sábado, 14 de dezembro de 2019

O PODER "JÁ" E "AINDA NÃO"


“Por esta causa, me ponho de joelhos diante do Pai, de quem toma o nome toda família, tanto no céu como sobre a terra, para que, segundo a riqueza da sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o seu Espírito no homem interior; e, assim, habite Cristo no vosso coração, pela fé, estando vós arraigados e alicerçados em amor, a fim de poderdes compreender, com todos os santos, qual é a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade e conhecer o amor de Cristo, que excede todo entendimento, para que sejais tomados de toda a plenitude de Deus. Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Efésios 3:14-21

O apóstolo parece sugerir que o “poder” pode ser percebido sob uma dupla perspectiva, a saber, o poder “já” e “ainda não”. Observe que em Efésios 3.16, o apóstolo Paulo, mencionando as orações que promove em favor dos cristãos de Éfeso, faz referência a um “poder”, em relação ao qual os cristãos ainda serão fortalecidos. Em sua oração, o apóstolo suplica que o “Pai [...] vos conceda que sejais fortalecidos com poder”.

Um pouco mais adiante, no entanto, o apóstolo, em Efésios 3.20, precedendo a adoração registrada em Efésios 3:21, faz menção a um “poder” que já atua em nós, por isso ele afirma que Deus “é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos”. O apóstolo Paulo descreve esse “poder” como o “poder que em nós opera”.

Somos alvos, portanto, de um poder “já” e “ainda não”. O “poder já” cuida do nosso presente e o “poder ainda não” pavimenta o nosso futuro! Em tudo, portanto, somos guardados pelo Senhor e por Seu inefável poder!
A. M. Cunha

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

VIGÉSIMA SEÇÃO – SALMO 119:155



Salmo 119:155 – “A salvação está longe dos ímpios, pois não procuram os teus decretos”. Quando o salmista faz uso da expressão “procuram os teus decretos”, ele o faz focado no fato de que as Escrituras são uma preciosa fonte de salvação, de modo que a busca pela Palavra do Senhor introduz o homem numa jornada de salvação. Noutro sentido, e este é o ponto destacado pelo salmista, os ímpios estão longa da salvação exatamente porque neles não há qualquer desejo de buscar a Palavra de Deus! O vocábulo hebraico traduzido por “procuram” é דָּרַשׁ [darash], que possui o sentido de “procurar com cuidado [...] buscar com aplicação”. O ímpio jamais poderá empreender uma busca diligente, a menos que seja alcançado pela graça divina e, por ela, seja conduzido ao arrependimento. O profeta Jeremias afirma: “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” [Jeremias 29:13]. O líder Moisés deu mostras desta busca diligente, demonstrando que o arrependimento é importante modo pelo qual tal busca poderia ser realizada. Em suas palavras, Moisés faz o seguinte anúncio: “buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma” [Deuteronômio 4:29]. O coração arrependido desperta no homem o desejo de buscar a Palavra de Deus, e esta, uma vez buscada diligentemente, introduz o homem nos caminhos da salvação.
A. M. Cunha

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

O AMOR, A FÉ E A RETROATIVIDADE DA SALVAÇÃO PELA GRAÇA


“a quem, não havendo visto, amais; no qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória, obtendo o fim da vossa fé: a salvação da vossa alma. Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada”.
1 Pedro 1:8-10

