sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

LANÇANDO JONAS AO MAR - O CAMINHO DA QUIETUDE

A Bíblia diz de si mesma: “Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração.” (Hebreus 4:12). Sabemos que a sabedoria e a graça divinas são multiformes (Jó 11.6, Efésios 3.10 e I Pedro 4.10). No propósito de Deus, a Palavra Divina também possui um caráter multiforme. Os mistérios da sabedoria e da graça divinas são descortinados na Palavra de Deus. É maravilhoso saber que a Palavra é múltipla. Assim, quando lemos o Salmo 23.1, não podemos limitar o alcance da revelação bíblica. A Bíblia não diz apenas que “O Senhor é o meu pastor”. Nesta porção temos a Palavra expressa: “O Senhor é o meu pastor”. Mas, existe a Palavra implícita. Se o Senhor é o meu pastor, isto significa que eu sou ovelha dEle. Esta é a Palavra implícita: “Eu sou ovelha do Senhor”!

Quando olhamos a narrativa bíblica da história do profeta Jonas, normalmente nos atemos ao chamado do profeta, à sua rebeldia inicial e à sua restauração. Isto é a Palavra expressa. Mas, nesta porção das Escrituras existem inúmeras expressões da Palavra implícita.

Procure lembrar-se da história deste profeta. No livro do profeta Jonas há um versículo muito interessante: “Entretanto, os homens remavam, esforçando-se por alcançar a terra, mas não podiam, porquanto o mar se ia tornando cada vez mais tempestuoso contra eles.” (Jonas 1:13).

Mergulhemos na Palavra implícita. Algumas pessoas estavam enfrentado dificuldades no mar e, por mais que se esforçassem, não obtiveram qualquer alívio. Agora pense no seguinte: Quem sabe você tem remado com muito esforço, mas não tem tido sucesso para chegar num lugar seguro e o mar da vida está se tornando cada vez mais violento diante dos seus olhos. Note que, neste estágio, aquela Palavra expressa passou a ter um novo conteúdo implícito em sua vida. Alguns eruditos chamam isto de Rhema.

Quando nos deparamos com a Palavra implícita, já alcançamos algo notável em nosso contato com a Palavra de Deus. No entanto, não podemos ficar num constante estado de contemplação, como que admirando o grande passo que damos em nosso encontro com a Palavra Implícita. Até este ponto você está dominando uma importante porção da Palavra de Deus. O Senhor, no entanto, tem algo superior para nós, pois não é suficiente saber algo da Palavra, mas é imprescindível dar uma utilidade prática com aquilo que sabemos.

Então, olhando para a Palavra implícita posta diante dos seus olhos, você precisa orar a Deus e identificar qual é o “Jonas” que você precisa lançar fora. Note o que a Bíblia diz: “E levantaram a Jonas e o lançaram ao mar; e cessou o mar da sua fúria.” (Jonas 1:15). Quando você identificar o que precisa ser lançado fora e, de fato, lançar ao mar estas coisas, a Palavra de Deus assegura que uma nova experiência virá sobre você, “a quietude do mar”.

Neste passo, você não apenas domina a Palavra, mas é dominado por ela. A Palavra implícita quer nos conduzir, não apenas à capacidade de dominar a Palavra de Deus, mas à virtude de sermos dominados por Ela. Desta forma, alcançaremos uma surpreende quietude em nosso espírito.

Nele, a serviço da Sua igreja.

A. M. Cunha

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Que É Necessário Para A Prática Da Revelação Bíblica - Parte Final


Arrebatados Do Pecado

Depois que realizamos, no poder do Espírito, a exposição de nossa vida ao conteúdo da Palavra, e nos abrimos para a revelação do pecado, e, prostrados diante do Pai, confessamos o nosso pecado, somos arrebatados do domínio do pecado, conforme Romanos 6:14  “Porque o pecado não terá domínio sobre vós; pois não estais debaixo da lei, e sim da graça.”. Desta forma, somos lançados totalmente no Reino do Espírito – mergulhados na dimensão de uma vida triunfante. Este é o caminho do arrependimento. Somos o povo do Reino, por isso, não há como fugirmos deste caminho: o arrependimento que nos conduz à vida abundante. Quando somos arrebatados do pecado, seus laços de morte são desfeitos. Em termos práticos, considerando o texto que temos analisado nesta pequena série de estudos – Efésios 5:21, podemos concluir que, após estes passos, passaremos a ter uma vida cristã com uma visível marca: a sujeição aos irmãos.

Continue praticando esta pequena instrução em busca da prática da revelação bíblica em sua vida. Focalize outros textos bíblicos e siga os passos apresentados aqui, quais sejam: exposição, revelação, confissão e arrebatamento.

