domingo, 25 de dezembro de 2022

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 3

Quando nos deparamos com alguém que está desanimado demais para prosseguir e cansado o bastante para continuar esperando, não raro costumamos dizer que a vida é um processo. Contudo, quantos de nós já paramos para verificar o que realmente significa a palavra “processo”?

Uma das definições que o Dicionário Michaelis apresenta para a palavra “processo” é a seguinte: “Sequência contínua de fatos ou fenômenos que apresentam certa unidade ou se reproduzem com certa regularidade; andamento, desenvolvimento. Noutras palavras, “processo” é o conjunto de fatos ou fenômenos que ocorre ao longo do tempo fazendo com que determinado resultado aconteça.

Nosso objetivo com a lição de hoje é compreender como aconteceu o processo de humanização de Cristo. Portanto, precisamos ter em mente que uma das nossas tarefas como discípulos de Jesus é reproduzir, em nosso viver cristão diário, um processo de humanização semelhante ao que Cristo experimentou! Como se processou a humanização de Cristo? Este é o questionamento que pretendemos responder nesta lição. Ousamos afirmar que o processo de humanização de Cristo foi concluído porque três importantes fenômenos ocorreram em sua biografia: A visão da necessidade, a convicção da necessidade e o suprimento da necessidade! Vejamos uma breve exposição de cada um desses fenômenos:

A VISÃO DA NECESSIDADE: Cristo contemplou a miserável situação da humanidade. O diagnóstico da Escritura é incisivo: Todos, sem qualquer exceção, pecaram e carecem da glória de Deus [Romanos 3:23]! Jesus Cristo teve a visão da necessidade humana. Ele não apenas contemplou o pecado, mas contemplou o efeito do pecado na vida humana.

De acordo com Isaías 59:1-2, o efeito imediato do pecado é a separação, o rompimento da comunhão entre o homem e Deus! Aos olhos de Cristo, a real necessidade da humanidade é a comunhão! Assim como Cristo, nós também devemos erguer os nossos olhos e contemplar esta necessidade. A grande necessidade da humanidade é viver em comunhão! As pessoas a nossa volta têm uma grande necessidade. E eu gostaria de reiterar aqui: A grande necessidade da humanidade é Comunhão.

Assim, por exemplo, quando alguém estiver enfrentando o desafio do sofrimento, o que elas mais necessitam é da nossa presença, muito mais do que das nossas palavras! A comunhão requer que a erva daninha da desunião seja eliminada. O apóstolo Paulo discorre sobre isso em 1 Coríntios 12:25-26, com as seguintes palavras: “para que não haja divisão no corpo, mas para que os membros cooperem, com igual cuidado, em favor uns dos outros. De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, todos os outros se alegram com ele.”.

O primeiro fenômeno, como vimos, foi a visão da necessidade. O segundo fenômeno é A CONVICÇÃO DA NECESSIDADE: Ao contemplar a necessidade humana e os nefastos efeitos do pecado na vida humana, Cristo assumiu o compromisso de apresentar um escape para a humanidade perdida. Eis a razão por que Cristo assumiu o compromisso de esvaziar-se a Si mesmo! Cristo viu a necessidade humana, mas não apenas isso, Ele estava plenamente convicto de que a restauração da comunhão com Deus era a real necessidade da humanidade! Por isso, Ele esvaziou-se a Si mesmo e veio a este mundo com o propósito de apresentar um escape para a necessidade humana!

Portanto, apenas a visão da necessidade não é suficiente para a manifestação de uma autêntica vida cristã. Será indispensável que aquele que contempla a necessidade esteja absolutamente convencido de que aquela necessidade é real e que algo precisa ser feito para que a necessidade seja suprida! Esse convencimento deve ser muito profundo, a ponto de provocar um forte e intransferível incômodo na vida na vida daquele que contempla a necessidade. Este incômodo, por sua vez, despertará a necessidade de que mudanças ocorram na vida daquele que contempla a necessidade, transformando-o num instrumento divino para que o necessitado tenha as suas necessidades finalmente supridas. Esta é uma poderosa dinâmica que fará com que a vida cristã autêntica saia da teoria e penetre no cotidiano dos relacionamentos humanos.

