O
capítulo 2 do Evangelho Segundo João apresenta a narrativa do primeiro milagre
que Jesus realizou. Nesse Evangelho, os milagres de Jesus são chamados de
sinais. É necessário que eu faça um importante destaque quanto ao propósito dos
sinais realizados por Jesus. Todo milagre divino é composto por, pelo menos,
três elementos:
[1]
A situação, a circunstância ou o problema que é solucionado pelo milagre;
[2]
Aquele que é o destinatário do milagre; e, por fim,
[3]
Aquele que realiza o milagre.
Por
mais que pensemos que nós, como destinatários, sejamos o foco do milagre, ou
ainda, por mais que pensemos que a mera transformação da situação,
circunstância ou problema que nos assolava seja o destino último das ações de
Jesus em nosso favor, a Bíblia nos dá conta de que os milagres não possuem este
propósito. O próprio evangelista é bem direto quando esclarece o propósito dos milagres
realizados por Jesus. Ele diz o seguinte: “Na verdade, fez Jesus diante dos
discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes,
porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de
Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” [João 20:30].
Embora
os milagres realizados por Jesus possuam, como afirmamos acima, pelo menos três
elementos, apenas um deles pode ser definido como o propósito dos milagres, ou
seja, os milagres apontam para Aquele que os realiza: Jesus Cristo! Os milagres
destinam-se a fazer com que creiamos em Jesus como o Cristo e, consequente,
tenhamos vida em Seu nome!
É
muito significativo, contudo, que o primeiro sinal realizado pelo Senhor Jesus
tenha ocorrido na Galileia. O profeta Isaías afirmou que a Galileia seria
conhecida como “Galileia dos Gentios”,
“povo que andava em trevas” e “região da sombra da morte” [Isaías 9.1-2]. A Galileia era,
portanto, uma região de abundante pecado! Porém, as Escrituras lançam um brilho
de esperança quanto a isso, pois, nas palavras do apóstolo Paulo, “onde abundou o pecado, superabundou a
graça” [Romanos 5.20].
No
capítulo 1º, Jesus foi apresentado como uma luz – única, universal e vencedora
–, cujo brilho resplandeceu com uma fulgurante intensidade, de modo que “as trevas não prevaleceram contra ela”
[João 1.5]. A respeito do povo da Galileia o profeta Isaías disse: “O povo
que andava em trevas viu grande luz” [Isaías 9:2]. Jesus não poderia ter
escolhido um lugar melhor para realizar o Seu primeiro milagre! A Galileia,
sendo a “região da sombra da morte”, cujo “povo que
andava em trevas”, era, não apenas um lugar físico, mas uma
esplêndida representação deste “mundo tenebroso”. Sim, nós vivemos na “região da sombra da morte” e fomos contados como o “povo que
andava em trevas”, mas Jesus é “a
verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” [João 1:9]. Louvado seja Deus, pois Jesus “habitou
entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória” [João 1:14].
O
apóstolo João nos diz que Jesus, “em Caná
da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” [João
2.11]. No capítulo 1º desse evangelho nós fomos apresentados ao primeiro
princípio: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo
era Deus” [João 1:1] E quanto a este primeiro princípio, Jesus foi exaltado
sobremaneira, pois a Seu respeito se diz: “Todas as coisas foram feitas por
intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” [João 1:3]. No
capítulo 2, no entanto, nós somos apresentados a um novo princípio – o
princípio dos sinais realizados pelo Senhor Jesus, por isso se diz: “Com este, deu Jesus princípio a seus
sinais” [João 2:11].
Vejamos
um pouco sobre este primeiro “sinal” realizado por Cristo – Nele “a água foi transformada em vinho”. Aquela
água, por ter adquirido uma nova natureza, foi, por conseguinte, transformada
em vinho! A água possui uma natureza e o vinho, outra. Para que a natureza da
água fosse transformada noutra natureza, foi necessária a ação de um poder
superior, um poder capaz de penetrar nos seus minúsculos componentes,
imprimir-lhes uma poderosa ação modificadora, e, desta forma, transformá-la
noutra substância, o vinho!
Todo
aquele que experimentou o novo nascimento, foi transformado da água para vinho!
Este é o primeiro e o mais glorioso sinal que Cristo realiza na vida daquele
que vivia na “região da sombra da morte”, o novo nascimento!
Quando
Cristo realizou seu primeiro “sinal” na vida daquele que nasceu de novo, essa
pessoa foi submetida a um poder superior que exerceu sobre si uma maravilhosa
ação modificadora, que por fim, o transformou numa nova criatura! Isso se deu
porque Cristo concedeu-lhe uma nova natureza. Nas palavras do apóstolo Paulo
esse milagre é assim descrito: “se alguém está em Cristo, é nova criatura;
as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” [1 Coríntios 5.17].
De acordo com Romanos 6:22, fomos libertados do pecado e transformados em
servos de Deus. Essa gloriosa transformação encheu-nos de vida, a vida que,
conforme João 1:4, é “a luz dos homens”!
Um
grande abraço a todos.
Deus
os abençoe!
A.
M. Cunha