domingo, 22 de janeiro de 2023

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 7

Servindo melhor a Deus com um crescimento intelectual equilibrado

O crescimento de Jesus foi algo muito significativo na narrativa bíblica. Como já falamos, a Bíblia esclarece que Ele cresceu em quatro dimensões: Dimensão física, dimensão intelectual, dimensão social e dimensão espiritual! Isso significa que Jesus cresceu na integralidade do Seu ser. Não podemos nos esquecer que a missão Dele era satisfazer a necessidade do homem, que, como já destacamos, foi a de restaurar a comunhão dos homens com Deus. Sua humanização tinha este objetivo, e para alcançá-lo, Ele precisava crescer em todas as dimensões do Seu ser. Tudo o que Cristo fez tinha este glorioso objetivo!

ALGUMAS ORIENTAÇÕES ACERCA DO CRESCIMENTO INTELECTUAL

I – O CRESCIMENTO INTELECTUAL É ALGO QUE DEVE SER BUSCADO: O texto de Provérbios 3:13 diz que o homem que acha sabedoria e adquire conhecimento é feliz! A Bíblia afirma que aquele que busca, encontra – Mateus 7:7. Eis a razão por que afirmamos que o crescimento intelectual deve ser buscado, pois não é algo que adquirimos sem esforço ou busca de nossa parte. É importante que tenhamos alguns hábitos de busca pelo crescimento intelectual, tais como: Leitura sadia; praticar a concentração e a reflexão; forçar a mente com atividades de crescimento intelectual, levar os estudos a sério, participar de diálogos construtivos, entre outras atividades dessa natureza.

Quando olhamos a vida de Jesus, podemos perceber que Ele buscou o crescimento intelectual. Por exemplo, de acordo com Lucas 2:46, em certa ocasião, Ele esteve assentado no meio dos doutores, no templo de Jerusalém, ouvindo-os e interrogando-os. Essa narrativa bíblica fica mais extraordinária quando descobrimos que Jesus, nessa ocasião, estava com apenas 12 anos de idade, conforme Lucas 2:42. Outra ocasião que revela a busca de Jesus pelo crescimento intelectual foi a tentação no deserto. De acordo com Lucas 4:1-13, Jesus enfrentou a tentação citando vários textos bíblicos que haviam sido memorizados por Ele. Se Ele possuía aqueles textos bíblicos memorizados, isto significava que Ele havia desenvolvido o hábito de ler e estudar as Escrituras. A revelação bíblica é, portanto, muito esclarecedora: Jesus havia buscado o conhecimento que Ele manifestava no seu dia a dia. Ele é o nosso exemplo, portanto, devemos segui-lo!

II – NÃO PODEMOS NOS APOIAR EM NOSSA PRÓPRIA INTELIGÊNCIA: Jamais podemos nos esquecer que o crescimento intelectual de Jesus tinha o objetivo de satisfazer a necessidade do homem. Jesus, portanto, não buscava satisfazer a Si mesmo. É importante que chamemos a atenção para a seguinte realidade: Um dos maiores obstáculos para a construção do crescimento intelectual é o preconceito. Que preconceito é este? Muitos acham que o conhecimento intelectual está em oposição a uma vida espiritual de qualidade! Esse preconceito existe porque muitas pessoas que adquiriram o conhecimento intelectual, lamentavelmente tornaram-se arrogantes e orgulhosas, e muitas vezes, afastaram-se de Deus! Mas com Cristo não foi assim, Ele teve um intenso crescimento intelectual e, ao mesmo tempo, continuou mantendo uma comunhão intensa, profunda e insubstituível com o Pai Celestial. Jesus não se tornou arrogante nem orgulhoso. É perfeitamente possível experimentar um crescimento intelectual equilibrado, sem que nos tornemos orgulhosos ou arrogantes. Busquemos, pois o crescimento intelectual!

