domingo, 3 de janeiro de 2021

UMA VIDA DA CONTRAMÃO DA CULTURA DESTE MUNDO

Basta-nos um olhar, ainda que superficial, no dia a dia à nossa volta para percebermos que as coisas não vão bem com a sociedade. Nosso planeta tornou-se a cidadela da impiedade, marcada pelo egoísmo, pela arrogância, pela violência, pela impaciência, pela rebeldia, e tantos outros adjetivos cuja lista se estende quase que indefinidamente. Vivemos, portanto, numa sociedade de “homens ímpios”.

O salmista aconselha a não nos indignarmos por causa dos malfeitores e a não termos inveja dos que praticam a iniquidade [Salmo 37:1]. O justo, contudo, vive na contramão da cultura de iniquidade que caracteriza este mundo, pois ele não pertence a este mundo [João 17:16].

O salmista, porém, apresenta 4 importantes conselhos quanto ao estilo de vida que o justo deve praticar num mundo tão iníquo:

[1] Confiar no Senhor: Confiar significa acreditar que Deus, por ser quem Ele é, por fazer o que Ele faz, por estar onde Ele está, por falar o que Ele fala e por pensar o que Ele pensa, jamais falhará nos Seus desígnios para conosco;

[2] Fazer o bem: Quando o justo se omite em face da iniquidade da presente geração, ele, na verdade, está contribuindo para o crescimento desse estado de coisas. Fazer o bem, inclusive e principalmente para aqueles que nos perseguem, é um eloquente testemunho acerca da bondade de Deus. Tal testemunho fortalece o legado dos justos e dignifica o nome de Deus;

[3] Habitar a terra: O justo, ainda que viva neste mundo de iniquidade, não pode alienar-se. Conquanto sua alma deva anelar pela pátria celestial, o justo, por outro lado, deve, de fato, ser um exemplar habitante deste mundo, vivendo com excelência, ainda que não seja um legítimo cidadão deste mundo tenebroso;

[4] Alimentar-se da verdade: A verdade, ou seja, os preceitos da Palavra de Deus, é a única fonte de alimentação para o justo. Sem a nutrição que as Escrituras lhe oferecem, o justo sucumbirá à iniquidade da presente geração.

O testemunho das Escrituras a respeito do justo que vive à luz desses importantes conselhos é muito singular: “O Senhor firma os passos do homem bom e no seu caminho se compraz” [Salmo 37:23].

A. M. Cunha


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

A VOZ DA TRANSGRESSÃO HABITA NO CORAÇÃO DO ÍMPIO

 “Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos.”

Salmo 36:1

O perfil daquilo que falamos é determinado por aquilo que habita em nosso coração. O salmista afirma que há no coração do ímpio uma voz interior denominada de “voz da transgressão”. Que terrível voz! O vocábulo hebraico פֶּשַׁע [peshaʿ], traduzido por transgressão, tem o sentido de rebelião, sendo usada, inclusive, para descrever um estado de guerra entre duas nações. Tal vocábulo, portanto, possui precisão cirúrgica ao descrever que o ímpio está em estado de rebelião contra Deus. Tal estado de rebelião anuncia que “não há temor de Deus” em seu coração! A “voz da transgressão”, conquanto seja inaudível, é poderosa o suficiente para reger as audíveis palavras proferidas pelo ímpio, pois “As palavras de sua boca são maldade e engano” [Salmo 36:3]. O que está no coração será infalivelmente expressado pelas palavras que os lábios proferem. O próprio Senhor declarou: “Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias.” [Mateus 15:18-19].

A “voz da transgressão” domina o coração do ímpio, sendo, portanto, um “mau tesouro” que influenciará irremediavelmente as suas palavras. A esse respeito Jesus afirmou: “O homem bom do bom tesouro do coração tira o bem, e o mau do mau tesouro tira o mal; porque a boca fala do que está cheio o coração.” [Lucas 6:45].

Cuidemos, portanto, de nosso coração. O sábio disse: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o coração, porque dele procedem as fontes da vida.” [Provérbios 4:23]. Sejamos zelosos quanto ao que falamos. Que seja nossa a oração do salmista: “Põe guarda, Senhor, à minha boca; vigia a porta dos meus lábios.” [Salmo 141:3]!

A. M. Cunha