O terceiro fenômeno, por fim, é O SUPRIMENTO DA NECESSIDADE: Cristo não desistiu enquanto não apresentou o escape para a necessidade humana! O mecanismo utilizado pelo Senhor Jesus para desfazer a separação que havia entre o homem e Deus foi a promover a comunhão. Como Ele fez isso? Tornando-se homem! Isto somente foi possível, porque Ele experimentou mudanças no Seu estilo de vida: Ele esvaziou-se a Si mesmo, assumiu a forma de servo, tornou-se em semelhança de homens, foi reconhecido em figura humana e a Si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de Cruz! A humanidade estava devastada pelo pecado e irremediavelmente condenada a viver sem Deus, num eterno estado de sofrimento e dor! Cristo não ficou indiferente a esse estado de miséria humana! Usando a linguagem da parábola do bom samaritano, nós poderíamos dizer: Cristo não passou de largo em relação àquele que estava à beira do caminho da miséria. Ao contrário, Ele envolveu-se com o homem caído à beira do caminho – João 10:30-35.

Somente assim, a necessidade foi suprida. A humanização somente estará completa quando a necessidade for enfim suprida! Este foi o conjunto de fenômenos que Cristo vivenciou ao longo do tempo para providenciar o escape para a necessidade humana! Primeiramente, Ele viu a necessidade humana. Em seguida, Cristo compreendeu que a restauração da comunhão da humanidade com Deus era, de fato, a real necessidade que pesava sobre a história humana. Por fim, Ele agiu para suprir esta necessidade!

Ver a necessidade, convencer-se dela e, enfim, supri-la: Eis o caminho que devemos percorrer para experimentarmos o mesmo processo de humanização que Cristo experimentou! Deus deseja que vejamos a necessidade das pessoas que estão a nossa volta. O Espírito de Deus nos envolverá com uma poderosa convicção acerca da real necessidade das pessoas. O que elas mais precisam é ter a sua comunhão com Deus restaurada. Isso não ocorrerá sem que nos envolvamos com as pessoas e lhes apresentemos o Glorioso Evangelho de Jesus Cristo! De acordo com o texto de 2 Coríntios 5:20, nós falamos em nome de Cristo quando dizemos às pessoas: “Reconciliem-se com Deus!”.

Cristo experimentou a humanização para transformar a vida daqueles que estavam separados de Deus. Assim também nós devemos experimentar a humanização para que sejamos auxiliares de Cristo na gloriosa tarefa de restaurar a comunhão dos homens com Deus!

A. M. Cunha


domingo, 18 de dezembro de 2022

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 2

Os teólogos costumam fazer uso do vocábulo “encarnação” para descrever o processo por meio do qual Jesus Cristo veio a este mundo para salvar os pecadores! Nesta breve Série, nós faremos uso da ideia por trás deste do vocábulo “encarnação”, para transmitirmos algumas reflexões em torno do processo da encarnação de Cristo, que aqui denominaremos de “humanização de Cristo”, tudo com o propósito de identificar algumas posturas por Ele adotadas e, a partir de tais posturas, tentarmos extrair algumas lições que possam orientar qual deve ser a nossa postura nesta vida! Ressaltamos, ainda, que nesta Série, denominaremos essas posturas de “Aspectos Práticos da Vida Cristã”!

Sendo assim, para compreendermos os aspectos práticos da vida cristã, será imprescindível e extremamente revelador seguirmos os passos de Cristo, pois Ele é o nosso modelo! O que Ele fez é a expressão de tudo aquilo que nós devemos fazer! Por conseguinte, identificaremos, ao longo desta Série, algumas posturas adotadas por Cristo para que compreendamos qual deve ser a nossa postura Cristã durante os dias em que estamos peregrinando nesta Terra!

Inicialmente, faremos uma breve análise do modo como as ações ocorreram durante o processo de humanização de Cristo! Vejamos, portanto, alguns preciosos versículos da Palavra de Deus:

 

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez.”

