segunda-feira, 14 de junho de 2021

A Casa sem Portas

“Ora, a fé é [...] a convicção de fatos que se não veem.”

Hebreus 11:1

 

Nesta madrugada eu acordei pensando numa casa sem portas. Se existisse uma casa assim, os de dentro não poderiam sair e os de fora, não poderiam entrar.

Sendo assim, as paredes seriam verdadeiros obstáculos para a entrada e a saída das pessoas. Mas o que seriam as portas caso elas existissem nessa casa imaginária? Elas seriam oportunidades para a entrada e para a saída das pessoas!

O que mais me intrigou nesta imagem foi o fato de que as portas são instaladas exatamente nas paredes. Não existem portas fora delas. Elas só existem lá, nas paredes!

Como afirmei, as paredes são obstáculos e as portas são oportunidades! Ouçamos cuidadosamente a seguinte frase: As portas são instaladas exatamente nas paredes! Olhemos para a nossa vida. Vivemos numa grande casa, cheia de “paredes”, cheia de “obstáculos”. Mas a vida tem também suas “portas”, que são as inúmeras oportunidades que nos são oferecidas.

Qual é o grande desafio da vida? Devemos olhar para as paredes, não para contemplarmos os obstáculos e exclusivamente nos lamentarmos diante da sua crueldade, mas devemos encontrar as inúmeras “portas” que estão instaladas nas “paredes” da vida, pois as “paredes” da vida não são apenas obstáculos, mas o perfeito lugar onde inúmeras “portas” são instaladas por Deus!

Oremos a Deus para que os nossos olhos sejam abertos para que possamos ver as “portas” que Ele instalou para nós nas “paredes” da vida! Acreditemos: As portas estão lá, estão instaladas lá, foram colocadas lá por Deus! Precisamos clamar como os apóstolos: “Aumenta-nos a fé” Senhor [Lucas 17:5]. Que Deus o abençoe, que os seus olhos sejam abertos e você possa perceber que as paredes da vida estão repletas de oportunidades, de portas que Deus colocou lá para você.

Que Deus o abençoe, que a graça do Senhor esteja sobre a sua vida.

A. M. Cunha


EU SOU O SENHOR TEU DEUS

“Eu sou o Senhor, teu Deus [...]”

Êxodo 20:2

Este texto é muito interessante pois, em primeiro lugar, ele afirma que Deus é. Não se diz que Deus que foi ou que Deus será, mas que Ele é. Portanto, Deus é imutável.

Em segundo lugar, este texto também diz que Ele é Senhor, ou seja, Ele é independente de qualquer outro para ser o que é, para falar o que fala, para pensar o que pensa, para estar onde está e para fazer o que faz.

E em terceiro lugar, o texto afirma que o Senhor é teu Deus. Portanto, Ele não é um Deus distante, Ele está próximo, Ele é um Deus pessoal, Ele quer ser chamado de teu Deus!

Que Deus te abençoe e que a graça do Senhor esteja com você, hoje e sempre!

A. M. Cunha


Evangelho de João - Capítulo 12

Eu fui, por volta dos meus 20 anos de idade, locutor de uma rádio evangélica em Brasília, Distrito Federal. Se naquela época Luís Lombardi Neto, o famoso Lombardi que anunciava produtos e quadros no Programa Silvio Santos, concorresse comigo ao prêmio de melhor locutor, eu não teria a menor chance. Lombardi seria, com absoluta certeza, o grande vencedor.

João, o Evangelista, bem que poderia ter sido o locutor de uma importante rádio em Betânia, ou ainda, quem sabe, o apresentador de um Podcast patrocinado pelos moradores daquela vila próxima de Jerusalém. Eu seria um dos primeiros a compor a audiência desse programa. Fico até a imaginar um Podcast que apresentasse os detalhes daquela extraordinária reunião preparada para Jesus e que está registrada no capítulo 12 do Evangelho Segundo João!

Além de Jesus e de Judas Iscariotes, três outros personagens foram os protagonistas naquela magnífica reunião, a saber, Lázaro, Marta e Maria. Destes três últimos, se eu tivesse que escolher quem teria mais condições de ter uma atuação mais ativa naquela reunião, este, sem dúvida, teria sido Lázaro! Pense comigo: Ele havia sido poderosamente ressuscitado há poucas horas! Quem, além dele teria um testemunho mais relevante para apresentar naquela reunião? Fico então a imaginar quantas coisas maravilhosas ele poderia compartilhar naquela tão sublime reunião!