O texto de I Pedro 1:8 e 10 coloca-nos diante de dois grandiosos mistérios da salvação pela graça:
[1] O amor e a fé em Cristo não dependem daquilo que vemos: I Pedro 1:8 afirma que amamos a quem não vimos e cremos em quem ainda não vemos. O texto não pretende afirmar que é falso o amor que, por vezes, baseia-se naquilo que se vê. Seu propósito, porém, é tão somente afirmar que é possível amar ainda que não se tenha visto. A fé segue idêntico caminho: É possível crer ainda que não se tenha visto. Foi Cristo quem disse: “Bem-aventurados os que não viram e creram” [João 20:29].
[2] A retroatividade da salvação pela graça: I Pedro 1:10 diz que os profetas profetizaram acerca da graça destinada a nós. Uma pergunta, portanto, precisa ser respondia: Mas, e eles? Como aqueles que profetizaram foram alcançados pela graça se Cristo morreu centenas de anos após o tempo em que eles profetizaram? Eles foram alcançados pela retroatividade da salvação pela graça! O texto de Hebreus 9:15 afirma que Jesus “é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa da eterna herança aqueles que têm sido chamados”. Os profetas viveram no período da primeira aliança. Portanto, eles também foram alcançados pela salvação pela graça! Isto foi possível porque Jesus, o Cordeiro de Deus, “foi morto desde a fundação do mundo” [Apocalipse 13:8].
A. M. Cunha

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

SACRIFÍCIO VIVO, SANTO E AGRADÁVEL


“Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”
Romanos 12:1-2

Paulo inicia a exposição bíblica deste precioso capítulo transmitindo a ideia a apresentação do nosso corpo a Deus. O vocábulo grego traduzido por “apresenteis” é παριστάνω [paristemi], que possui interessantes usos na língua grega, tais como: [a] colocar ao lado ou próximo a; [b] deixar à mão ou colocar uma pessoa ou algo à disposição de alguém; [c] apresentar uma pessoa para outra ver e questionar; [d] trazer ao próprio círculo de amizade ou íntimidade. Paulo poderia ter em mente qualquer um destes usos, pois o nosso ato de entrega a Deus revela [a] proximidade, [b] disponibilidade, [c] vulnerabilidade e [d] intimidade.

De acordo com esta porção das Escrituras, existem três importantes configurações que nossa vida deve assumir para que então, a ofereçamos a Deus: Nossa vida deve ser: [1] Um sacrifício vivo; [2] Um sacrifício santo; e [3] Um sacrifício agradável.

[1] O sacrifício deve ser vivo, pois a nossa vida somente pode ser aceita se houver vida espiritual, ou seja, o ofertante tiver experimentado o novo nascimento. A Bíblia nos fala de um testemunho segundo o qual “Deus nos deus a vida eterna; e esta vida está no seu filho” [1 João 5:11].

[2] O sacrifício deve ser santo, pois sem a santificação ninguém verá o Senhor [Hebreus 12:14]. A santificação não se resume a conjunto de atitudes pelas quais fazemos ou deixamos de fazer algo. A santificação é a própria pessoa de Jesus em nossa vida, pois nós, os que nascemos de novo, somos de Deus, “em Cristo Jesus, o qual se nos tornou, da parte de Deus [...] santificação” [1 Coríntios 1:30].

[3] O sacrifício deve ser agradável, pois o ofertante deve promover a entrega de sua vida mediante a fé, uma vez que, sem fé é impossível agradar a Deus [Hebreus 11:6], pois aquele que é da fé não retrocede para a perdição, mas avança nos caminhos da “conservação da alma” [Hebreus 10:39].
A. M. Cunha

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

O ABANDONO SENIL


Ultimamente se tem percebido, e com certa frequência, o acirramento do que se pode chamar de “abandono senil”. Em vários espaços sociais, inclusive no ambiente eclesiástico, os idosos estão sendo insensivelmente esquecidos, emocionalmente abandonados e espiritualmente desalojados. Uma cruel e dilacerante amnésia quanto à contribuição deles para com a vida de todos parece tomar conta de muitos. O envelhecimento é um pedacinho de todos nós! Portanto, se as coisas continuarem assim, essa cultura de “abandono senil” nós engolirá a todos, tornando-nos insensíveis para com os obstáculos próprios da senilidade e transformando-nos numa sociedade irremediavelmente culpada por aniquilar a esperança da jornada daquele que muito viveu e ainda muito pode viver! Pela cultura do “abandono senil”, não apenas se tem abandonado quem é idoso, mas se tem construído uma cultura que, com requintes de crueldade e insensibilidade, abandonará aquele que hoje abandona!
A. M. Cunha

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

POR QUE SUA VIDA FOI ENTREGUE A JESUS?


