terça-feira, 3 de setembro de 2013

UM VISLUMBRE DA TEOLOGIA BÍBLICA DA OBEDIÊNCIA


Falar sobre obediência é algo que, como todo tema das Escrituras, deve ser olhado e explorado de acordo com o enfoque que a Bíblia Sagrada o aborda. E por que deve ser assim? Pela simples razão de que as Escrituras expressam a mente de Deus acerca de determinado tema. Como as Escrituras abordam a questão da obediência? Bem, o tema é muito abrangente e não temos condição de explorar todo este vasto conteúdo. Vejamos, no entanto, ainda que em poucas palavras, o que as Escrituras dizem sobre a obediência. Ressaltamos, o que nunca será demais enfatizar, que não temos a pretensão de promover uma exploração exaustiva deste tema, o faremos apresentando, tão somente, um vislumbre da “Teologia Bíblica da Obediência”.


I – A OBEDIÊNCIA É UM ATO PRODUZIDO PELA FÉ


Em primeiro lugar, a obediência bíblica é uma questão de fé, e fé na Palavra de Deus. É exatamente isso o que nos diz o autor da carta aos Hebreus quando afirma: “Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.” [Hebreus 11:8]. De acordo com esta porção das Escrituras, Deus chamou Abraão, dando-lhe uma ordem “vai para a terra que te mostrarei” [Gênesis 12:1]. O texto de Hebreus nos diz que “Pela fé, Abraão (...) obedeceu”. A fé produziu a condição necessária para a obediência. Podemos dizer, num certo sentido, que a obediência é um milagre da fé. Isso é maravilhoso, pois Deus fez, e ainda faz, com que pessoas que não Lhe obedeciam, passem a obedecer. Deus arranca pessoas do império das trevas e produz em suas vidas uma mudança tal que essas pessoas sentem-se impulsionadas a Lhe obedecer. Pois, de fato, “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” [II Coríntios 5:17].


II – A HUMANIDADE ESTÁ DIVIDIDA POR DEUS EM DUAS CLASSES DE PESSOAS A PARTIR DO CRITÉRIO DA OBEDIÊNCIA


Em segundo lugar, é importante perceber que Deus promove uma divisão da humanidade adotando como critério a obediência. De acordo com as Escrituras existem duas classes de pessoas, sob o prisma da obediência:


a) Os filhos da obediência: “Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;” [I Pedro 1:14];


b) Os filhos da desobediência: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;” [Efésios 2:1-2].


Os filhos da obediência devem ter um modo de vida que não se amolde às paixões próprias daqueles que estão na ignorância das coisas espirituais. Quanto aos filhos da desobediência a Escritura é clara ao afirmar que eles vivem em delitos e pecados, porque andam segundo o curso deste mundo [Efésios 2:1-2] e sobre eles vem a ira de Deus [Colossenses 3:5-6].


III – A OBEDIÊNCIA É UMA CLARA EXPRESSÃO DA VONTADE DE DEUS


Já vimos que a obediência é um ato produzido pela fé. Desta forma, somente os que têm fé é que estão capacitados para vivenciarem a obediência segundo o padrão divino. Em decorrência desse fato, já observamos que a humanidade está dividida em duas classes de pessoas: os filhos da obediência e os filhos da desobediência. Agora, em terceiro lugar, devemos ver mais um aspecto da obediência, qual seja: a obediência é uma clara expressão da vontade de Deus. Notemos o que a Palavra de Deus nos diz: “Portanto, obedecerás à voz do Senhor, teu Deus, e lhe cumprirás os mandamentos e os estatutos que hoje te ordeno.” [Deuteronômio 27:10]. No versículo anterior, Moisés declara o seguinte: “Guarda silêncio e ouve, ó Israel! Hoje, vieste a ser povo do Senhor, teu Deus”. Tal declaração é muito importante, pois Israel tornou-se povo de Deus. Em decorrência dessa realidade, Moisés apresenta a este povo a vontade de Deus: “obedecerás à voz do Senhor”. Sim, irmãos, a obediência é uma clara expressão da vontade de Deus! Os filhos da obediência devem obedecer ao Senhor! Quando obedecemos a Deus estamos vivendo segundo a Sua vontade! Muitas pessoas passam a vida perguntando: “Qual é a vontade de Deus”. Ouçam o que a Escritura diz: A vontade de Deus é a nossa obediência. É por isso que o Novo Testamento está cheio de mandamentos como estes: “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo.” [Efésios 6:1];“Quanto a vós outros, servos, obedecei a vosso senhor segundo a carne com temor e tremor, na sinceridade do vosso coração, como a Cristo,” [Efésios 6:5] e “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles”[Hebreus 13:17]. Quando assumimos uma postura de obediência, a vontade de Deus está bem perto de nós, pois a obediência é uma expressão da vontade de Deus!