Mas o texto bíblico, no que se refere à atuação de Lázaro naquela reunião, limita-se a dizer o seguinte a seu respeito: “sendo Lázaro um dos que estavam com ele à mesa.” [João 12.2]. O texto foi incrivelmente omisso quanto ao registro de quaisquer palavras ou ações praticadas por Lázaro. Se eu estivesse lá, e, naturalmente, com algum poder de decisão, muito provavelmente Lázaro, além de Jesus, é claro, seria a única pessoa cuja atividade seria registrada, e muito provavelmente eu teria pedido que ele fizesse uma exposição detalhada sobre quais experiências ele havia desfrutado no exato momento em que foi ressuscitado por Jesus! Com certeza, ele não ficaria apenas sentado àquela mesa.

Ainda bem que eu não estava lá, do contrário, não teríamos a inspirada oportunidade de vermos o registro de duas importantes atividades que aconteceram naquela reunião! A primeira dessas atividades foi o serviço prestado por Marta [João 12.2]. E quão importante foi para nós o registro dessa atividade! E a segunda delas, foi a adoração de Maria que, “tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos” [João 12.3]! Com essa atitude, “encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo”. Sem dúvida, esse foi um relevante serviço prestado por Maria!

O fato é que, se Lázaro não tivesse se assentado à mesa para ser servido pelas irmãs, ele, muito provavelmente, não teria desfrutado do banquete oferecido por Marta e do agradável odor do perfume que foi docemente derramado por Maria!

Entre todos os nascidos os nascidos mulher que estavam naquela reunião, Lázaro era o mais habilitado a oferecer um grandioso testemunho acerca de Jesus. Mas ele permaneceu assentado à mesa, e com isto, Marta e Maria tiveram oportunidade para prestarem o seu serviço. Marta, num certo sentido, prestou seu serviço a todos os que estavam presentes, inclusive para o próprio Lázaro. Maria, por sua vez, prestou o seu serviço diretamente a Cristo, muito embora todos os presentes, incluindo Lázaro, tenham desfrutado do agradável aroma exalado pelo perfume que encheu toda a casa!

Concluímos que o silêncio de Lázaro, que se manteve assentado à mesa, foi muito importante para que a relevância do serviço prestado por Marta e por Maria fosse percebido naquele ambiente. Sem dúvida, prestamos um relevante serviço ao Reino de Deus quando permitimos que os outros membros da comunidade dos discípulos de Cristo sirvam a nós e à própria comunidade! Costumo chamar este relevante serviço de “O serviço de deixar-se ser servido”!

Que o nosso viver cristão seja amorosa e intencionalmente marcado pela atitude de permitirmos que nossos irmãos prestem, nos encontros da comunidade dos discípulos de Cristo, o seu valioso, indispensável e relevante serviço cristão.

A. M. Cunha

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Evangelho Segundo João - Capítulo 1

A visão, num certo sentido, pode ser entendida como resultado da interação de, pelo menos, três elementos:

[1] Um órgão visual que seja funcional, portanto, capaz de ver;

[2] Uma substância para ser vista; e

[3] A existência de luz em limites minimamente capazes de proporcionar uma visibilidade eficaz.

O capítulo 1 do Evangelho Segundo João, em suas iniciais palavras, faz uma breve narrativa acerca da pessoa de Jesus Cristo, como o Verbo Divino que se tornou humano. A respeito de Jesus o evangelista diz que a “vida estava nele e a vida era a luz dos homens” [João 1.4]. Portanto, Jesus foi comparado a uma luz – única, universal e vencedora –, pois o evangelista João diz que o Seu brilho resplandeceu com intensidade tal que “as trevas não prevaleceram contra ela” [João 1.5].

Por fim, um elemento humano é introduzido nessa narrativa: Refiro-me a João, o batista, a respeito de quem se diz que era “um homem enviado por Deus”, que ele “veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz” e que “Ele não era a luz, mas veio para que testificasse da luz” [João 1.6-8].

Jesus Cristo é apresentado, nas letras iniciais deste Evangelho, como “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” [João 1.9].

Este Evangelho, como toda Escritura Bíblica, tem Sua origem em Deus e é destinado ao homem. A Bíblia Sagrada, por ter sido escrita por Deus para o homem, pode ser compreendida como uma magnífica carta do amor divino para a humanidade.

Como falamos inicialmente, a visão é o resultado da interação de três elementos singulares. Os três elementos que falamos no início desta reflexão estão presentes na introdução do Evangelho Segundo João:

[1] O órgão visual é o “olho divino”, plenamente capaz de ver;

[2] A humanidade, por sua vez, é a substância a ser vista; e, por fim,

[3] Jesus é a verdadeira luz.