III – O CRESCIMENTO INTELECTUAL DEVE SER USADO PARA EDIFICAÇÃO DAS PESSOAS: Cristo cresceu intelectualmente e usou o Seu crescimento para trazer edificação para as pessoas! Ele jamais ofendia as pessoas com seu elevado conhecimento. Em tudo Ele buscava edificar e ajudar as pessoas. Devemos fazer o mesmo! Nós nascemos com uma missão: Satisfazer a necessidade da humanidade, para promover a restauração da sua comunhão com Deus! Por isso, ao crescermos intelectualmente devemos ter este objetivo em mente. Muitas vezes os homens usam o seu conhecimento para a destruição: Eles constroem bombas, armas, fabricam doenças biológicas, entre tantas outras coisas terríveis. Mas nós, que somos filhos da luz, devemos usar o nosso conhecimento para a edificação daqueles que estão a nossa volta. Cresçamos em tudo, inclusive intelectualmente, com a finalidade de servir melhor a Deus e ao próximo!

A. M. Cunha


domingo, 15 de janeiro de 2023

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 6

Servindo melhor a Deus com um crescimento físico equilibrado

 

O texto de Lucas 2:52, como já foi visto ao longo desta série, demonstra que Jesus cresceu em quatro dimensões, a saber: Dimensão física, dimensão intelectual, dimensão social e dimensão espiritual! O nosso Senhor Jesus Cristo cresceu na dimensão física. Existe um questionamento que precisamos responder: Por que Cristo precisava crescer fisicamente? Uma das possíveis respostas é a seguinte: Ele precisaria de um corpo fisicamente resistente e saudável para servir melhor a Deus!

A narrativa bíblica evidencia que Cristo possuía uma incrível resistência física. Podemos confirmar isso considerando a forma como Jesus conseguia suportar as longas horas de exposição ao sol para ensinar os seus seguidores, bem como, observando como Ele suportou o sofrimento decorrente das torturas a que foi submetido, desde sua condenação até o momento da Sua morte. Concluímos, portanto, que quanto melhor estivesse a saúdo do corpo físico de Jesus, mais intenso seria o serviço que Ele prestaria ao Pai Celestial!

Tal como nosso Senhor Jesus, nós também devemos ter um corpo fisicamente resistente e saudável para que possamos servir melhor a Deus. Por isso, é necessário que cuidemos adequadamente do nosso corpo. Paulo nos diz que “tudo o que fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens. [...] A Cristo, o Senhor, é que estais servindo;”Colossenses 3:23-24.

 

GOSTARIA DE CONVIDAR VOCÊ A REFLETIR UM POUCO NOS SEGUINTES QUESTIONAMENTOS:

(Tudo isso é uma forma que o ajudará a cuidar melhor de seu corpo)

 

1)      Como está o seu repouso noturno? Sabemos o que acontece quando não desfrutamos de uma boa noite de sono: sentimo-nos mais estressados, emocionalmente exaustos e mais irritados do que o normal. Quando dormimos, ocasião em que não realizamos nenhum trabalho consciente, Deus miraculosamente recompõe as nossas energias, restaura o vigor das nossas células e promove uma verdadeira renovação cerebral. O sono é, sem dúvida, uma dádiva de Deus! Nossa melhor resposta para esta dádiva divina não poderia ser outra, a saber, organizarmos nossa agenda diária e as nossas prioridades para que tenhamos uma boa noite de sono!

2)      Você tem praticado exercícios físicos com regularidade? Para o cristão, a prática do exercício físico não pode ter por fundamento a exclusiva obtenção de uma boa estética, como tem sido pregado nesta era de supervalorização do corpo. A prática de exercícios físicos é uma atitude importantíssima para termos uma saúde equilibrada, e, por consequência, obteremos uma melhor qualidade de vida para servirmos a Deus com excelência!

3)      Você pratica a reeducação alimentar? Quando abordamos a necessidade de uma reeducação alimentar, partimos do pressuposto de que a nossa alimentação merece reparos. Tal afirmação está absolutamente correta. É por isso que precisamos eliminar hábitos alimentares que sejam nocivos para a saúde, substituindo-os por novos hábitos que estejam voltados para uma alimentação mais saudável.

4)      Você tem dedicado algum tempo para a prática de atividades que o ajudem a reduzir o stress do dia a dia? Sua qualidade de vida será muito melhor se você começar a viver assim. Algo que poderá ajudar muito é desenvolver o hábito de enxergar as coisas belas que existem na vida, mesmo que estejamos enfrentando situações problemáticas que nos causam angústia? Quando estamos focados apenas nos problemas, contribuímos para que estes mesmos problemas pareçam mais pesadas do que realmente são. Contudo, quando buscamos olhar para as coisas belas que a vida oferece, adquirimos mais força para enfrentarmos os problemas e isso contribui para a diminuição do stress em nossa vida.

