cuidar de você! Aleluia!;

b) O hospedeiro foi pago – Você é pago com pagamento celestial, então, cuide de seu irmão! Dois denários são suficientes para o pagamento de dois dias de trabalho. Aquele homem foi cuidado pelo samaritano por (01) um dia e pelo hospedeiro, por (02) dois dias. Total: (03) Três dias. Três é o número da ressurreição (Jesus ressuscitou ao terceiro dia). Este é o salário da ressurreição. O que é ressurreição? É a vitória sobre a morte! Amém! Somos pagos para vencermos a morte na vida de nosso irmão!

ORAÇÃO: Senhor, ajuda-me a cumprir a minha função para o tratamento do dia seguinte. Desejo vencer a morte na vida de meus irmãos! Desejo viver uma vida de ressurreição juntamente com meus irmãos! Amém

Amém.

A. M. Cunha

sábado, 25 de abril de 2009

A JANELA



Poema do autor deste blog publicado no livro Poetas Brasileiros de Hoje 1984, ed. Shogum Arte, p. 38.

Imagine os passos que se pode dar através de uma janela. A mente nos confere a doce liberdade de percorrer caminhos anteriormente inexplorados. As pessoas têm o direito de imaginar sua janela: o amor, a paz, um olhar, uma atitude ... Para mim, esta janela tem apenas um significado. Por ela romperei as barreiras da morte e saltarei para a vida eterna. Esta janela é Cristo Jesus!

A JANELA

Por esta janela
vou através dos anos
e me vejo no passado
tudo parece mudado
tudo o que passamos.
Vejo as mágoas que passaram
os espinhos firmes-pobreza
todos os fatos passaram.

Por esta janela
vou pelos anos sereno
e me vejo no futuro
tudo parece maduro
tudo o que seremos.
Vejo alegrias na mão
o botão brotando-esperança
tudo alegre-criança
todos os fatos virão.


A. M. Cunha

segunda-feira, 13 de abril de 2009

DESENVOLVENDO A NOSSA SALVAÇÃO

TEXTO: Filipenses 2:12-16
TEMA: DESENVOLVENDO A NOSSA SALVAÇÃO
INTRODUÇÃO: O Tema proposto possui 03 (três) pontos básicos:

I - CONTINUIDADE: “desenvolvendo” – Esta expressão transmite a idéia de processo. Revela-nos uma ação contínua, ininterrupta, etc;
II - COLETIVIDADE: “nossa salvação” – Esta expressão transmite a idéia de corpo. Veja que o conteúdo revelado pressupõe um grupo de pessoas e não apenas um indivíduo. Neste expressão, temos a revelação de que a salvação é vista dentro de um contexto coletivo. Não se pode restringir o seu alcance, apenas, ao aspecto individual. O Alvo revelado aqui não é o indivíduo e sim o corpo de Cristo;
III - REVISÃO DE CONCEITOS: “desenvolvendo a salvação” – O tema em si, aponta a necessidade de revisão de conceitos. Por quê? Pelo simples fato de que somos tendentes a perceber a salvação como uma situação definida na vida do cristão. É como se pensássemos o seguinte: Entreguei a minha vida a Jesus e Ele completou a Sua obra em minha vida. Tenho a plenitude da Salvação em minha vida. É neste sentido que precisamos rever conceitos.

À vista destes três pontos básicos, o tema faz convergir o conteúdo da mensagem para o seguinte ponto central

O HOMEM É UM SER TRIPARTIDO: POSSUI ESPÍRITO, ALMA E CORPO. I Ts 5:23

Segundo a Palavra de Deus, o homem foi criado à imagem, conforme a semelhança de Deus. Deus mesmo formou o homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida (Gn2:7). Após este sopro, o homem passou a ser alma vivente. O pecado trouxe prejuízo às três partes do homem. O seu espírito perdeu o contato com Deus, a sua alma rebelou-se contra Deus e tornou-se continuamente má (Gn 6:3 e 5) e o seu corpo, criado para ser o templo do Espírito de Deus, transformou-se num agente do pecado.

O SENHOR JESUS VEIO A MUNDO PARA REALIZAR O CONSERTO, OU SEJA, RESTAURAR O HOMEM À SUA POSIÇÃO ORIGINAL.


Neste sentido, a salvação não é meramente destinada à alma. Este é o propósito desta mensagem: mostrar os três aspectos da salvação. Em linhas gerais: o espírito, a alma e o corpo precisam ser salvos.
Vejamos o texto de I Coríntios 13:13:
“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. Que relação estes textos têm com a salvação? Vejamos o seguinte quadro compartivo:


PARTE DO HOMEM - NOME DO PROCESSO - INSTRUMENTO DO PROCESSO
ESPÍRITO REGENERAÇÃO FÉ

ALMA TRANSFORMAÇÃO AMOR

CORPO EXALTAÇÃO ESPERANÇA

SALVAÇÃO DO ESPÍRITO – REGENERAÇÃO - FÉ


A salvação do espírito se dá com a regeneração = gerar de novo. (Jo 3:3)
OS ELEMENTOS DA REGENERAÇÃO
I - ARREPENDIMENTO (mudança de mente): (At 2:37, 38 e Mt 4:17). Pedro é um exemplo de arrependimento: Pecado grave (Mt 10:33) - Mt 26:34,70, 72 e 74. A mudança tornou-se visível não no choro (Mt 26:75), mas numa Palavra específica de Deus direcionada a Pedro - (Mc 16:7)
II - CRER: (Jo 3:16, 36);
III - REDENÇÃO: (Adquirir de novo) (Ef 1:7);
IV - PERDÃO DE PECADOS: (Remissão) (At 10:43);
V - RECONCILIAÇÃO: (Rm 5:10).
Com o Espírito em salvação podemos clamar “ABA PAI” (Rm 8:15 e 16)
Ressurge a capacidade de falar com o Pai. Isto é profundamente glorioso! Aleluia, podemos entrar em contato com o nosso Pai. Fomos transportados da terra onde desejamos a comida dos porcos para a terra onde nos deleitamos com os manjares celestiais. Isto é uma profunda comunhão com o nosso Pai. Isto é nascer de novo!
Como se alcança o nascer de novo? Mediante a fé (Efésios 2:8). No reino espiritual crer é igual a receber (João 1:12).