Este é, portanto, o maravilhoso quadro da “visão celestial” que alcança toda a humanidade, pois esta luz, Jesus Cristo, “ilumina a todo homem” [João 1.9]. A introdução do Evangelho Segundo João é, por assim dizer, uma extraordinária narrativa acerca do modo como Deus vê a história humana, uma singular descrição da “visão celestial” que pode ser assim resumida: Deus vê, a humanidade é vista e Jesus é a verdadeira luz que transforma aquele que crê, pois, como já falamos, a “vida estava nele e a vida era a luz dos homens” [João 1.4]!

Um último detalhe dessa introdução não pode ser esquecido. Existem duas classes de pessoas descritas neste Evangelho:

[1] Aqueles que, uma vez tendo sido iluminados, tornam-se filhos de Deus mediante a fé; e

[2] Aqueles que, por não possuírem fé e, portanto, serem cegos espiritualmente, continuam em trevas.

Jesus Cristo é a luz que contém a vida que humanidade necessita. Tudo neste Evangelho gravita em torno dessa vida e dessa luz! A “visão celestial” contempla toda a humanidade com o propósito de conceder-lhe vida mediante a fé e a partir da iluminação de Jesus Cristo.

Um grande abraço a todos.

Deus os abençoe!

A. M. Cunha


Evangelho Segundo João - Capítulo 2

O capítulo 2 do Evangelho Segundo João apresenta a narrativa do primeiro milagre que Jesus realizou. Nesse Evangelho, os milagres de Jesus são chamados de sinais. É necessário que eu faça um importante destaque quanto ao propósito dos sinais realizados por Jesus. Todo milagre divino é composto por, pelo menos, três elementos:

[1] A situação, a circunstância ou o problema que é solucionado pelo milagre;

[2] Aquele que é o destinatário do milagre; e, por fim,

[3] Aquele que realiza o milagre.

Por mais que pensemos que nós, como destinatários, sejamos o foco do milagre, ou ainda, por mais que pensemos que a mera transformação da situação, circunstância ou problema que nos assolava seja o destino último das ações de Jesus em nosso favor, a Bíblia nos dá conta de que os milagres não possuem este propósito. O próprio evangelista é bem direto quando esclarece o propósito dos milagres realizados por Jesus. Ele diz o seguinte: “Na verdade, fez Jesus diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram registrados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” [João 20:30].

Embora os milagres realizados por Jesus possuam, como afirmamos acima, pelo menos três elementos, apenas um deles pode ser definido como o propósito dos milagres, ou seja, os milagres apontam para Aquele que os realiza: Jesus Cristo! Os milagres destinam-se a fazer com que creiamos em Jesus como o Cristo e, consequente, tenhamos vida em Seu nome!

É muito significativo, contudo, que o primeiro sinal realizado pelo Senhor Jesus tenha ocorrido na Galileia. O profeta Isaías afirmou que a Galileia seria conhecida como “Galileia dos Gentios”, “povo que andava em trevas” e “região da sombra da morte” [Isaías 9.1-2]. A Galileia era, portanto, uma região de abundante pecado! Porém, as Escrituras lançam um brilho de esperança quanto a isso, pois, nas palavras do apóstolo Paulo, “onde abundou o pecado, superabundou a graça” [Romanos 5.20].

No capítulo 1º, Jesus foi apresentado como uma luz – única, universal e vencedora –, cujo brilho resplandeceu com uma fulgurante intensidade, de modo que “as trevas não prevaleceram contra ela” [João 1.5]. A respeito do povo da Galileia o profeta Isaías disse: “O povo que andava em trevas viu grande luz” [Isaías 9:2]. Jesus não poderia ter escolhido um lugar melhor para realizar o Seu primeiro milagre! A Galileia, sendo a “região da sombra da morte”, cujo “povo que andava em trevas”, era, não apenas um lugar físico, mas uma esplêndida representação deste “mundo tenebroso”. Sim, nós vivemos na “região da sombra da morte” e fomos contados como o “povo que andava em trevas”, mas Jesus é “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem” [João 1:9]. Louvado seja Deus, pois Jesus “habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória” [João 1:14].

O apóstolo João nos diz que Jesus, “em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” [João 2.11]. No capítulo 1º desse evangelho nós fomos apresentados ao primeiro princípio: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” [João 1:1] E quanto a este primeiro princípio, Jesus foi exaltado sobremaneira, pois a Seu respeito se diz: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” [João 1:3]. No capítulo 2, no entanto, nós somos apresentados a um novo princípio – o princípio dos sinais realizados pelo Senhor Jesus, por isso se diz: “Com este, deu Jesus princípio a seus sinais” [João 2:11].