Todas estas condutas poderão ajudar você a manter a saúde de seu corpo físico. Acredite, sua saúde melhorará muito se você praticar estas condutas! Assim, você proporcionará as condições adequadas para servir melhor a Deus com o seu corpo físico! Tudo isso será muito útil para nós, pois, como nos diz o apóstolo Paulo em 1 Coríntios 6:19, o nosso corpo é santuário do Espírito Santo!

A. M. Cunha


domingo, 8 de janeiro de 2023

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 5

Quem nasceu de novo é encorajado a crescer

Nesta série de lições, quando estamos estudando os aspectos práticos da vida cristã, nós já tivemos oportunidade de perceber que, se desejamos produzir mudanças na vida das pessoas que estão ao nosso redor, será necessário sair de nosso mundo particular, com o propósito de interagir com a vida cotidiana das pessoas com as quais interagimos. Como visto, nós denominamos este conjunto de ações de humanização. Para que possamos, de fato, promover mudanças na vida dos outros, é imperioso que experimentemos mudanças em nossas próprias vidas. Como vimos, Cristo fez isso: para mudar a nossa vida Ele mudou a dEle! Em outras palavras, Ele vivenciou o que estamos denominando de humanização. O objetivo de Cristo em Sua humanização era satisfazer a necessidade da humanidade de ter restaurada a sua comunhão com Deus. Para concluir Seu processo de humanização, Cristo percorreu algumas etapas, a saber: nascer, crescer, viver e morrer.

A humanização de Cristo, como vimos, começou por Seu nascimento, e isso foi uma obra do Espírito, conforme já vimos em Mateus 1:20. Igualmente, a nossa humanização, que começa com o novo nascimento, é também uma obra do Espírito Santo, e nós já vimos isso em João 3:3-6. Portanto, é notória a importância da obra do Espírito Santo no processo de humanização, tanto a humanização de Cristo como a nossa humanização!

A segunda etapa do processo de humanização de Cristo foi o Seu crescimento. Para concluir Seu processo de humanização, além de nascer, Cristo, que havia assumido a condição humana, também experimentou o crescimento! Eis o questionamento que se põe diante de nós: Como se deu, então, o crescimento de Cristo?

O texto de Lucas 2:52 é revelador e aponta, de modo didático e resumido, como se deu o crescimento de Cristo! O citado texto das Escrituras afirma o seguinte: “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens”. À luz desse precioso texto, Jesus cresceu em quatro dimensões: física, intelectual, social e espiritual.

A expressão: “E crescia Jesus em sabedoria”, corresponde ao crescimento intelectual; a expressão: “E crescia Jesus [...] em estatura”, corresponde ao crescimento físico; a expressão: “E crescia Jesus em [...] graça, diante de Deus”, corresponde ao crescimento espiritual e, por fim, a expressão “E crescia Jesus em [...] graça, diante [...] dos homens”, corresponde ao crescimento social.

Como já havíamos afirmado, o processo de humanização de Cristo é o paradigma para a nossa humanização. Nesse processo, Cristo, ao assumir a condição humana, precisou nascer e, como afirmamos, nós também experimentamos um nascimento espiritual, denominado de “novo nascimento”. Quando tal nascimento ocorreu conosco, nós recebemos a vida de Deus e esta vida nos impulsiona ao crescimento!

Uma vez que o texto de Lucas 2:52 demonstra que Cristo cresceu e, uma vez que Ele é o nosso paradigma, então podemos afirmar que nós somos vocacionados para o crescimento! E quanto a isto, ousamos dizer que o crescimento nos dará a estatura necessária para a complementação de nossa humanização. A vida divina que possuímos há de nos impulsionar ao crescimento!

Nos próximos episódios dessa série abordaremos as quatro dimensões do crescimento de Cristo e as implicações desse crescimento para o nosso viver diário, pois, como afirmamos, o crescimento de Cristo é o paradigma para o nosso crescimento!