IV – QUAIS OS BENEFÍCIOS DA OBEDIÊNCIA?


Em quarto lugar precisamos responder à seguinte pergunta: Quais os benefícios da obediência?


a) A obediência abre o caminho para sermos abençoados por Deus. Notemos o que nos diz a Bíblia Sagrada: “Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos:” [Deuteronômio 28:1-2]. O Senhor diz que sobre aqueles que Lhe obedecem virão e alcançarão várias bênçãos. Este é um glorioso caminho aberto pela obediência;


b) A obediência nos transforma em abençoadores. A Palavra de Deus afirma o seguinte acerca de Abraão e sua descendência: “nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” [Gênesis 22:18]. O contexto aqui foi a narrativa do sacrifício de Isaque. Abraão obedeceu ao Senhor. Por isso a Escritura diz: “porquanto fizeste isso” [Gênesis 22:16]. Isto significa que, em decorrência da obediência, a descendência de Abraão seria capaz de promover a benção de todas as nações da terra. Como é grandioso este benefício da obediência!


c) A obediência purifica a nossa alma. De acordo com as Escrituras, sempre que obedecemos à verdade revelada nas Escrituras nossa alma é purificada. “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente,” [I Pedro 1:22]. E de fato é assim! Quando obedecemos, na verdade estamos aplicando as verdades da Palavra de Deus ao nosso viver. Tal aplicação é poderosa para nos purificar. As Escrituras nos desafiam a perdoar [Colossenses 3:13], a amar nossos inimigos [Lucas 6:35], levar as cargas de nossos irmãos (Gálatas 6:2), a não praticarmos nada que seja mal [I Tessalonicenses 5:22], a fazermos tudo para vivermos em paz com todos os homens [Romanos 12:18]! Quando praticamos estas coisas, promovemos, ao mesmo tempo, a purificação de nossa alma!


V – É POSSÍVEL APRENDER A OBEDIÊNCIA


Em quinto lugar, as Escrituras deixam evidente que é possível aprender a obediência. O Filho de Deus, sendo detentor originário de toda soberania e autoridade, quando se tornou homem aprendeu a obediência. A Bíblia diz o seguinte: “embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu” [Hebreus 5:8]. Por mais indomável que pareça ser a nossa natureza, a obediência é uma possibilidade. Isto é maravilhoso! Não nos esqueçamos, porém, que, muitas vezes, o sofrimento será o caminho que devemos percorrer para aprendermos a obediência. De todo modo, conforta-nos saber que é possível aprendermos a obedecer! Nosso coração indomável pode ser domesticado pelo Senhor Jesus!


Finalizo afirmando que vivemos nos últimos dias da igreja neste mundo. O Espírito de Deus nos adverte que a obediência a espíritos enganadores é um perigo à nossa fé. Notemos as palavras da Escritura: “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,” [I Timóteo 4:1]. Este é um tempo de profunda vigilância, pois os espíritos enganadores já estão presentes. Nenhum de nós pode se considerar imune a estas coisas. Nosso maior remédio é a Palavra de Deus. Ao longo de nossa vida, temos contato com muitas ações espirituais: algumas são ações divinas, outras são ações de espíritos enganadores. É por isso que a Bíblia afirma o seguinte: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.” [I João 4:1]. Somos convocados a provar os espíritos, de modo que não devemos dar crédito a todos eles. Irmãos, nenhuma revelação espiritual pode ser absorvida por nós se tal revelação for contrária à Palavra de Deus! A Bíblia nos fornece uma importante diretriz quanto a esse assunto, quando afirma o seguinte: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,” [II Coríntios 10:4-5]. Tornamo-nos vulneráveis à ação dos espíritos enganadores a partir de nossa mente: Pensamos errado a respeito de nós mesmos; começamos a nos sentir superiores aos demais irmãos; começamos a nutrir sentimentos de orgulho, ódio, desavenças, desunião, etc. Quando permitimos que tais pensamentos inundem nossas vidas, tornamo-nos presa fácil. A Bíblia então recomenda: levem todo pensamento cativo à obediência de Cristo.