SALVAÇÃO DO CORPO – EXALTAÇÃO - ESPERANÇA

Sofremos no corpo as conseqüências do pecado. Não me refiro aqui a pecado pessoal, e sim à presença do pecado no mundo, pois com o pecado veio a morte e todos morrem, por isso todos pecaram (Romanos 5:12). Esta é a mancha que carregamos no corpo, em função do pecado: é o desgaste da vida; é a corruptibilidade do corpo. Mas temos um garantia na Palavra do Senhor (Rm 8:11; 17-18). A Palavra nos garante que o nosso corpo há se revestir da incorruptibilidade e da imortalidade. Quando isto acontecer, a morte haverá sido tragada pela vitória (I Coríntios 15:54). A morte e tudo o que dela advém será tragada pela vitória (vida). Assim, o nosso corpo, quando do regresso de Cristo há de ser salvo. Esta é a salvação do corpo. Esperamos esse dia. Neste dia, ocorrerá a EXALTAÇÃO, o nosso corpo será alcançado pela salvação do Senhor (I Coríntios 15:50-54 e I Tessalonicenses 4:13, 16 - 18)

SALVAÇÃO DA ALMA – TRANSFORMAÇÃO - AMOR

É sobre esta salvação que Paulo fala em Fp 2:15. Essa é a nossa salvação, é a salvação coletiva (Mt 16:25).
A nossa alma está manchada por muita coisa: nossas opiniões, conceitos, tradições, autoconfiança, ambições, sentimentos ruins, torpe cobiça, etc. Necessitamos da salvação da nossa alma.
COMO ISTO SE PROCESSA?
I - Com a continuidade: a vida toda;
II - Com a coletividade: ajuda entre os irmãos, tutela espiritual. A tutela espiritual é o preservar da vida dos nossos irmãos, como fez a mãe de Moisés quando o ocultou de Faraó e construiu um cesto para preservar a sua vida (Êxodo 2:2-3). O contrário disso, a revolta de Caim (Gn 4:9), resultará na morte de nosso irmão.


O QUE PRECISA EXISTIR EM NÓS PARA DESENVOLVERMOS A SALVAÇÃO DE NOSSA ALMA?


O texto de Filipenses 2, nos revela isso:
I – Exortação (conforto) em Cristo (v. 1)
II - Consolação de amor (v. 1)
III - Comunhão no Espírito (v. 1)
IV - Entranháveis afetos e misericórdias (compaixão) (v. 1)
V – Vida de unidade (v. 2): Neste versículo Paulo fala de completar o gozo. Devemos completar o gozo uns dos outros. É nos dito para sentir a mesma coisa. Somos exortados a vivermos o mesmo amor. O amor não pode ser outro, senão o amor de Deus. Devemos conviver com o mesmo ânimo.
VI – Viver motivados pela humildade (v. 3): Os nossos atos devem ser fundamentados na humildade. Devemos nos afastar das contendas e da vanglória. O que é vanglória? Lançando mão de um jogo de palavras, podemos concluir que vanglória é uma glória vã. Toda a glória que buscamos para nós é vã. Não tem valor. Toda a glória deve ser direcionada ao Senhor. A Ele toda a Glória para todo o sempre, amém! A nossa vida deve ser marcada pela submissão aos irmãos, para isso, devemos considerar os outros superiores a nós. Isto é tomar a tolha para lavar os pés dos irmãos. Nosso Senhor fez isso, devemos fazer o mesmo.
VII – Visar o bem de todos (v. 4): Somos motivados a objetivar, também, o que é dos outros. É a vida corporativa da igreja.
VIII - O Hino de Cristo (v. 5-11): Este hino precisa estar em nossa vida. Precisamos vivê-lo intensamente em nós. Esta é a experiência do Cristo crucificado (v. 6-8): Precisamos permitir a nossa condução à cruz para morrermos. Esta é, também, a experiência do Cristo exaltado (v. 9-11): Devemos viver em novidade de vida, uma vida de ressurreição, e isto acontece mediante a Glória e o Poder do Pai em nossa vida (Romanos 6:4). O Hino de Cristo nos fala de morte e vida. Como nos disse o irmão C. A. Fox: “A igreja necessita de duas coisas: mais morte e mais vida. Mais morte a fim de viver e mais vida para que possa morrer.”
VI – Preservação da (retendo a) Palavra da Vida (v. 16): A Palavra do Senhor é uma palavra de vida.
Esta maneira de viver pode ser sintetizada numa única palavra: AMOR. Quando a igreja viver plenamente na dimensão do amor, haverá a salvação da alma: A morte do “EU” para que Cristo reine em nós. Isto é transformação.
Vivendo nesta dimensão, alcançaremos o propósito de Deus para nós, conforme mencionado pelo ir. Paulo em Romanos 8:29:
a) Ter uma família;
b) De muitos filhos;
c) Semelhantes a Jesus.
“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.”
Romanos 8:29