A. M. Cunha


domingo, 1 de janeiro de 2023

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 4

O nascimento de Jesus Cristo foi o meio escolhido para que Deus habitasse entre os homens! Jesus nasceu com o propósito de suprir a real necessidade do homem, qual seja, experimentar uma profunda restauração na sua comunhão com Deus. Portanto, é possível concluir que o processo de humanização de Cristo somente se completou quando Ele, efetivamente, viabilizou o acesso da humanidade ao suprimento de sua mais real necessidade: Ter restaurada a sua comunhão com Deus! Como vimos nas lições anteriores, o Senhor Jesus viu a necessidade, compreendeu que a restauração da comunhão com Deus era, de fato, a real necessidade que pesava sobre a história humana e, por fim, supriu a necessidade da humanidade.

Apenas o nascimento de Cristo não seria suficiente para proporcionar o suprimento da necessidade humana. A humanização de Jesus Cristo, que teve o seu início com o Seu nascimento, somente se completou quanto Ele vivenciou outras três importantes etapas, as quais podem ser resumidas nas seguintes palavras: crescer, viver e, por fim, morrer. Portanto, estas quatro palavras – nascer, crescer, viver e morrer –, demonstram como a humanização de Cristo se completou. Somente quando estas quatro etapas foram concluídas é que se pode afirmar que a real necessidade humana foi efetivamente suprida.

A humanização de Cristo foi necessária para transformar a vida daqueles que, sem a obra de Cristo, estavam e permaneceriam separados de Deus para sempre! Aqueles que são discípulos de Cristo devem seguir os Seus passos. É por isso que se pode afirmar que os cristãos devem experimentar um processo de humanização semelhante ao que Cristo vivenciou, para que possam, enfim, atuar como auxiliares de Cristo na gloriosa tarefa de restaurar a comunhão dos homens com Deus!

Nosso objetivo a partir deste momento é apresentar uma breve análise acerca das quatro etapas da humanização de Cristo – nascer, crescer, viver e morrer –, e tudo com o propósito de aplicá-las ao nosso estilo de vida. Sem essa análise e, obviamente, sem essa aplicação, nós não teremos uma adequada compreensão da humanização de Cristo e dos seus efeitos na vida das pessoas com as quais convivemos.

Uma vez que Cristo nasceu para transformar a vida das pessoas para sempre, aqueles que são Seus seguidores devem também experimentar um nascimento com idêntica perspectiva do nascimento vivenciado por Cristo. Então vejamos em primeiro lugar: 

·        CRISTO NASCEU COMO OBRA DO ESPÍRITO DE DEUS: O nascimento de Jesus Cristo foi um acontecimento espiritual, como diz o texto bíblico, “o que nela foi gerado procede do Espírito Santo” [Mateu 1:20]. No princípio, o verbo estava com Deus e era Deus. Esta era a natureza até então conhecida de Cristo. No entanto, quando Cristo nasceu, ele manifestou a natureza humana! A vida do homem foi visivelmente introduzida em Cristo. Isto somente foi possível pela ação do Espírito Santo! 

·        O NOVO NASCIMENTO É OBRA DO ESPÍRITO DE DEUS: Cada um dos discípulos de Cristo, antes de terem nascido de novo, estavam separados de Deus como consequência do pecado. Cristo veio para que crêssemos nEle e, crendo, nos tornássemos filhos de Deus, conforme João 1:12. De acordo com 1 João 5:1, “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus”. Podemos concluir, portanto, que o novo nascimento é obra do Espírito de Deus! Desse modo, o novo nascimento, assim como o nascimento de Jesus, decorre da obra do Espírito Santo! 

O nascimento foi a primeira etapa da humanização de Cristo. Esse nascimento, como vimos, ocorreu como consequência da obra do Espírito de Deus! De igual modo, o novo nascimento, operado em nós, é também uma obra do Espírito Santo! Somos uma nova criação espiritual! Nossa humanização segue, portanto, os mesmos passos da humanização de Cristo.

Por conseguinte, o início de nossa humanização é espiritual e não poderia ser diferente. Concluímos, portanto, que as nossas qualificações ou habilidades pessoais não são suficientes para fazer com que nós experimentemos um processo de humanização similar ao que Cristo vivenciou. Isso somente poderá acontecer em nossa vida mediante uma poderosa ação do Espírito Santo! Ninguém jamais será semelhante a Jesus por seus próprios esforços, mas unicamente por obra do Espírito Santo de Deus!