A. M. Cunha

Lista de alguns versículos que foram usados como suporte para esta breve reflexão:

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros.”

I Samuel 15:22

“Portanto, obedecerás à voz do Senhor, teu Deus, e lhe cumprirás os mandamentos e os estatutos que hoje te ordeno.”

Deuteronômio 27:10

e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo,”

II Coríntios 10:5

“embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”

Hebreus 5:8

“Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade, tendo em vista o amor fraternal não fingido, amai-vos, de coração, uns aos outros ardentemente,”

I Pedro 1:22

“nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.”

Gênesis 22:18

“Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,”

I Timóteo 4:1

“Como filhos da obediência, não vos amoldeis às paixões que tínheis anteriormente na vossa ignorância;”

I Pedro 1:14

“Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência;”

Efésios 2:1-2

“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência].”

Colossenses 3:5-6

 “Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos:”

Deuteronômio 28:1-2

“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia.”

Hebreus 11:8

domingo, 25 de agosto de 2013

PURIFICAÇÃO INTENCIONAL



O texto a seguir destina-se a esclarecer nossa constante atividade de purificação espiritual. Abordaremos, no entanto, o aspecto intencional desta purificação, fundamentados na expressão do apóstolo João que nos diz: “a si mesmo se purifica”. Não nos esqueçamos, porém, que este aspecto intencional da purificação tem o seu fundamento na “esperança”. De acordo com João 1:12, todos aqueles que se rendem a Cristo tornam-se filhos de Deus. O evangelho de João possui um versículo que revela esta verdade. O apóstolo João, em sua primeira carta, no capítulo três, nos apresenta especiais verdades sobre a vida espiritual, nos seguintes termos:

“Vede que grande amor nos tem concedido o Pai, a ponto de sermos chamados filhos de Deus; e, de fato, somos filhos de Deus. Por essa razão, o mundo não nos conhece, porquanto não o conheceu a ele mesmo. Amados, agora, somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que haveremos de ser. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro.”
I João 3:1-3

O texto nos diz que somos filhos de Deus e o mundo não nos conhece, exatamente por isso. Quando olhamos a nossa vida, percebemos que o mundo realmente não nos conhece: O mundo não compreende nossas prioridades, não entende porque nos dedicamos tanto a Deus para servi-lo e adorá-lo, bem como não compreende porque somos tão insistentes em termos comunhão com outros filhos de Deus. Sim, o mundo não compreende estas coisas, porque não consegue entender o motivo pelo qual insistimos tanto em nossa luta contra o pecado ou o motivo pelo qual nos privamos dos chamados “prazeres deste mundo”. Somente quem tem a natureza divina pode compreender estas coisas.

O apóstolo João fala ainda de uma esperança muito maravilhosa: “ainda não se manifestou o que haveremos de ser”. Sim, um dia, quando estivermos diante de Deus, plenamente salvos em Cristo Jesus, compreenderemos tudo plenamente e seremos o que haveremos de ser. Algo glorioso Deus tem para nós!

João nos diz algo mais. Ele nos diz que “todo o que nele tem esta esperança” passa por um processo de purificação intencional. Sim, olhamos não apenas para o tempo presente, mas para a eternidade. Por isso, lutamos contra nossa carne, nossas inclinações humanas e renunciamos todas as coisas que nos afastam de Deus, pois, aquilo que nos afasta de Deus neste tempo presente, poderá afastar-nos dEle no tempo eterno.

Como tornamos prática esta purificação? Vivendo e praticando alguns pilares na vida cristã:
1) Leitura, estudo e memorização da Palavra de Deus;
2) Oração, jejum e adoração;
3) Comunhão com outros irmãos – neste aspecto, nós promover uma aplicação corporativa dos dois pilares anteriores. A leitura, o estudo e a memorização da Palavra de Deus são compartilhados com outros irmãos. O mesmo acontece com a oração, o jejum e a adoração. Todos os pilares devem ser intencionalmente praticados em coletividade, visando, a um só tempo, o bem comum de todos os irmãos em Cristo e a glória de Deus!

Estas coisas, intencionalmente praticadas, fornecerão as ferramentas necessárias para a nossa purificação. Portanto, não nos esqueçamos: “a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança”.