Que o rico conteúdo das Escrituras Divinas saltem para a sua vida com poder transformador.
Em Cristo, servindo Sua noiva.

sábado, 28 de novembro de 2009

O Que É Necessário Para A Prática Da Revelação Bíblica - Parte Quatro


A Confissão Que Nos Reaproxima Do Pai


O Espírito de Deus tem uma poderosa obra a realizar em nós. O Apóstolo João nos mostra dois aspectos desta obra: 1) Convencer o mundo da justiça, do pecado e do juízo (João 16:8-11); 2) Guiar a toda a verdade (João 16:13). Como o Espírito atua em nossa vida para nos reaproximar do Pai Celestial? Ele revela a Palavra, nos concede graça para expormos a nossa vida diante das Escrituras e revela o nosso pecado. Desta forma, somos convencidos pelo Espírito de que precisamos urgentemente da confissão. A obra da confissão é o instrumento do perdão e da purificação (I João 1:9). Se o pecado nos distancia do Pai, a confissão nos reaproxima dEle. Este passo é maravilhoso! Assim, considerando o texto de Efésios 5:21, devemos nos prostrar diante do Senhor e confessar. Nosso único remédio é a confissão. É o momento de clamarmos: “Contra ti, contra ti somente, pequei, e fiz o que é mau diante dos teus olhos;” Salmo 51:4. Nossa confissão nos conduzirá à purificação - “Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.” Salmo 51:2.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O Que É Necessário Para A Prática Da Revelação Bíblica - Parte Três

A Revelação Do Nosso Pecado
Este é um momento muito importante. Sem este passo não teremos a confissão e muito menos o arrebatamento(1). Não estamos falando em Revelação da Palavra, mas na revelação do pecado. No texto sugerido na parte dois desta série de mensagens, a Palavra revelou um padrão de vida marcado pela sujeição uns aos outros no temor de Cristo – Esta é a Revelação da Palavra. Muitos podem ler esse texto e alcançar a Revelação da Palavra, mas nunca poderão experimentar uma mudança pessoal, a menos que tenham suas vidas expostas diante da Palavra.
Quando a nossa vida é profundamente exposta à Palavra, o caminho mal é revelado (Salmo 139:23-24), ou seja, o pecado é manifestado. Devemos perceber a seriedade do momento em que alcançamos esta revelação e o pecado é desmascarado em nossa vida. O pecado faz separação entre nós e o nosso Deus (Isaías 59:1-2). Na verdade, a revelação do nosso pecado é a revelação de nossa separação. Oh! Isto deveria causar arrepios em nós! Quando a nossa vida é confrontada com o texto de Efésios 5:21, podemos ser surpreendidos com o fato de que o nosso relacionamento com os irmãos está desprovido da sujeição biblicamente recomendada. Esta constatação demonstra que há pecado em nós. Este pecado nos separa do Pai Celestial! Isto é tremendamente sério para a vida do Corpo de Cristo. Assim, o Espírito de Deus, mediante o confronto de nossa vida com a Palavra, revela o caminho mal. No entanto, nossa jornada em busca da prática da revelação bíblica não termina aqui, carecemos de penetrar no próximo passo para recuperarmos a nossa comunhão com nosso Senhor!

(1) A expressão “arrebatamento”, usada aqui, não se refere ao rapto da igreja quando da segunda vinda de Cristo, mas ao cumprimento de Romanos 6:14 na vida do cristão, quando o cristão é arrebatado do domínio do pecado. A revelação deste texto é experimentada quando conhecemos a verdade - João 8:32. Devemos conhecer a verdade objetiva e a verdade subjetiva. Verdade objetiva é a experiência da Palavra, como livro que expressa a Vida Divina e a Verdade subjetiva é a experiência de Cristo em nós (Colossenses 1:27), Cristo como a Palavra Viva, o verbo divino (João 8:32, 14:6 e 17:17).

sábado, 21 de novembro de 2009

O Que É Necessário Para A Prática Da Revelação Bíblica - Parte Dois


A Exposição De Nossa Vida

A nossa vida deve ser exposta ao conteúdo revelado da Palavra. Diante do conteúdo bíblico que lemos, devemos ter uma mente disponível às lembranças de nossas práticas recentes ou mesmo aquelas mais distantes. Assim, quando nos deparamos, por exemplo, com o texto de Efésios 5:21, devemos realizar a exposição de nossa vida ao texto. O texto nos diz: “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.” Após a leitura do texto, é importante criarmos um momento de exposição de nossa vida – o confronto de nossas atitudes diante da Revelação bíblica. Alguns pontos podem nos ajudar:

1) Devemos nos lembrar dos acontecimentos recentes de nossa vida;
2) À medida que nos lembramos destes acontecimentos, devemos formular algumas perguntas, tais como: Nesta situação, a minha resposta foi uma resposta de evidenciou sujeição? Quais foram os sentimentos que surgiram em minha vida em decorrência destes acontecimentos? Estes sentimentos influenciaram na maneira como reagi aos fatos? Quais são as pessoas às quais eu tenho maior dificuldade para praticar este versículo? Consigo ver algum motivo para isso?

Lendo a Palavra com esta atitude, seremos incluídos numa condição tal que permitiremos que a nossa vida seja exposta ao poderoso conteúdo da Palavra de Deus.