A. M. Cunha


domingo, 25 de dezembro de 2022

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 3

Quando nos deparamos com alguém que está desanimado demais para prosseguir e cansado o bastante para continuar esperando, não raro costumamos dizer que a vida é um processo. Contudo, quantos de nós já paramos para verificar o que realmente significa a palavra “processo”?

Uma das definições que o Dicionário Michaelis apresenta para a palavra “processo” é a seguinte: “Sequência contínua de fatos ou fenômenos que apresentam certa unidade ou se reproduzem com certa regularidade; andamento, desenvolvimento. Noutras palavras, “processo” é o conjunto de fatos ou fenômenos que ocorre ao longo do tempo fazendo com que determinado resultado aconteça.

Nosso objetivo com a lição de hoje é compreender como aconteceu o processo de humanização de Cristo. Portanto, precisamos ter em mente que uma das nossas tarefas como discípulos de Jesus é reproduzir, em nosso viver cristão diário, um processo de humanização semelhante ao que Cristo experimentou! Como se processou a humanização de Cristo? Este é o questionamento que pretendemos responder nesta lição. Ousamos afirmar que o processo de humanização de Cristo foi concluído porque três importantes fenômenos ocorreram em sua biografia: A visão da necessidade, a convicção da necessidade e o suprimento da necessidade! Vejamos uma breve exposição de cada um desses fenômenos:

A VISÃO DA NECESSIDADE: Cristo contemplou a miserável situação da humanidade. O diagnóstico da Escritura é incisivo: Todos, sem qualquer exceção, pecaram e carecem da glória de Deus [Romanos 3:23]! Jesus Cristo teve a visão da necessidade humana. Ele não apenas contemplou o pecado, mas contemplou o efeito do pecado na vida humana.

De acordo com Isaías 59:1-2, o efeito imediato do pecado é a separação, o rompimento da comunhão entre o homem e Deus! Aos olhos de Cristo, a real necessidade da humanidade é a comunhão! Assim como Cristo, nós também devemos erguer os nossos olhos e contemplar esta necessidade. A grande necessidade da humanidade é viver em comunhão! As pessoas a nossa volta têm uma grande necessidade. E eu gostaria de reiterar aqui: A grande necessidade da humanidade é Comunhão.

Assim, por exemplo, quando alguém estiver enfrentando o desafio do sofrimento, o que elas mais necessitam é da nossa presença, muito mais do que das nossas palavras! A comunhão requer que a erva daninha da desunião seja eliminada. O apóstolo Paulo discorre sobre isso em 1 Coríntios 12:25-26, com as seguintes palavras: “para que não haja divisão no corpo, mas para que os membros cooperem, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, todos os outros se alegram com ele.”.

O primeiro fenômeno, como vimos, foi a visão da necessidade. O segundo fenômeno é A CONVICÇÃO DA NECESSIDADE: Ao contemplar a necessidade humana e os nefastos efeitos do pecado na vida humana, Cristo assumiu o compromisso de apresentar um escape para a humanidade perdida. Eis a razão por que Cristo assumiu o compromisso de esvaziar-se a Si mesmo! Cristo viu a necessidade humana, mas não apenas isso, Ele estava plenamente convicto de que a restauração da comunhão com Deus era a real necessidade da humanidade! Por isso, Ele esvaziou-se a Si mesmo e veio a este mundo com o propósito de apresentar um escape para a necessidade humana!

Portanto, apenas a visão da necessidade não é suficiente para a manifestação de uma autêntica vida cristã. Será indispensável que aquele que contempla a necessidade esteja absolutamente convencido de que aquela necessidade é real e que algo precisa ser feito para que a necessidade seja suprida! Esse convencimento deve ser muito profundo, a ponto de provocar um forte e intransferível incômodo na vida na vida daquele que contempla a necessidade. Este incômodo, por sua vez, despertará a necessidade de que mudanças ocorram na vida daquele que contempla a necessidade, transformando-o num instrumento divino para que o necessitado tenha as suas necessidades finalmente supridas. Esta é uma poderosa dinâmica que fará com que a vida cristã autêntica saia da teoria e penetre no cotidiano dos relacionamentos humanos.