João 1:1-3 

Cristo foi apresentado nestes versículos com “O Verbo Divino”, como “Deus”, como “Criador de todas as coisas”. Sem ele, nada do que existe existiria! Este texto mostra onde Cristo estava no princípio: No melhor ambiente para se viver – Na presença do Pai e em comunhão com o Espírito Santo. A escritura denomina este lugar de “Pátria Celestial”!

Enquanto Cristo desfrutava deste glorioso ambiente de comunhão, a humanidade estava vivenciando um profundo estado de perdição, o extremo oposto desta “Pátria Celestial”! O texto de Romanos 3:23, assim descreve a condição humana: “pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus”.

A humanidade, sem nenhuma exceção, foi descrita neste versículo como sendo formada por pecadores que estão afastados da glória de Deus! A humanidade, portanto, foi descrita como imersa no pecado, cujo salário, conforme Romanos 6:23, é a morte!

Cristo, porém, não se manteve em estado de inércia diante do deplorável estado espiritual no qual a humanidade se encontrava. Os textos de João 1:14 e Filipenses 2:5-8 são extremamente reveladores quanto o que Cristo fez diante deste deplorável estado:

 

“E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”

João 1:14 

“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”

Filipenses 2:5-8

De acordo com estes textos, Cristo abandonou o lugar onde estava, esvaziou-se a Si mesmo e assumiu uma nova forma, a forma humana. Por que Cristo tomou tal decisão? A resposta é, porque Ele contemplou a situação da humanidade caída e compadeceu-se do seu deplorável estado espiritual.

Outro texto bíblico que é muito importante para a nossa análise é o texto de Gálatas 4:4-5, que nos diz o seguinte:

 

“vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos.”

 

Esse precioso texto bíblico anuncia que o homem seria resgatado por Cristo e receberia uma nova natureza: A natureza de filho de Deus! O homem seria, portanto, libertado da escravidão de pecado! Isso somente foi possível porque Cristo tomou a decisão de esvaziar-se a Si mesmo e assumir a forma humana, com o propósito de morrer para que todo aquele que nele cresse pudesse obter a vida eterna!

Vejamos mais um importante texto bíblico:

 

“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.”

1 João 3:16

Este texto possui duas cruciais informações: Em primeiro lugar, vemos que Cristo deu a Sua vida por nós. Em segundo lugar, somos confrontamos com o mandamento de que nós devemos dar a nossa vida pelos irmãos! Noutras palavras, o texto bíblico apresenta a seguinte orientação: Se agirmos do mesmo modo como Cristo agiu, nós seguiremos os Seus passos!

Sim irmãos, todo este conjunto de textos bíblicos serviu de base para que pudéssemos compreender que Cristo é o nosso modelo! Há uma crucial informação em tudo isso: Para mudar a nossa vida, Cristo mudou a dele! Ele saiu do lugar onde estava, mudou a Sua forma, esvaziou-se a Si mesmo: Tudo para mudar a nossa vida! Por conclusão, podemos inferir que se quisermos mudar a vida de alguém, precisamos mudar a nossa própria vida!

A essa radical e importante mudança denominaremos de “humanização”. A humanização de Cristo está muito claramente descrita em Filipenses 2:5-8, onde se diz que Ele esvaziou-se a Si mesmo, assumiu a forma de homem. Noutras palavras, Ele penetrou na vida cotidiana dos homens! Foi desta forma que Cristo humanizou-se, pois passou a fazer parte da vida dos homens, tudo com o propósito de lhes oferecer uma oportunidade para serem transformados para sempre!

