Uma das características do ministério de Jesus foi a
escolha de seguidores. Ele era muito criterioso na escolha dos Seus discípulos,
o que o levava a se envolver em longos períodos de oração, aos pés do Seu Pai
Celestial, para realizar Suas escolhas. Eis a razão por que os Seus convites
para segui-Lo eram tão precisos e profundamente poderosos.
Por exemplo, Levi, conhecido como Mateus, foi alvo do
seguinte convite de Jesus: “Segue-me!”,
cuja resposta foi extraordinariamente imediata. Diz o texto bíblico: “Ele se
levantou e o seguiu” [Mateus 9.9]! Aquele que segue, somente o fará com
excelência caso se mantenha perto o suficiente daquele que deve ser seguido.
Somente estando perto o suficiente de Jesus será possível ter um constante aprendizado,
ouvir os Seus ensinamentos, obedecer as Suas ordens e seguir o Seu exemplo. Este
“estar perto o suficiente” pode ser adequadamente percebido na expressão “junto dele”, contida no texto de Marcos
3.13, que nos diz: “Depois, subiu ao
monte e chamou os que ele mesmo quis, e vieram para junto dele”.
O capítulo 22 do Evangelho de Lucas, no entanto,
demonstra que um dos seguidores de Jesus, o apóstolo Pedro, não observou à
risca este princípio, num determinado estágio de sua caminhada com Jesus, pois
o texto bíblico afirma que “Pedro seguia
de longe” [Lucas 22.54]. Manter-se longe de Jesus é uma conduta perigosa
que, inclusive, poderá fazer com que o seguidor de Cristo trilhe os tortuosos
caminhos do esfriamento espiritual, que culminam com a trágica atitude de
negá-lo.
Foi exatamente isso o que Pedro fez, e o fez por
três vezes, conforme podemos ver na seguinte narrativa bíblica contida no
Evangelho Segundo Lucas: “Então, prendendo-o, o levaram e o introduziram na
casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe. E, quando acenderam fogo no meio
do pátio e juntos se assentaram, Pedro tomou lugar entre eles. Entrementes, uma
criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava
com ele. Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. Pouco depois,
vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem,
não sou. E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também
este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu. Mas Pedro insistia:
Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o
galo” [Lucas 22:54-60]. A negação de Pedro pode ser vista nas seguintes
expressões: “Mulher, não o conheço”
[Lucas 22.57], “Homem, não sou”
[Lucas 22.58] e “Homem, não compreendo o
que dizes” [Lucas 22.60].
A cruel negação de Pedro foi drasticamente interrompida
pelo canto do galo. O silêncio que se seguiu reverberou com inquietante estrondo
na vulnerável alma do apóstolo Pedro, principalmente após o fato de Jesus,
mesmo estando aprisionado, ter fixado os Seus olhos nele. O texto bíblico
afirma: “Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro” [Lucas
22:61]. Dois foram os reflexos que se seguiram a este singular acontecimento.
Em primeiro lugar, Pedro lembrou-se da Palavra de Jesus que havia previamente sido
proferida, com o propósito de revelar a fragilidade da sua disposição para seguir
o divino mestre. Quanto a este ponto, o texto bíblico afirma: “[...] e
Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me
negarás, antes de cantar o galo” [Lucas 22:61]. Em segundo lugar, Pedro,
abandonando o lugar da queda, vê-se imerso no amargo choro de uma alma que
percebeu o seu próprio fracasso e quão vulnerável era a sua disposição para
seguir o Filho de Deus! Quanto a este aspecto, o texto bíblico diz o seguinte: “Então, Pedro, saindo dali, chorou
amargamente” [Lucas 22:62].
Caso tais momentos de afastamento atinjam a nossa
alma, o escape que estará a nossa disposição será clamar ao Senhor. Desta
forma, o Senhor Jesus, por Sua graça e misericórdia, fará com que sejamos
sensíveis o suficiente, para percebermos o Seu olhar, e, a partir dele,
lembrarmo-nos de Sua Palavra e assim, imersos em profundo arrependimento por
Tê-lo negado, correremos velozmente ao encontro do Seu abraço acolhedor.
A. M. Cunha