O terceiro fenômeno, por fim, é O SUPRIMENTO DA NECESSIDADE: Cristo não desistiu enquanto não apresentou o escape para a necessidade humana! O mecanismo utilizado pelo Senhor Jesus para desfazer a separação que havia entre o homem e Deus foi a promover a comunhão. Como Ele fez isso? Tornando-se homem! Isto somente foi possível, porque Ele experimentou mudanças no Seu estilo de vida: Ele esvaziou-se a Si mesmo, assumiu a forma de servo, tornou-se em semelhança de homens, foi reconhecido em figura humana e a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de Cruz! A humanidade estava devastada pelo pecado e irremediavelmente condenada a viver sem Deus, num eterno estado de sofrimento e dor! Cristo não ficou indiferente a esse estado de miséria humana! Usando a linguagem da parábola do bom samaritano, nós poderíamos dizer: Cristo não passou de largo em relação àquele que estava à beira do caminho da miséria. Ao contrário, Ele envolveu-se com o homem caído à beira do caminho – João 10:30-35.

Somente assim, a necessidade foi suprida. A humanização somente estará completa quando a necessidade for enfim suprida! Este foi o conjunto de fenômenos que Cristo vivenciou ao longo do tempo para providenciar o escape para a necessidade humana! Primeiramente, Ele viu a necessidade humana. Em seguida, Cristo compreendeu que a restauração da comunhão da humanidade com Deus era, de fato, a real necessidade que pesava sobre a história humana. Por fim, Ele agiu para suprir esta necessidade!

Ver a necessidade, convencer-se dela e, enfim, supri-la: Eis o caminho que devemos percorrer para experimentarmos o mesmo processo de humanização que Cristo experimentou! Deus deseja que vejamos a necessidade das pessoas que estão a nossa volta. O Espírito de Deus nos envolverá com uma poderosa convicção acerca da real necessidade das pessoas. O que elas mais precisam é ter a sua comunhão com Deus restaurada. Isso não ocorrerá sem que nos envolvamos com as pessoas e lhes apresentemos o Glorioso Evangelho de Jesus Cristo! De acordo com o texto de 2 Coríntios 5:20, nós falamos em nome de Cristo quando dizemos às pessoas: “Reconciliem-se com Deus!”.

Cristo experimentou a humanização para transformar a vida daqueles que estavam separados de Deus. Assim também nós devemos experimentar a humanização para que sejamos auxiliares de Cristo na gloriosa tarefa de restaurar a comunhão dos homens com Deus!

A. M. Cunha


domingo, 18 de dezembro de 2022

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 2

Os teólogos costumam fazer uso do vocábulo “encarnação” para descrever o processo por meio do qual Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores! Nesta breve Série, nós faremos uso da ideia por trás deste do vocábulo “encarnação”, para transmitirmos algumas reflexões em torno do processo da encarnação de Cristo, que aqui denominaremos de “humanização de Cristo”, tudo com o propósito de identificar algumas posturas por Ele adotadas e, a partir de tais posturas, tentarmos extrair algumas lições que possam orientar qual deve ser a nossa postura nesta vida! Ressaltamos, ainda, que nesta Série, denominaremos essas posturas de “Aspectos Práticos da Vida Cristã”!

Sendo assim, para compreendermos os aspectos práticos da vida cristã, será imprescindível e extremamente revelador seguirmos os passos de Cristo, pois Ele é o nosso modelo! O que Ele fez é a expressão de tudo aquilo que nós devemos fazer! Por conseguinte, identificaremos, ao longo desta Série, algumas posturas adotadas por Cristo para que compreendamos qual deve ser a nossa postura Cristã durante os dias em que estamos peregrinando nesta Terra!

Inicialmente, faremos uma breve análise do modo como as ações ocorreram durante o processo de humanização de Cristo! Vejamos, portanto, alguns preciosos versículos da Palavra de Deus:

 

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.”

João 1:1-3 

Cristo foi apresentado nestes versículos com “O Verbo Divino”, como “Deus”, como “Criador de todas as coisas”. Sem ele, nada do que existe existiria! Este texto mostra onde Cristo estava no princípio: No melhor ambiente para se viver – Na presença do Pai e em comunhão com o Espírito Santo. A escritura denomina este lugar de “Pátria Celestial”!

Enquanto Cristo desfrutava deste glorioso ambiente de comunhão, a humanidade estava vivenciando um profundo estado de perdição, o extremo oposto desta “Pátria Celestial”! O texto de Romanos 3:23, assim descreve a condição humana: “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”.