Quando olhamos para a nossa vida, o que percebemos? Normalmente, desfrutamos de uma vida espiritual particular, pois ficamos presos em nosso cantinho individual – vivendo de nós para nós mesmos! Se continuarmos assim, nossa visão será limitada. Veremos apenas o que está em nosso “mundo particular” e jamais veremos as outras pessoas, ou sentiremos necessidade de ajudá-las, ou de compartilhar suas alegrias e suas dores! É por isso que precisamos de humanização! Precisamos sair de nosso mundo particular e penetrar na vida cotidiana das pessoas que estão ao nosso redor! Em resumo, DEVEMOS PRATICAR JOÃO 1:14. O nosso “mundo particular” é a nossa vida, a nossa casa, o nosso templo, o nosso cantinho de vida. Porém, assim como Cristo, nós devemos experimentar o processo de humanização, e, por conseguinte, experimentarmos uma mudança em nossa vida para que possamos auxiliar na mudança da vida de outras pessoas. Se fizermos isso, tornaremos João 1:14 uma realidade em nossa vida!

A. M. Cunha


domingo, 11 de dezembro de 2022

ASPECTOS PRÁTICOS DA VIDA CRISTÃ - EPISÓDIO 1

A vida cristã é um extraordinário convite à prática das virtudes anunciadas pelo Evangelho de Jesus Cristo! Descobrir quais são estas virtudes é algo muito bom, contudo, colocá-las em prática é algo extraordinariamente melhor! O apóstolo Tiago disse certa vez: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando-se a si mesmos” [Tiago 1:22]. De fato, sem a prática da Palavra de Deus, tudo o que teremos será engano. Na ótica de Jesus, a ausência de prática da Palavra significava que os alicerces, nos quais a vida foi construída, não serão capazes de garantir a estabilidade espiritual que somente pode ser obtida por uma criteriosa e perseverante prática das Escrituras!

A Grande Comissão, por exemplo, é extremamente pedagógica quanto a este aspecto. Em suas Palavras, Jesus nos ordenou o seguinte: “fazei discípulos de todas as nações [...] ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado” [Mateus 28:19-20]. Observe cuidadosamente as palavras destes versículos: Jesus não nos deu um mandamento para ensinarmos “todas as coisas que Ele ordenou”, mas para “ensinarmos a guardar” todas as coisas que Ele ordenou. Embora pareça insignificante, há uma diferença crucial entre estas duas expressões!

A primeira delas, qual seja, “ensinar todas as coisas”, reproduz o comando de meramente ensinar o que Jesus ordenou. A segunda, a saber, “ensinar a guardar todas as coisas”, por outro lado, possui a seguinte essência: Ensinar a guardar! Em outras palavras, “ensinar a obedecer”! Essa segunda ordem requer muito mais do que uma mera reprodução das coisas que Jesus ensinou, pois, tal ordem, por outro lado, requer que pontes sejam construídas pela igreja para que os seguidores de Cristo, aprendam a ir além de meramente ouvir sobre o que Jesus ordenou. Noutro giro, os seguidores de Cristo devem ser profundamente encorajados a obedecer as coisas ensinadas por Jesus no Seu Evangelho!

Voltemos novamente para as orientações do apóstolo Tiago. De acordo com Tiago, se apenas ouvirmos a Palavra sem colocarmos em prática os Seus ensinamentos, enganaremos a nós mesmos! Há uma sutil tentação que tem assolado o povo de Deus: Ser apenas ouvinte da Palavra! Muitos dos seguidores de Cristo estão sendo tentados a apenas ouvirem a Palavra de Deus, sem, contudo, colocá-la em prática! Este comportamento tem provocado grandes males para a espiritualidade do povo de Deus! E tudo isso tem ocorrido muito em função desse sutil engano. Jamais deveríamos nos esquecer que Satanás é a fonte do engano. Foi isso que ele fez com Eva no sagrado solo do Paraíso: Ele a enganou distorcendo as palavras que Deus lhe havia proferido! E agora, de acordo com o apóstolo Tiago, somos orientados no sentido de que, se formos apenas ouvintes da Palavra, sem, contudo, praticá-la, seremos enganados, assim como Eva foi enganada.

O engano causará um profundo esfriamento em nossa vida espiritual, até que sejam completamente destruídos! Contudo, se conhecermos a verdade, seremos libertados, pois, de acordo com Jesus em João 8:32, se conhecermos a verdade ela nos libertará!