A. M. Cunha

terça-feira, 20 de agosto de 2013

BUSCAI PRIMEIRO O REINO DE DEUS

Como ler a Bíblia Sagrada? Eis uma pergunta de singular importância. Longe de tentar fornecer uma resposta exaustiva a esta pergunta, gostaria de fornecer uma das formas mais eficazes para que possamos obter uma aplicação das Escrituras ao nosso viver diário. Refiro-me à leitura acompanhada com algumas perguntas. Denomino tais perguntas de “perguntas aplicativas”. De fato, é muito importante fazermos perguntas ao texto bíblico. Jamais nos esqueçamos, porém, que nosso objetivo não pode ser dominar a Escritura, mas deixarmo-nos dominar por Ela. A seguir, apresentarei algumas perguntas que podem ser feitas ao texto bíblico, adotando como exemplo o texto de Mateus 6:33.

Meditação em Mateus 6:33, usando as seis perguntas aplicativas.

“Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”                  Mateus 6:33

1) O que o texto fala sobre Deus? O texto nos revela que o Senhor possui um reino! Neste reino Ele é soberano. O texto mostra, também, que o Senhor possui justiça. Estas duas posses do Senhor: seu reino e sua justiça, são posses que devemos buscar. Se podemos buscá-las, é porque o Senhor deixou um acesso para nós. Elas estão acessíveis a nós. Oh! O Senhor deixou disponíveis, para nós, o seu reino e a sua justiça. Qual o reino que faz isso? Qual a justiça que faz isso? O nosso Senhor é acessível, é Deus presente, é Deus conosco e nos deixou o seu reino e a sua justiça.

2) Qual é a vontade de Deus expressa no texto? O que devo fazer? A vontade de Deus revelada é que, primeiramente, acima de tudo, devo buscar o seu reino e a sua justiça. Na verdade, este é um caminho de sujeição. Buscar ao reino significa que devo sujeitar-me ao Rei. Buscar a justiça significa que devo sujeitar-me à justiça do Rei. Sujeitar-se significa negar a própria vontade. A minha vontade inexistirá quando eu morrer. Por isso devo morrer para mim mesmo e viver para Deus. Quando estou morto, já não sou em quem vive mas Cristo vive em mim: “Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2:19 e 20). Comida, bebida, vestimenta, sustento, são todas coisas necessárias. Entretanto, elas não devem ser objeto de nosso buscar diligente. Nossa maior diligência deve ser em buscar o Reino de Deus e a sua justiça. As outras coisas devem ser “o nosso José”. José quer dizer: O Senhor acrescenta. Devo ver estas coisas como acréscimo do Senhor. Assim, as minhas roupas, minha comida, minha bebida, meu sustento, tudo isto, é o meu José. É acréscimo do Senhor! José, representa Cristo. Devo ver que as “outras coisas” são um acréscimo de Cristo a mim. Quando vivo na plenitude de Cristo em minha vida, todas “outras coisas” são um acréscimo de Cristo e existem para a Glória dEle. Não devo colocar nelas o meu coração. O meu coração deve estar no reino de Deus e na justiça de Deus.

3) Quais são as promessas de Deus para mim, minha família e Igreja? Pensamos que a grande promessa é o acréscimo. Se eu penso assim, corro o risco de “pretender buscar o reino” tão somente para ter o acréscimo. Miserável homem serei se pretender isto. Não há barganha com o Senhor do Reino. Sempre que eu pensar assim, não estarei buscando o reino, na verdade, estarei buscando os acréscimos. Por isso, irmãos, a grande promessa é a acessibilidade do reino e da justiça. Glória ao Senhor Jesus! Estas coisas estão acessíveis a nós. Aleluia! Esta é a grande promessa. Que gloriosa promessa é esta!

4) Quais são os pecados apontados? O pecado revelado é a negligência no reino e na Justiça de Deus. Quando busco o reino, devo ser um súdito no reino. Sou escravo, sou servo. Estou no reino para servir, para morrer, para ir à cruz, para negar-me a mim mesmo. Isto é buscar o Reino! Quando busco a justiça do reino, devo entender que não sou eu que me incluo no reino. É o Pai que me aceita. Ele me torna justo. Ele me justifica, ou seja, coloca a sua vida em mim e me torna participante de seu reino, livre o poder da condenação do pecado. Pelo pecado, jamais poderíamos ser aceitos no reino. Mas Jesus, nos justificou para sermos aceitos pelo Pai no seu reino. Por isto, não posso ser negligente em buscar o reino.  A negligência é um grave pecado, devo abominá-lo. “Semeai para vós em justiça, ceifai segundo a misericórdia; lavrai o campo de lavoura; porque é tempo de buscar ao SENHOR, até que venha e chova a justiça sobre vós.”(Oséias 10:12).