A humanidade, sem nenhuma exceção, foi descrita neste versículo como sendo formada por pecadores que estão afastados da glória de Deus! A humanidade, portanto, foi descrita como imersa no pecado, cujo salário, conforme Romanos 6:23, é a morte!

Cristo, porém, não se manteve em estado de inércia diante do deplorável estado espiritual no qual a humanidade se encontrava. Os textos de João 1:14 e Filipenses 2:5-8 são extremamente reveladores quanto o que Cristo fez diante deste deplorável estado:

 

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”

João 1:14 

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”

Filipenses 2:5-8

De acordo com estes textos, Cristo abandonou o lugar onde estava, esvaziou-se a Si mesmo e assumiu uma nova forma, a forma humana. Por que Cristo tomou tal decisão? A resposta é, porque Ele contemplou a situação da humanidade caída e compadeceu-se do seu deplorável estado espiritual.

Outro texto bíblico que é muito importante para a nossa análise é o texto de Gálatas 4:4-5, que nos diz o seguinte:

 

“vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”

 

Esse precioso texto bíblico anuncia que o homem seria resgatado por Cristo e receberia uma nova natureza: A natureza de filho de Deus! O homem seria, portanto, libertado da escravidão de pecado! Isso somente foi possível porque Cristo tomou a decisão de esvaziar-se a Si mesmo e assumir a forma humana, com o propósito de morrer para que todo aquele que nele cresse pudesse obter a vida eterna!

Vejamos mais um importante texto bíblico:

 

“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.”

1 João 3:16

Este texto possui duas cruciais informações: Em primeiro lugar, vemos que Cristo deu a Sua vida por nós. Em segundo lugar, somos confrontamos com o mandamento de que nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos! Noutras palavras, o texto bíblico apresenta a seguinte orientação: Se agirmos do mesmo modo como Cristo agiu, nós seguiremos os Seus passos!

Sim irmãos, todo este conjunto de textos bíblicos serviu de base para que pudéssemos compreender que Cristo é o nosso modelo! Há uma crucial informação em tudo isso: Para mudar a nossa vida, Cristo mudou a dele! Ele saiu do lugar onde estava, mudou a Sua forma, esvaziou-se a Si mesmo: Tudo para mudar a nossa vida! Por conclusão, podemos inferir que se quisermos mudar a vida de alguém, precisamos mudar a nossa própria vida!

A essa radical e importante mudança denominaremos de “humanização”. A humanização de Cristo está muito claramente descrita em Filipenses 2:5-8, onde se diz que Ele esvaziou-se a Si mesmo, assumiu a forma de homem. Noutras palavras, Ele penetrou na vida cotidiana dos homens! Foi desta forma que Cristo humanizou-se, pois passou a fazer parte da vida dos homens, tudo com o propósito de lhes oferecer uma oportunidade para serem transformados para sempre!

Quando olhamos para a nossa vida, o que percebemos? Normalmente, desfrutamos de uma vida espiritual particular, pois ficamos presos em nosso cantinho individual – vivendo de nós para nós mesmos! Se continuarmos assim, nossa visão será limitada. Veremos apenas o que está em nosso “mundo particular” e jamais veremos as outras pessoas, ou sentiremos necessidade de ajudá-las, ou de compartilhar suas alegrias e suas dores! É por isso que precisamos de humanização! Precisamos sair de nosso mundo particular e penetrar na vida cotidiana das pessoas que estão ao nosso redor! Em resumo, DEVEMOS PRATICAR JOÃO 1:14. O nosso “mundo particular” é a nossa vida, a nossa casa, o nosso templo, o nosso cantinho de vida. Porém, assim como Cristo, nós devemos experimentar o processo de humanização, e, por conseguinte, experimentarmos uma mudança em nossa vida para que possamos auxiliar na mudança da vida de outras pessoas. Se fizermos isso, tornaremos João 1:14 uma realidade em nossa vida!

A. M. Cunha


domingo, 11 de dezembro de 2022

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 1

A vida cristã é um extraordinário convite à prática das virtudes anunciadas pelo Evangelho de Jesus Cristo! Descobrir quais são estas virtudes é algo muito bom, contudo, colocá-las em prática é algo extraordinariamente melhor! O apóstolo Tiago disse certa vez: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” [Tiago 1:22]. De fato, sem a prática da Palavra de Deus, tudo o que teremos será engano. Na ótica de Jesus, a ausência de prática da Palavra significava que os alicerces, nos quais a vida foi construída, não serão capazes de garantir a estabilidade espiritual que somente pode ser obtida por uma criteriosa e perseverante prática das Escrituras!