Uma grande questão que devemos responder é a seguinte: Como as Verdades do Evangelho chegaram até nós? A primeira ação, por meio da qual tudo o que conhecemos acerca das verdades do Evangelho tornou-se possível, foi a Encarnação de Jesus Cristo! Nesta série, chamarei a encarnação de Jesus Cristo de “A humanização de Cristo”. Noutras palavras, tudo o que sabemos sobre as Verdades do Evangelho somente foi possível porque Cristo, que é Deus preexistente, tornou-se homem e habitou entre nós! O evangelista João assim descreve esse momento: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.” [João 1:14].

Nesta série de reflexões bíblicas, nosso propósito será olhar para a Humanização de Cristo, e tentar identificar algumas posturas adotadas por Ele e, a partir destas posturas, extrair algumas lições que possam orientar qual deve ser a nossa postura nesta vida! Uma vez que somos seguidores de Cristo, é crucial e indispensável seguirmos os Seus passos! Assim, para compreendermos adequadamente quais são os aspectos práticos da vida cristã, será fundamental seguirmos os passos de Cristo, pois Ele é, indiscutivelmente, o supremo modelo para a nossa vida cristã!

Portanto, nesta série, denominada de “Aspectos Práticos da Vida Cristã”, tentaremos percorrer algumas posturas adotadas por Cristo, tudo com o propósito de identificarmos qual deve ser a nossa postura cristã durante o tempo em que estivermos nesta terra, vivendo como seguidores de Cristo!

A. M. Cunha


domingo, 4 de dezembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 16

O capítulo 16 do Evangelho Segundo Marcos reserva uma especial ordem dada por Jesus aos Seus discípulos: “Vão ao mundo inteiro, e anunciem as boas-novas a todos.” [Marcos 16:15]. Esta ordem, conhecida como “A Grande Comissão”, é a ordem final contida neste Evangelho. Antes dela, mais precisamente no início da caminhada espiritual dos discípulos de Jesus, outra ordem impactaria suas vidas para sempre: “Venham! Sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de gente.” [Marcos 1:17]. O mandamento “Venham” precedeu o mandamento “Vão”! Sempre será assim, para “ir” é preciso primeiro “vir”! Esta primeira ordem pode ser chamada de “O Grande Chamamento”. Ao lhes dar esta ordem, Jesus estava convidando os Seus discípulos para uma “imersão”: [a] primeiramente, uma imersão nas verdades inerentes ao Reino de Deus; [b] depois, uma imersão numa jornada de íntima comunhão com Ele; e [c] por fim, uma imersão num extraordinário treinamento prático quanto aos ensinamentos e ao poder inerentes ao Reino de Deus! Num certo sentido, pode-se dizer, portanto, que eles foram imersos na “Cultura do Reino de Deus”.

Quando a “Cultura do Reino de Deus” tornou-se a essência de suas vidas, aqueles discípulos foram, por fim, alvos de um novo mandamento: “A grande Comissão”. Este último mandamento não foi uma ideia de última hora do Filho de Deus, pois ele já integrava o âmago do “Grande Chamamento”, como se pode observar nas palavras: “e eu farei de vocês pescadores de gente” [Marcos 1:17]. “Ser um pescador de homens” era, portanto, o embrião do mandamento que viria a ser conhecido como “A Grande Comissão”. Se o “Grande Chamamento” foi um convite para que os discípulos de Jesus fossem “imersos” na “Cultura do Reino de Deus”, a “Grande Comissão” veio a ser um convite para que eles “compartilhassem” a “cultura do Reino de Deus” com um mundo perdido e afastado dos valores verdadeiramente espirituais!

A. M. Cunha

domingo, 27 de novembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 15

Assim como na língua portuguesa, a língua grega também possui um verbo de ligação que significa “ser” ou “estar”: Trata-se do verbo εἰμί [aimi]. O presente do indicativo deste verbo, relativamente à terceira pessoa do singular é ἐστί [esti], que significa “ele é” ou “ele está”. No tempo imperfeito, este verbo é conjugado na terceira pessoa do singular da seguinte forma: ἦν [ein], cujo significado é “ele era” ou “ele estava”.