Vejamos um pouco sobre este primeiro “sinal” realizado por Cristo – Nele “a água foi transformada em vinho”. Aquela água, por ter adquirido uma nova natureza, foi, por conseguinte, transformada em vinho! A água possui uma natureza e o vinho, outra. Para que a natureza da água fosse transformada noutra natureza, foi necessária a ação de um poder superior, um poder capaz de penetrar nos seus minúsculos componentes, imprimir-lhes uma poderosa ação modificadora, e, desta forma, transformá-la noutra substância, o vinho!

Todo aquele que experimentou o novo nascimento, foi transformado da água para vinho! Este é o primeiro e o mais glorioso sinal que Cristo realiza na vida daquele que vivia na “região da sombra da morte”, o novo nascimento!

Quando Cristo realizou seu primeiro “sinal” na vida daquele que nasceu de novo, essa pessoa foi submetida a um poder superior que exerceu sobre si uma maravilhosa ação modificadora, que por fim, o transformou numa nova criatura! Isso se deu porque Cristo concedeu-lhe uma nova natureza. Nas palavras do apóstolo Paulo esse milagre é assim descrito: “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas” [1 Coríntios 5.17]. De acordo com Romanos 6:22, fomos libertados do pecado e transformados em servos de Deus. Essa gloriosa transformação encheu-nos de vida, a vida que, conforme João 1:4, é a luz dos homens”!

Um grande abraço a todos.

Deus os abençoe!

A. M. Cunha


Evangelho Segundo João Capítulo 3

Todo nascimento é uma oportunidade para a expansão de uma família. De fato, a casa nunca mais será a mesma quando nasce um novo membro. Quando uma nova pessoa surge em nossas famílias, todas as coisas sofrem uma radical transformação: os gastos, a agenda, os compromissos, o tempo, as tarefas, etc. Mas, sobretudo, os sentimentos, a visão de mundo, a experiência da renúncia e a capacidade de servir sem esperar retribuição, todas estas coisas serão transformadas e intensificadas! Sem dúvida o nascimento provoca mudanças!

O capítulo 3 do Evangelho Segundo João registra o diálogo de Jesus com Nicodemos, um dos principais líderes religiosos entre os judeus. O cerne desse diálogo foi o que Jesus chamou de “novo nascimento”. Jesus afirmou “que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” [João 3.3]. No entanto, a religiosidade de Nicodemos era um forte impedimento em sua capacidade de perceber as realidades espirituais, por isso ele era incapaz de discernir com clareza as palavras de Jesus.

Jesus, no entanto, não deixa aquele que O busca no escuro. Por isso Ele foi mais enfático em Suas palavras, dizendo: “É necessário nascer de novo” [João 3.7]! E no decorrer daquele diálogo, as coisas vão ficando bem mais claras para Nicodemos. Como falamos anteriormente, o nascimento natural provoca mudanças a nossa volta. O novo nascimento também provoca mudanças. Porém, as mudanças provocadas pelo nascimento espiritual são imensamente superiores e radicalmente muito mais transformadoras do que aquelas provocadas pelo nascimento natural. Sem dúvida, as mudanças provocadas pelo novo nascimento decorrem de uma poderosa ação do Espírito Santo em nossa vida! Tudo mudou quando nascemos de novo!

É por isso que devemos estar atentos para a seguinte realidade: Se mudanças profundas e transformadoras não são constatadas em nossa vida, isso significa que, muito provavelmente, o novo nascimento não aconteceu em nossa história! As mudanças são, portanto, uma formidável consequência e uma magistral evidência do novo nascimento!

Porém, o novo nascimento não provoca apenas mudanças em nossa vida, mas também promove a expansão da família de Deus, pois, de acordo com as Escrituras, todo aquele que nasceu de novo passa a fazer parte da família de Deus [João 1:12 e Efésios 2:19 comprovam esta realidade]! Quem experimenta o novo nascimento acaba por descobrir que não é o único a ter esta gloriosa experiência, mas descobrirá que ao seu lado existe uma multidão de outras pessoas que igualmente experimentaram o novo nascimento, e agora, juntamente com você, fazem parte da família de Deus!

Não nos esqueçamos, porém, que, à luz do capítulo 3 do Evangelho Segundo João, o novo nascimento promove duas singulares transformações na vida de uma pessoa:

[1] O novo nascimento concede àquele que o experimenta a capacidade para “ver o reino de Deus” [João 3.3];

[2] O novo nascimento concede àquele que o experimenta a capacidade para “entrar no reino de Deus” [João 3.5].