A Grande Comissão, por exemplo, é extremamente pedagógica quanto a este aspecto. Em suas Palavras, Jesus nos ordenou o seguinte: “fazei discípulos de todas as nações [...] ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” [Mateus 28:19-20]. Observe cuidadosamente as palavras destes versículos: Jesus não nos deu um mandamento para ensinarmos “todas as coisas que Ele ordenou”, mas para “ensinarmos a guardar” todas as coisas que Ele ordenou. Embora pareça insignificante, há uma diferença crucial entre estas duas expressões!

A primeira delas, qual seja, “ensinar todas as coisas”, reproduz o comando de meramente ensinar o que Jesus ordenou. A segunda, a saber, “ensinar a guardar todas as coisas”, por outro lado, possui a seguinte essência: Ensinar a guardar! Em outras palavras, “ensinar a obedecer”! Essa segunda ordem requer muito mais do que uma mera reprodução das coisas que Jesus ensinou, pois, tal ordem, por outro lado, requer que pontes sejam construídas pela igreja para que os seguidores de Cristo, aprendam a ir além de meramente ouvir sobre o que Jesus ordenou. Noutro giro, os seguidores de Cristo devem ser profundamente encorajados a obedecer as coisas ensinadas por Jesus no Seu Evangelho!

Voltemos novamente para as orientações do apóstolo Tiago. De acordo com Tiago, se apenas ouvirmos a Palavra sem colocarmos em prática os Seus ensinamentos, enganaremos a nós mesmos! Há uma sutil tentação que tem assolado o povo de Deus: Ser apenas ouvinte da Palavra! Muitos dos seguidores de Cristo estão sendo tentados a apenas ouvirem a Palavra de Deus, sem, contudo, colocá-la em prática! Este comportamento tem provocado grandes males para a espiritualidade do povo de Deus! E tudo isso tem ocorrido muito em função desse sutil engano. Jamais deveríamos nos esquecer que Satanás é a fonte do engano. Foi isso que ele fez com Eva no sagrado solo do Paraíso: Ele a enganou distorcendo as palavras que Deus lhe havia proferido! E agora, de acordo com o apóstolo Tiago, somos orientados no sentido de que, se formos apenas ouvintes da Palavra, sem, contudo, praticá-la, seremos enganados, assim como Eva foi enganada.

O engano causará um profundo esfriamento em nossa vida espiritual, até que sejam completamente destruídos! Contudo, se conhecermos a verdade, seremos libertados, pois, de acordo com Jesus em João 8:32, se conhecermos a verdade ela nos libertará!

Uma grande questão que devemos responder é a seguinte: Como as Verdades do Evangelho chegaram até nós? A primeira ação, por meio da qual tudo o que conhecemos acerca das verdades do Evangelho tornou-se possível, foi a Encarnação de Jesus Cristo! Nesta série, chamarei a encarnação de Jesus Cristo de “A humanização de Cristo”. Noutras palavras, tudo o que sabemos sobre as Verdades do Evangelho somente foi possível porque Cristo, que é Deus preexistente, tornou-se homem e habitou entre nós! O evangelista João assim descreve esse momento: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” [João 1:14].

Nesta série de reflexões bíblicas, nosso propósito será olhar para a Humanização de Cristo, e tentar identificar algumas posturas adotadas por Ele e, a partir destas posturas, extrair algumas lições que possam orientar qual deve ser a nossa postura nesta vida! Uma vez que somos seguidores de Cristo, é crucial e indispensável seguirmos os Seus passos! Assim, para compreendermos adequadamente quais são os aspectos práticos da vida cristã, será fundamental seguirmos os passos de Cristo, pois Ele é, indiscutivelmente, o supremo modelo para a nossa vida cristã!

Portanto, nesta série, denominada de “Aspectos Práticos da Vida Cristã”, tentaremos percorrer algumas posturas adotadas por Cristo, tudo com o propósito de identificarmos qual deve ser a nossa postura cristã durante o tempo em que estivermos nesta terra, vivendo como seguidores de Cristo!

A. M. Cunha