No capítulo 15 do Evangelho Segundo Marcos, o centurião, que presenciou o exato momento da morte de Jesus, fez uso do verbo εἰμί no tempo imperfeito para declarar algo a respeito de Jesus. Ele disse: “Verdadeiramente, este homem era o Filho de Deus.” [Marcos 15:39]. Esta, embora seja uma linda declaração, não revela toda a essência de Jesus Cristo. E por que faço esta afirmação? Justifico afirmando que, à luz da declaração daquele centurião romano, Jesus era o Filho de Deus e deixou de ser, pois a morte o destituiu desse atributo!

No entanto, as Escrituras afirmam algo extraordinariamente maravilhoso a respeito do Messias divino que estava diante daquele centurião romano. As Escrituras dizem: “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo e o será para sempre.” [Hebreus 13:8]! À luz dessa porção das Escrituras, Jesus é, foi e continuará sendo o Filho de Deus! A morte não poderia destituí-lo deste glorioso atributo! Provavelmente, o centurião tenha usado o verbo εἰμί no tempo imperfeito, quando se referiu a Jesus, porque até então não lhe havia sido revelado que a morte jamais seria a palavra final na história do Filho de Deus, pois a ressurreição de Jesus romperia “os grilhões da morte”, numa veemente declaração de que “não era possível fosse ele retido por ela.” [Atos 2:24]. Definitivamente, Jesus não apenas era o Filho de Deus. Ele era, é e sempre será o Eterno Filho de Deus!

A. M. Cunha


domingo, 20 de novembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 14

“Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens.” Este foi um maravilhoso convite que Jesus fez a Pedro e seu irmão André, conforme Marcos 1:17. Durante um considerável período de sua peregrinação com Cristo, o apóstolo Pedro andou bem em sua tarefa como discípulo de Jesus. Contudo, o capítulo 14 do Evangelho Segundo Marcos revela uma negra página na história desse apóstolo, que culminou com o momento em que Pedro negou Jesus.

Quem nunca deslizou? Quem nunca, ainda que por um breve momento, deixou de atender adequadamente o convite de Jesus? Assim que Jesus foi preso, Pedro, talvez por medo de ter o mesmo destino, inaugurou uma nova forma de desobediência: uma desobediência sutilmente disfarçada de obediência! O texto bíblico anuncia que Pedro ainda continuava seguindo Jesus, porém, ele O estava seguindo de longe [Marcos 14:54]! Seguir a Jesus de longe era uma sutil forma de desobediência! Aparentava obediência, pois ele ainda estava seguindo o mestre. Contudo, a forma como Pedro passou a seguir Jesus naquela ocasião, era, na verdade, uma clara demonstração de desobediência!

Esta sutil desobediência traria suas consequências para a vida de Pedro! Toda desobediência, ainda que sutil, tem o seu custo! Pedro negou Jesus três vezes, este foi o custo! Seguir a Jesus de longe faz com que o “seguidor” experimente um esfriamento do seu amor para com Cristo. Aquele que segue a Cristo de longe não estará verdadeiramente comprometido com o Divino Mestre! Por conta dessa falta de comprometimento, o apóstolo Pedro negou Jesus três vezes [Marcos 14:72]. Numa dessas ocasiões em que ele negou Jesus, Pedro começou a praguejar e a jurar, afirmando veementemente que não conhecia Jesus [Marcos 14:71]!

Felizmente, assim que ouviu o galo cantar, Pedro se arrependeu! Diz o texto bíblico que ele, “caindo em si, desatou a chorar” [Marcos 14:72]! É óbvio que o choro nem sempre significa arrependimento, mas aquele choro sim, pois a Escritura, ao registrar o choro de Pedro, menciona uma gloriosa expressão: “E, caindo em si”! Esta é uma declaração que revela arrependimento, a mesma expressão utilizada para o “filho pródigo” [Lucas 15:17]. O arrependido filho teve um novo começo para sua vida. Idêntico recomeço, estava reservado para Pedro, pois o arrependimento é o único remédio para os momentos em que deslizamos em nossa fé!