Podemos fazer isso com quaisquer textos, formulando estas ou outras perguntas, conforme o caso.

Este é o desafio posto diante de nós.


Na próxima postagem abordaremos o tema: A revelação do nosso pecado.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

O Que É Necessário Para A Prática Da Revelação Bíblica - Parte Um

A revelação bíblica não é um conceito meramente teórico – a prática é o complemento da revelação. Assim, cada um é responsável pela prática daquilo que é revelado. Quando praticamos a revelação temos a restauração. Oh! grandioso é este mistério: a prática da revelação nos conduz à restauração!

Considerando o valor da prática da revelação para a obtenção de uma vida restaurada, cumpre-nos apontar alguns passos são fundamentais para que qualquer revelação bíblica seja praticada:

a) a exposição;
b) a revelação;
c) a confissão e;
d) o arrebatamento(1);

A igreja é a comunidade do reino e como tal, deve trilhar o caminho do arrependimento. Por isso, é importante que tenhamos o hábito de expor a nossa(2) vida diante das Escrituras. Esta exposição, conforme a obra do Espírito de Deus em nossas vidas, revelará o nosso pecado, nos convencerá dele e, mediante a confissão, nos arrebatará das suas mãos. Estes quatro passos: Exposição, revelação, confissão e arrebatamento nos farão conhecer o nosso Senhor numa dimensão especialmente profunda, pois, diante destes quatro passos alcançaremos a liberdade necessária para a prática da vida cristã autêntica.
Na próxima postagem abordaremos o tema: A exposição de nossa vida.

(1) A expressão “arrebatamento”, usada aqui, não se refere ao rapto da igreja quando da segunda vinda de Cristo, mas ao cumprimento de Romanos 6:14 na vida do cristão, quando o cristão é arrebatado do domínio do pecado. A revelação deste texto é experimentada quando conhecemos a verdade - Jo 8:32. Devemos conhecer a verdade objetiva e a verdade subjetiva. Verdade objetiva é a experiência da Palavra, como livro que expressa a Vida Divina e a Verdade subjetiva é a experiência de Cristo em nós (Colossenses 1:27), Cristo como a Palavra Viva, o verbo divino (João 8:32, 14:6 e 17:17).


(2) É importante notar que se trata da exposição da nossa vida. Devemos fugir à tentação de expor a vida dos demais irmãos – a vida que deve ser exposta é a nossa.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

EM BUSCA DA UNIDADE


Hoje me perguntaram se eu conhecia alguma oração na Bíblia que não foi respondida. Do outro lado da linha pude perceber um ar de surpresa com minha resposta. Sim, conheço uma oração sem resposta. Não se trata de uma oração qualquer. Não se trata de uma oração proferida por lábios manchados pelo pecado, por um coração egoísta, por uma mente tirana ou despótica. Esta oração não foi acompanhada por mãos sanguinárias sendo erguidas aos céus. Na verdade, esta oração foi proferida pelo Rei do Universo! Aqueles lábios acostumados a destilar o amor divino, agora sopravam ao céu uma súplica pelos muitos filhos de Deus que seriam gerados a partir da obra da cruz. Em sua súplica, o Senhor Jesus proferiu as seguintes palavras:

"Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra; a fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. Eu lhes tenho transmitido a glória que me tens dado, para que sejam um, como nós o somos;"
João 17.20-22

No entanto esta súplica ainda não foi respondida. Basta olharmos para a cristandade espalhada pela terra para percebermos este angustiante fato. Sim, é lamentável como os cristãos são perseverantes na prática de condutas que violam a unidade. O apóstolo Paulo, compreendendo o valor da unidade e sua importância para o testemunho cristão, proferiu importantes recomendações aos discípulos de Cristo quando disse:

“Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz; há somente um corpo e um Espírito, como também fostes chamados numa só esperança da vossa vocação; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos.”
Efésios 4:1-6

Paulo fala de um andar humilde, manso e longânime. Ele apresenta o amor como suporte para a vida uns dos outros. A seguir, o apóstolo nos lança diante de uma importantíssima atividade: esforçar-se para preservar a unidade do Espírito. Em primeiro lugar, não se trata de nossa unidade. Não podemos falar em unidade de nosso gueto. A unidade é do Espírito. Ele dá a unidade e nós devemos preservá-la com diligência e esforço.

Sim, a oração de nosso Senhor não foi respondida. Não temos nos esforçado em preservar a unidade. Temos tudo para preservá-la, pois há um só corpo e um só Espírito. Fomos chamados numa só esperança. Oh! Temos tudo para preservar a unidade, pois há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus! Este Deus é Pai de todos, é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. Por que insistimos na quebra da unidade?

Talvez os céus precisem bradar com inigualável fervor: A oração de Cristo que ainda não foi respondida é aquela em que Ele suplica que sejamos um. E esta resposta depende unicamente de nós!

A. M. Cunha