UMA PERGUNTA PARA HOJE
Você alguma vez foi confrontado com a pergunta: “Por que você entregou sua vida a Jesus?” Se me tivessem feito essa pergunta no exato dia eu que rendi minha vida a Cristo, eu sinceramente não saberia o que responder. Se alguém perguntasse isso a você, qual seria sua resposta? Quem sabe sua resposta girasse em torno do seguinte: Eu fiz isso porque me prometeram que Ele salvaria o meu casamento, acertaria as minhas finanças, restauraria a minha saúde, ou outra resposta dessa natureza.

Hoje, no entanto, eu sei qual deveria ser minha resposta: Minha vida foi rendida a Jesus porque Nele eu vejo claramente o amor de Deus por mim, muito embora eu tenha sido e ainda continue sendo um pecador [Romanos 5:8]. Ele, conquanto não tenha sido merecedor de nenhuma das dores, angústias e rejeições que suportou, ainda assim prosseguiu nessa jornada porque o Seu propósito era morrer pelos meus pecados [1 Coríntios 15:3]! Eu o fiz, porque em mim não havia justiça, nenhuma sequer, como também não havia nenhum desejo de buscá-lo [Romanos 3:10-11]! Eu o fiz, porque, como todos, eu era pecador [e ainda continuando sendo] e falhei completamente em todas as tentativas de me tornar participante da glória de Deus [Romanos 3:23]! Eu o fiz, porque estava morto em meus delitos e pecados [Efésios 2:1]! Eu o fiz, porque era, a um só tempo, filho da desobediência e filho da ira [Efésios 2:2-3]! Eu o fiz, porque desesperadamente precisava ser salvo pela graça, mediante a fé [Efésios 2:8]! Eu o fiz, porque nenhuma das minhas obras, nem mesmo as mais nobres e diligentes, seria capaz de me conceder o direito de ser salvo, porque a glória da salvação pertence exclusivamente a Cristo [Efésios 2:8]! Eu o fiz, porque Ele, afinal, fez tudo por mim, e a única parte que me restou fazer foi crer Nele, porque somente assim me seria garantido o direito de ter a vida eterna [João 3:16]!
A. M. Cunha

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O ATO CRIADOR DE DEUS ROMPE A ESTRUTURAS CAÓTICAS


“A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas”.
Gênesis 1:2

O cenário que inicialmente se via na terra, não era nada animador, pois a seu respeito se disse: “estava sem forma e vazia”. O texto, porém, não interrompeu com tais palavras sua narrativa, pois algo mais foi dito sobre a terra: “havia trevas sobre a face do abismo”. A estrutura que se via era caótica, desanimadora e incapaz de gerar qualquer estímulo criador. Mas na outra ponta desta estrutura estava o soberano Deus, imutável, sublime e absoluto criador do Universo! Dele emanaria o extraordinário ato criador, diante do qual nada se mostraria impossível, nem mesmo a estrutura caótica que se via naquele momento. O caos foi interrompido, não com uma enérgica e explosiva ação divina, mas por meio do suave pairar do Espírito de Deus, numa clara e definitiva demonstração da quietude divina diante do terrível caos que se via. O cenário, então, foi modificado pela presença consoladora e transformadora do Espírito de Deus. Somente após este doce pairar é que Deus falou: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz”. Pode-se, então, concluir que o Espírito de Deus criou a atmosfera adequada para o divino falar. Magnífica narrativa do ato criador de Deus, pois Ele liberou, e ainda libera, o poder do Seu Espírito para restaurar qualquer estrutura que esteja “sem forma e vazia”.
A. M. Cunha