A. M. Cunha


domingo, 13 de novembro de 2022

EVANGELHO SEGUNDO MARCOS - CAPÍTULO 13

O primeiro versículo do capítulo 13 do Evangelho Segundo Marcos contém uma expressão muito interessante: “Ao sair Jesus do templo, disse-lhe um de seus discípulos”. Uma espiritualidade superficial poderá ser capaz de nos preparar para sabermos o que devemos fazer quando entramos no templo. Contudo, uma importante, crucial e instigante pergunta deve ser cuidadosamente enfrentada pelos discípulos de Cristo: Realmente sabemos o que devemos fazer quando saímos do templo?

Os versículos de 3 a 36 do capítulo 13 do Evangelho Segundo Marcos contém um conjunto de revelações proféticas que foram proferidas quando Jesus saiu do templo. O que se espera, como uma condição de normalidade da vida espiritual, é a existência de revelações que são proferidas quando entramos no templo! O texto de hoje, contudo, mostra que um importante conjunto de revelações proféticas foi proferido por Jesus assim que Ele saiu do templo. A narrativa do capítulo 13 do Evangelho Segundo Marcos possui um conteúdo profético muito interessante, cujo propósito era preparar os discípulos para o que eles haveriam de enfrentar no futuro. Naquela ocasião, Jesus anunciou aos Seus seguidores que os últimos dias seriam o palco para os seguintes acontecimentos:

 

[Em primeiro lugar] O surgimento de falsos mestres, cujo propósito será enganar sorrateiramente os seguidores de Cristo, fazendo com que eles se desviem do caminho reto e sejam dominados pelo erro e pelo pecado [versículos 6, 21 e 22];

[Em segundo lugar] O surgimento de guerras e rumores de guerras, terremotos e fome [versículos 7 e 8];

[Em terceiro lugar] O surgimento de uma implacável perseguição contra os seguidores de Cristo, inclusive no ambiente familiar [versículos 9, 11 a 13];

[Em quarto lugar] O surgimento de sinais extraordinários nos céus [versículos 24 e 25]; e, por fim;

[Em quinto lugar] O retorno de Cristo! Isto mesmo, Cristo voltará novamente [versículos 26 e 27]!

 

Todas estas coisas foram profeticamente anunciadas por Jesus. O evangelista Marcos registra as seguintes palavras de Jesus: “Estai vós de sobreaviso; tudo vos tenho predito” [Marcos 13:23].

Voltemo-nos, agora, à pergunta anteriormente formulada: Realmente sabemos o que devemos fazer quando saímos do templo? O texto bíblico responde de forma contundente: “vigiai e orai” [Marcos 13:33]. Oração e vigilância espiritual não são tarefas que devem ser praticadas unicamente quando estamos no templo. Também devemos praticá-las quando estamos fora do templo, e isso, com mais intensidade e com um acurado sentimento de perseverança!

Há, porém, algo revelado nas entrelinhas deste precioso capítulo que revela algo mais que devemos fazer: Mas é necessário que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações.” [Marcos 13:10]. Assim, temos uma magnífica revelação acerca do que devemos fazer quando saímos do templo: pregar, orar e vigiar! Esta prática promoverá um extraordinário impacto em nossa geração!

Contudo, devemos ter especial atenção, pois pregar envolve muito mais do que falar; envolve viver o que é pregado, tão intensamente quanto possível e nas mais variadas circunstâncias da vida! As verdades do evangelho de Jesus Cristo devem ser o objeto de nossa pregação e o modelo a partir do qual nós devemos expressar a vida cristã!

Assim, sob a luz das Escrituras, nós devemos viver conforme as diretrizes do Evangelho de Jesus Cristo, de modo que possamos afirmar: Nós vivemos como vivemos porque o Evangelho aponta o caminho, ele inspira o nosso estilo de vida! Quem vive conforme o fluxo do Evangelho, nada pode pregar senão o próprio Evangelho, pois o Evangelho de Jesus Cristo é, a um só tempo, o marco teórico da nossa pregação e a diretriz final para o nosso estilo de vida!

A. M. Cunha