5) Há um exemplo de vida a seguir? Jesus é o nosso exemplo. Quando buscou o reino, Ele se tornou um súdito, veio para servir. Lavou os pés dos seus discípulos. Orou por todos. Morreu para que a vida se manifestasse em nós. Ele veio para servir. Quando buscou a justiça, mesmo sem pecado, buscou o batismo de arrependimento. Somente após o seu “arrependimento em figura” foi que Ele começou o seu ministério. Em figura, Nosso Senhor Jesus se arrependeu para servir. Buscou a justiça para ser súdito no reino. Que glorioso exemplo o Senhor nos deixou!

6) Quais são as atitudes que devo mudar ou assumir em minha vida? A minha atitude deve ser buscar. Devo buscar o que está acessível. O Reino está acessível. A justiça está acessível. Devo buscar diligentemente. Devo buscar em primeiro lugar. Devo correr de cidade em cidade. Devo proclamar a todos os meus irmãos que devemos buscar ao Senhor. “E os habitantes de uma cidade irão à outra, dizendo: Vamos depressa suplicar o favor do SENHOR, e buscar o SENHOR dos Exércitos; eu também irei.” (Zacarias 8:21)
Em Cristo e por seus interesses.

Ir. Arisvaldo.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

SOBRE O JULGAMENTO DAS PROFECIAS


“Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, e toda a língua confessará a Deus. De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.”
Romanos 14:10-13

A questão do julgamento nas escrituras deve ser mais bem compreendida por nós. Neste ponto, abordaremos especificamente a questão do julgamento das profecias. Precisamos lançar alguns pontos fundamentais, a saber:

1)     Não podemos desprezar as profecias (I Tessalonicenses 5:20);
2)     As profecias devem ser julgadas (I Coríntios 14:29).

As Escrituras dizem “Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mateus 7:1). Porém, outra porção das Escrituras afirma o seguinte: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” (João 7:24). Então, as Escrituras não proíbem o julgamento, como tem sido divulgado. Elas proíbem o julgamento baseado na aparência e sem fundamento na reta justiça. O apóstolo Paulo lança luz acerca disso ao afirmar o seguinte: “Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo.” (1 Coríntios 10:15). Observe que o julgamento aqui não está focado na pessoa, mas naquilo que a pessoa diz.

Quando à questão das profecias, devemos inicialmente observar o que nos diz o apóstolo Paulo em (1 Coríntios 14:32):E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas.” O que este texto significa? De uma forma resumida concluímos que este texto aponta para o seguinte: O exercício do dom de profecia pode ser influenciado pelo próprio profeta. Em outras palavras, é possível que algumas interferências influenciem o exercício deste dom. O profeta pode receber uma mensagem e adotar algumas posturas, como por exemplo: a) é possível que ele não fale exatamente aquilo que Deus revelou; b) é possível que ele, ao transmitir a mensagem, fale além daquilo que Deus revelou; e c) é possível que ele não transmita nenhuma mensagem. Como fazer então? Vamos rejeitar o exercício deste dom? Não, a Escritura é muito clara ao afirmar “Não desprezeis as profecias.” (1 Tessalonicenses 5:20). O que fazer então? Devemos julgar as profecias! Quero destacar: julgar as profecias e não os profetas. Estaremos cometendo algum pecado se julgarmos as profecias? Não, pois a própria Escritura diz o seguinte: “E falem dois ou três profetas, e os outros julguem.” (1 Coríntios 14:29).

Devemos observar algo muito importante aqui: Nenhuma profecia pode contrariar aquilo que Deus já revelou em Sua Palavra. Se isto acontecer, estamos diante de uma interferência no exercício deste dom. Assim, o conteúdo profetizado deve ser rejeitado, por uma razão muito simples: não se trata de uma profecia verdadeiramente bíblica!

Assim, irmãos, julguemos a profecia e não o profeta. Julguemos não segundo a aparência, mas segundo a reta justiça. Se seguirmos estes passos simples, o nosso julgamento das profecias não será um desprezo às profecias, mas um reconhecimento da Supremacia da Palavra de Deus.

Em Cristo.

Textos bíblicos de referência

  • E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. 1 Coríntios 14:29
  • Não julgueis, para que não sejais julgados. Mateus 7:1
  • E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. 1 Coríntios 14:32
  • Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça. João 7:24
  • Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo. 1 Coríntios 10:15
  • Não desprezeis as profecias. 1 Tessalonicenses 5:20