Observe a progressão: Primeiro “ver”, depois “entrar”. O Reino é primeiramente visto, contemplado, admirando, vislumbrado. Depois, irresistivelmente, aquele que o vê, desfruta da inigualável virtude de entrar no Reino de Deus. Assim, por meio do novo nascimento, o Reino de Deus passa a ser a nossa visão e o nosso ambiente! Ele é a nossa visão, porque ele é tudo o que vemos! Ele é o nosso ambiente, porque ele é o recinto onde nos sentimos agasalhados e que nos faz desfrutar a benção de pertencer à mais profunda realidade espiritual de nossa história: A família de Deus! Como é glorioso o novo nascimento!

A. M. Cunha


EVANGELHO DE JOÃO - CAPÍTULO 4

Ele não era quem eu pensava que fosse! Esta frase, por vezes, é pronunciada logo após uma angustiante e profunda decepção com uma determinada pessoa! Mas, e se essa frase não fosse fruto de uma decepção, mas viesse a ser pronunciada logo após uma fascinante e reveladora descoberta? De fato, é plenamente possível que venhamos a descobrir que alguém seja muito diferente daquela desagradável percepção que inicialmente nutríamos a seu respeito. Nesse caso, estaríamos diante, não de uma cruel e lamentável decepção, mas de uma fascinante descoberta, uma agradável e maravilhosa surpresa!

O capítulo 4 do Evangelho Segundo João é extremamente revelador quando a este ponto. Este capítulo narra a história do encontro de Jesus com a mulher samaritana. Mas não estamos diante de um encontro qualquer, pois a equivocada percepção daquela mulher com respeito a Jesus foi lentamente sendo desconstruída à medida que o encontro ia prosseguindo. Vejamos como se deu esta progressão:

[1] Em primeiro lugar, aquela mulher entendia que havia uma considerável barreira racial que jamais permitiria que ela conversasse com Jesus. Isto pode ser visto nas seguintes palavras que ela pronunciou: “Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana [...]? [João 4.9];

[2] Em segundo lugar, aquela mulher julgava que Jesus não possuía nenhum recurso, de modo que Ele, aos olhos daquela mulher, jamais poderia prestar-lhe qualquer auxílio ou contribuição para sua existência. Ela afirmou o seguinte: “O senhor não tem com que tirar a água, e o poço é fundo” [João 4.11];

[3] Em terceiro lugar, aquela mulher considerava Jacó em mais alta conta do que Jesus, de modo que ela o considerava muito maior e muito mais digno de respeito do que Jesus. Nesse sentido ela afirmou o que se segue: “És tu, porventura, maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço [...]? [João 4.12];

[4] Em quarto lugar, aquela mulher, agora sob o impacto daquele encontro e das transformadoras palavras proferidas por Jesus, começou a descobrir que Ele não era quem ela inicialmente pensava. Seu conceito a respeito Dele mudou! Sua percepção a respeito Daquele que com ela dialogava foi radicalmente influenciado pelo transformador conteúdo de Suas palavras. Antes mesmo que aquele diálogo terminasse o evangelista João registra as seguintes palavras: “Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta” [João 4.19];

[5] Em quinto lugar, aquela mulher, cada vez mais impactada por aquele poderoso encontro, começa a cogitar a possibilidade de Jesus poder ser o Cristo, o prometido e aguardado Messias. Quanto a este ponto, o evangelista menciona o seguinte: “Quanto à mulher, deixou o seu cântaro, foi à cidade e disse àqueles homens: Vinde comigo e vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Será este, porventura, o Cristo?” [João 4.28-29];

[6] Em sexto lugar, aquela mulher não apenas percebeu que Jesus era diferente de tudo daquilo que ela inicialmente pensava a seu respeito, como também, em decorrência do radical e transformador impacto de seu encontro com Cristo, ela tornou-se uma vibrante testemunha de Jesus. A Bíblia diz o seguinte: “Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, em virtude do testemunho da mulher” [João 4.39].

Um verdadeiro encontro com Jesus desconstrói todo pensamento equivocado que se tenha tido sobre Ele! Todo pensamento que se tenha acerca de Jesus, sem que se tenha tido um encontro com ele, será equivocado! O encontro com Jesus sempre será transformador! Aquele que com Ele se encontra, desfrutará de uma das mais revolucionárias experiências da existência humana: A experiência de saber que Cristo é muito mais do que tudo aquilo que inicialmente pensávamos a Seu respeito!

A. M. Cunha